UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E EDUCAÇÃO LICENCIATURA EM PEDAGOGIA Kamylla Ribeiro Bernardes PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E AUTISMO: O QUE AS PESQUISAS REVELAM? Sorocaba 2024 1 Kamylla Ribeiro Bernardes PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E AUTISMO: O QUE AS PESQUISAS REVELAM? Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Licenciatura em Pedagogia, do Departamento de Ciências Humanas e Educação (DCHE) da Universidade Federal de São Carlos campus Sorocaba, para obtenção do título de licenciada em Pedagogia. Orientação: Profª. Drª. Débora Dainez Sorocaba 2024 2 3 Este trabalho é dedicado às vozes silenciadas, à esperança renovada e à promessa de um futuro onde cada indivíduo seja valorizado por sua singularidade. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, Francy e Edvaldo, por todo o apoio incondicional e dedicação. Foram vocês que me mostraram, desde criança, o poder da educação. Obrigada por nunca terem desacreditado do meu potencial. Ao meu namorado Matheus, agradeço por estar ao meu lado durante os momentos mais difíceis. Sua presença foi fundamental para superar os obstáculos e continuar seguindo em frente. Às minhas amigas, Flávia, Livia e Fernanda, que caminharam comigo ao longo dos cinco anos de curso, agradeço pela amizade, pelos momentos que compartilhamos juntas e por serem meu suporte em diversos momentos. Obrigada por não me deixarem desistir. À minha orientadora, Profa. Dra. Débora Dainez, minha gratidão pela sua orientação cuidadosa, paciência e sabedoria. Suas contribuições foram fundamentais para a qualidade deste trabalho. À professora Cátia Armando, que esteve ao meu lado durante o estágio, agradeço por ser uma mentora dedicada. O aprendizado adquirido nesse período inspirou diretamente o tema deste trabalho, e por isso, minha gratidão é imensurável. Não posso deixar de mencionar a turma do 3º e 4º ano B, que se tornou mais do que uma sala de aula. Cada aluno contribuiu para o meu crescimento profissional, e levo todos no meu coração como uma lembrança preciosa dessa fase da minha vida. Não poderia concluir este agradecimento sem expressar minha profunda gratidão ao meu aluno, com quem tive a oportunidade de trabalhar por mais de um ano. A você, meu querido aluno, meu eterno agradecimento. Suas lições continuarão a ecoar em minha carreira e na minha vida, me lembrando constantemente da importância da inclusão, da diversidade e do impacto positivo que a educação pode ter em cada indivíduo. 5 “Ensinar é tocar uma vida para sempre.” Autor desconhecido. 6 BERNARDES. Kamylla Ribeiro. Práticas pedagógicas e autismo: o que as pesquisas revelam? Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia), Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba - SP, 2024. RESUMO O presente estudo se caracteriza como uma revisão bibliográfica que aborda os trabalhos produzidos sobre as práticas pedagógicas e sua relação com o autismo. Tem como propósito refletir sobre as práticas pedagógicas que visem promover a inclusão e o desenvolvimento acadêmico e social de crianças com TEA. Ao compartilhar essa jornada, busco contribuir para o aprimoramento constante da educação inclusiva, evidenciando a importância de ressignificar as práticas pedagógicas de modo a atender às necessidades específicas de alunos com autismo. A coleta de dados para a elaboração desta pesquisa foi realizada por meio de busca sistemática em bibliotecas virtuais e repositórios institucionais. A pesquisa aborda as barreiras enfrentadas pelos educadores na implementação de práticas inclusivas, destacando a falta de conscientização sobre a importância da inclusão e a carência de qualificação multiprofissional. Entre as análises dos desafios e possibilidades relatados nas pesquisas investigadas, destaca-se que a parceria colaborativa entre professores, profissionais de saúde e famílias desempenha um papel crucial na criação de um ambiente de aprendizado acolhedor e produtivo para alunos autistas. A reflexão sobre práticas pedagógicas abordadas neste trabalho visa promover a inclusão e o desenvolvimento acadêmico e social de crianças com TEA. A importância de ressignificar as abordagens pedagógicas para atender às necessidades específicas de