“Sou maluco, sou beleza, a minha luta é por Delicadeza” A Travessia dos Usuários de um Centro de Convivência e Cultura da RAPS/BH

Resumo

Descrição

A partir dos avanços com a Reforma Psiquiátrica Brasileira, o cuidado em saúde mental passa a ter como principal característica o cuidado no território. Para tanto, a Rede de Atenção Psicossocial opera em diferentes níveis de atenção, incluindo as ações dos Centros de Convivência e Cultura como um equipamento da Atenção Primária à Saúde. Os Centros de Convivência têm como principal característica o desenvolvimento de ações de cuidado a partir da interface com a arte e a cultura. O município de Belo Horizonte foi pioneiro na transição do modelo antimanicomial com a implementação dos equipamentos substitutivos, dentre os quais os Centros de Convivência e Cultura. Vale ressaltar que o equipamento Centro de Convivência, ainda que tenha um papel importante no processo de reabilitação psicossocial dos usuários, não conta com legislação e financiamento específicos. A partir deste contexto, este estudo parte das seguintes perguntas: Quais são as principais características e como são operadas em um Centro de Convivência na cidade de Belo Horizonte? Como os usuários avaliam a oferta de atividades por parte do serviço? Como a participação nos Centros de Convivência influencia o cotidiano de seus usuários? Como o papel do Centro de Convivência para o cuidado em saúde mental é compreendido pelos usuários, familiares e profissionais da rede de saúde? Os objetivos deste estudo foram analisar as implicações das ações desenvolvidas por um Centro de Convivência da RAPS de Belo Horizonte no cuidado das pessoas em sofrimento psíquico e/ou em uso abusivo de álcool e outras drogas no âmbito da RAPS do SUS/Belo Horizonte, a partir da experiência de usuários e familiares e ampliar a discussão a do papel deste dispositivo na RAPS, buscando ampliar e subsidiar futuras ações para o estabelecimento de legislação específica e garantia de financiamento. Foi realizado um estudo transversal, de abordagem qualitativa e exploratória, conduzida a partir de duas abordagens diferentes: grupos focais com usuários e levantamento de dados a partir de questionário semiestruturado impresso, enviado aos familiares dos participantes dos grupos focais. Como resultado deste trabalho, foi elaborado um vídeo institucional com parte dos relatos desses usuários e de seus familiares. Neste vídeo, foi utilizada como trila sonora a música São Doidão, cantada pela banda "Os devotos de São Doidão". A atuação da autora principal destes estudo como produtora cultural da banda, formada por sujeitos da loucura, foi fundamental para que este se tornasse o primeiro grupo grupo vocal de referência em Minas Gerais. A trajetória da autora principal e da banda estão apresentadas de forma mais detalhada no vídeo. Os resgistros deste estudo, apresentados em formato de vídeo, evidenciam como nos Centros de Convivência os encontros se entrelaçam como fios delicados, tecendo uma rede que sustenta, acolhe e transforma. Te convidamos a conhecer este trabalho acessando este vídeo e esperamos que como desdobramentos da divulgação dessas vozes, os Centros de Convivência sejam reconhecidos como um dispositivo um espaço essencial na Rede de Atenção Psicossocial.

Citação

RODRIGUES, Adriane Gomes; ALBINO, Ana Carolina dos Santos; MATIAS, Isabela Nogueira; MARTINI, Larissa Campagna. “Sou maluco, sou beleza, a minha luta é por Delicadeza” A Travessia dos Usuários de um Centro de Convivência e Cultura da RAPS/BH. Repositório Institucional da UFSCar, 2025. Dataset. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/22577.

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