alunos com autismo é o caminho necessário para a construção de uma educação mais inclusiva e igualitária. Palavras-chave: Práticas Pedagógicas; Autismo; Inclusão; TEA; Educação Inclusiva. ABSTRACT The present study is characterized as a bibliographic review that addresses works produced on pedagogical practices and their relationship with autism. Its purpose is to reflect on pedagogical practices aimed at promoting the inclusion and academic and social development of children with ASD. By sharing this journey, I aim to contribute to the constant improvement of inclusive education, highlighting the importance of reframing pedagogical practices to meet the specific needs of students with autism. Data collection for this research was carried out through a systematic search in virtual libraries and institutional repositories. The research addresses the barriers faced by educators in implementing inclusive practices, emphasizing the lack of awareness of the importance of inclusion and the shortage of multiprofessional qualification. Among the analyses of challenges and possibilities reported in the investigated research, it is highlighted that collaborative partnership between teachers, health professionals, and families plays a crucial role in creating a welcoming and productive learning environment for autistic students. Reflection on 7 pedagogical practices addressed in this work aims to promote the inclusion and academic and social development of children with ASD. The importance of reframing pedagogical approaches to meet the specific needs of students with autism is the necessary path to building a more inclusive and egalitarian education. Keywords: Pedagogical Practices; Autism; Inclusion; ASD; Inclusive Education 8 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - DESCRITORES UTILIZADOS NA PESQUISA…………………………..19 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - LISTA DE TRABALHOS IDENTIFICADOS NA PLATAFORMA DE PESQUISA CAPES, RESSALTANDO INFORMAÇÕES COMO AUTOR, TÍTULO E CATEGORIA………………………………………………………………………………...21 QUADRO 2 - LISTA DE TRABALHOS IDENTIFICADOS NA PLATAFORMA GOOGLE ACADÊMICO, RESSALTANDO INFORMAÇÕES COMO AUTOR, TÍTULO E CATEGORIA……………………………………………………………………………...22 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - RELAÇÃO DE TRABALHOS POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO.…..…22 TABELA 2 - LISTA DE TRABALHOS IDENTIFICADOS COM O ENFOQUE NO NÍVEL DE ENSINO ABORDADO.………………………………….…………………….24 TABELA 3 - LISTA DE RELAÇÃO DE TRABALHOS ENCONTRADOS DE ACORDO COM A ABORDAGEM IDENTIFICADA…………….………………………………..….25 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AEE - Atendimento Educacional Especializado. CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. EJA - Educação de Jovens e Adultos. IMP - Intervenção Mediada por Pares. MEC - Ministério da Educação. TA - Tecnologias Assistivas. TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. TEA - Transtorno do Espectro Autista. ZDP - Zona de Desenvolvimento Proximal. 10 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 11 2. DISCUSSÃO BIBLIOGRÁFICA.............................................................................13 3. METODOLOGIA.................................................................................................... 17 4. RESULTADOS....................................................................................................... 20 5. DISCUSSÃO.......................................................................................................... 27 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................41 7. REFERÊNCIAS......................................................................................................43 11 1. INTRODUÇÃO Este trabalho propõe uma análise e reflexão das principais tendências presentes nos estudos bibliográficos que exploram as práticas pedagógicas envolvendo estudantes com autismo. Por meio de uma revisão crítica da literatura, buscaremos compreender como as abordagens pedagógicas têm evoluído para melhor atender às especificidades educacionais destes alunos. A experiência prática no contexto educacional muitas vezes revela-se como um catalisador para a reflexão e aprofundamento teórico. Ao longo de mais de um ano de atuação como profissional da educação, tive a oportunidade enriquecedora de trabalhar diretamente com um aluno com autismo no 3º Ano do Ensino Fundamental de uma escola pública. Este período foi marcado por desafios, aprendizados e uma imersão profunda nas nuances das práticas pedagógicas voltadas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A escolha do tema "Práticas Pedagógicas e o Autismo" para o presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), surge dessa vivência singular que se desdobrou em uma jornada de constante aprendizado e busca por estratégias pedagógicas inclusivas. Nesse processo, a parceria colaborativa com a professora da turma desempenhou um papel fundamental, proporcionando uma visão integral do aluno, considerando suas especificidades que me levaram a repensar as abordagens convencionais. O propósito deste trabalho é, portanto, refletir sobre as práticas pedagógicas que visem promover a inclusão e o desenvolvimento acadêmico e social de crianças com TEA a partir de um estudo bibliográfico. Ao compartilhar essa jornada, busco contribuir para o aprimoramento constante da educação inclusiva, evidenciando a importância de ressignificar as práticas pedagógicas de modo a atender às necessidades específicas de alunos com autismo. Consideramos que a educação inclusiva não se trata apenas de garantir a 12 presença e o acesso à educação de alunos com deficiência nas salas de aula regulares, mas de proporcionar um ambiente que promova seu desenvolvimento intelectual, social e emocional de forma integral e respeitosa. Nos últimos anos, o autismo tem se tornado um tema de crescente relevância no campo da educação inclusiva. Portanto se faz necessária a busca por práticas pedagógicas que considerem as especificidades e que promovam o desenvolvimento. Ao longo desta pesquisa, examinaremos não apenas as abordagens de ensino, mas também as barreiras que os educadores enfrentam ao implementar práticas inclusivas. Silva, Silva e Asfora (2015, p. 22) afirmam que: Percebemos ainda que há muitas barreiras quanto à falta de conscientização da importância da inclusão dos estudantes com TEA e do trabalho com qualificação e multiprofissional. A Educação é um direito de todos e cada vez mais percebemos os benefícios de inserir a criança com TEA, desde a Educação Infantil na escola, onde através da interação entre os pares e da intervenção dos profissionais envolvidos no processo educativo pode potencializar seu desenvolvimento. Por fim, o projeto considerará o papel crucial da colaboração entre educadores, profissionais de saúde e famílias na criação de um ambiente de aprendizado acolhedor e produtivo para os alunos autistas. Figueiredo, Costa e Dias (2018, p. 18) enfatizam a importância da participação da família no desenvolvimento escolar da criança: Outras questões, como a falta de parceria da família, pesam negativamente no processo de inclusão, pois para que os alunos com autismo possam melhor se desenvolver, professores e a escola devem trabalhar, tendo a família como colaboradora. É indiscutível a existência de desafios significativos relacionados às práticas pedagógicas no contexto do autismo. Portanto, é crucial que haja esforços contínuos por parte dos governos, escolas, educadores, famílias e sociedade em geral para superar esses desafios e proporcionar uma educação de qualidade e inclusiva para todos os alunos. 13 2. DISCUSSÃO BIBLIOGRÁFICA Figueiredo, Costa e Dias (2018) destacam a importância da atenção à escolarização oferecida aos alunos com deficiência, ressaltando as dificuldades enfrentadas nas escolas regulares, como a falta de professores qualificados e a organização de serviços. Além disso, mencionam a legislação brasileira que garante o acesso à educação, incluindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008 e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência de 2015. Ainda conforme as autoras, a inclusão de alunos com autismo nas escolas regulares é um desafio, mas também uma oportunidade para promover a diversidade e a igualdade na educação. São inúmeras as dificuldades de inclusão do aluno com deficiência na escola regular, entre os problemas estão a falta de professores qualificados e organização de serviços, fundamentais para efetivar a inclusão. Como a criança com autismo vive em um mundo isolado, o professor que consegue estabelecer um contato com o aluno, pode contar com menos uma dificuldade em seu trabalho. Mas, adentrar a esse universo exige que o professor seja flexível e tenha disposição para promover e participar das atividades e brincadeiras (Figueiredo; Costa; Dias, 2018, p. 19). Focando na fase da Educação Infantil, Silva, Silva e Asfora (2015) enfatizam a importância da Educação Infantil como um espaço privilegiado para o desenvolvimento das crianças, incluindo aquelas com TEA. O texto ressalta a evolução das concepções de infância ao longo da história e destaca a legislação brasileira que reconhece a Educação Infantil como um direito de todas as crianças. As autoras também discutem as práticas pedagógicas na Educação Infantil e destacam a importância de adaptar essas práticas para atender às necessidades específicas de crianças com TEA. Além disso, abordam o uso de Tecnologias Assistivas (TA) como uma ferramenta importante na educação desses estudantes. O uso de Tecnologias Assistivas (TA) é de grande importância na educação de estudantes com TEA, porque auxilia na comunicação e desenvolvimento físico, mental e possibilita maior participação e 14 autonomia nas atividades escolares, através de materiais adaptados e recursos tecnológicos previamente estudados de acordo com a dificuldade do estudante para lhe fornecer suporte, segurança e melhor desempenho nas aulas (Silva; Silva; Asfora, 2015, p. 9). Ambos os textos convergem para a ideia de que a inclusão efetiva de alunos com deficiência requer práticas pedagógicas flexíveis, adaptações curriculares e atenção às necessidades individuais de cada aluno. As autoras também destacam a importância da legislação como base para garantir o acesso à educação inclusiva. A perspectiva de Santos e Oliveira (2018) concentra-se em uma abordagem prática e específica, apresentando um estudo de caso sobre a escolarização de um aluno no Ensino Fundamental. Por outro lado, Weizenmann, Pezzi e Zanon (2020) oferecem uma análise mais ampla, investigando as experiências e sentimentos de professores em relação à inclusão de alunos com TEA. Uma convergência entre os textos é a ênfase na importância das práticas pedagógicas adaptadas e da compreensão individualizada dos alunos com TEA. No trabalho desenvolvido por Santos e Oliveira (2018), destaca-se a utilização de estratégias alternativas para vencer a resistência da criança e orientar sua atenção. Nas palavras das autoras, "a atuação da equipe pedagógica indica como relevante na escolarização de João: as constantes negociações com ele, acompanhadas de um paciente trabalho de convencimento" (Santos; Oliveira, 2018, p. 10). Já no trabalho de Weizenmann, Pezzi e Zanon (2020) observa-se a construção de práticas pedagógicas individualizadas e a substituição gradual de sentimentos de medo e insegurança por afetos positivos. A eficácia dessas estratégias no longo prazo pode ser questionada. É necessário considerar se essas abordagens são sustentáveis ao longo do tempo, e se a escola está equipada para atender esses alunos de forma respeitosa e atingir o objetivo de construir vínculos afetivos sólidos e duradouros. Ambos os textos também ressaltam a necessidade de uma abordagem colaborativa e do engajamento dos professores na aprendizagem dos alunos com TEA. No 15 trabalho produzido por Santos e Oliveira (2018), isso é evidenciado pelas ações diferenciadas da equipe pedagógica, incluindo negociações constantes, esforços para explicitar a rotina da escola e incentivo à colaboração dos colegas. No entanto, Weizenmann, Pezzi e Zanon (2020) complementam essa visão ao destacar que os professores se aliaram à aprendizagem dos alunos, facilitando o engajamento na rotina da turma. E o professor de uma turma com alunos incluídos precisa primeiramente entender a sua relação com seus alunos, bem como a relação entre eles, para então, possibilitar a elaboração de estratégias de ensino em benefício da aprendizagem da turma. Estratégias essas que devem estimular essencialmente a participação e a interação mútua dos alunos, respeitando as especificidades de cada um (Weizenmann; Pezzi; Zanon, 2020, p. 5). Em relação aos desafios, ambos os textos reconhecem obstáculos na implementação da inclusão escolar. Na pesquisa de Santos e Oliveira (2018) são mencionadas resistências e a necessidade de reorganização do planejamento escolar. Enquanto Weizenmann, Pezzi e Zanon (2020) destacam desafios relacionados à falta de recursos materiais, apoio especializado e resistência de alguns professores em adotar práticas inclusivas. Em síntese, a discussão sobre a inclusão de alunos com TEA nos textos sugere que práticas pedagógicas adaptadas, formação contínua, apoio institucional e uma abordagem colaborativa são fundamentais para criar um ambiente inclusivo e promover o desenvolvimento integral dessas crianças. Ambos os textos convergem na importância de superar desafios e promover uma inclusão escolar efetiva. Já a pesquisa de Schmidt et al. (2016) se concentra nas práticas pedagógicas dos professores e suas experiências, enquanto Faria et al. (2018) avalia o conhecimento, atitudes e práticas dos professores em relação à inclusão de alunos com TEA. Ambos destacam desafios e lacunas na abordagem da inclusão educacional para esses alunos. Dessa forma, compartilham certas convergências ao mesmo tempo que possuem divergências bem pontuadas. 16 Iniciando a discussão pelas semelhanças, ambos os textos ressaltam a importância da formação dos professores. Schmidt et al. (2016) mencionam a pouca formação dos docentes sobre autismo, contribuindo para sentimentos de despreparo. Nesse sentido, o sentimento de impotência, frustração e desamparo dos professores, associado ao medo de lidar com determinados comportamentos do aluno parece indicar um descrédito em suas próprias capacidades para adotar práticas educacionais eficazes (Schmidt et al., 2016, p. 10) Faria et al. (2018) também destacam que, embora os professores possuam conhecimento sobre a etiologia do TEA, ainda há conceitos errôneos, indicando a necessidade de uma melhor integração entre teoria e prática. Além disso, os textos sugerem que os professores necessitam de mais suporte técnico-pedagógico, estrutura e organização escolar voltados para princípios inclusivos. É destacada a importância de os professores se sentirem acolhidos e apoiados em suas decisões pedagógicas, junto a necessidade de formação especializada para que os professores utilizem procedimentos adequados ao aprendizado de alunos com TEA. Embora os trabalhos examinados e discutidos forneçam discussões significativas sobre estratégias educacionais gerais, é fundamental reconhecer que o autismo é um espectro vasto e diversificado, em que cada indivíduo é único em suas necessidades, habilidades e desafios. Portanto, a conclusão central ressalta a importância de transcender abordagens padronizadas que podem se mostrar inflexíveis e não atender adequadamente às necessidades individuais dos alunos, evidenciando a necessidade de promover um entendimento aprofundado e uma resposta integrada às características específicas de cada criança autista. Ao orientar as práticas pedagógicas para uma abordagem mais individualizada, podemos garantir que o ambiente educacional seja verdadeiramente inclusivo e propício ao desenvolvimento pleno de cada aluno autista. 17 3. METODOLOGIA A metodologia de pesquisa realizada neste projeto é majoritariamente bibliográfica. Gil (1991) traz a conceituação de pesquisa bibliográfica descrevendo como um estudo desenvolvido a partir de material já elaborado que são constituídos predominantemente de livros e artigos científicos. Dessa forma, a metodologia de pesquisa bibliográfica constitui uma abordagem fundamental na condução de estudos acadêmicos, proporcionando uma base sólida e abrangente para a análise de um determinado tema. No caso desta pesquisa, ela envolve a revisão e análise crítica de livros e artigos acadêmicos relevantes que abordam as práticas pedagógicas voltadas para o autismo, buscando analisar a literatura existente para compreender as principais tendências, descobertas e lacunas relacionadas às práticas pedagógicas no contexto do autismo. Este método possui vantagens e desvantagens para o pesquisador, uma vez que oferece uma ampla gama de informações que não precisam ser coletadas presencialmente em campo. Gil (1991) acrescenta que a pesquisa bibliográfica também é indispensável nos estudos históricos. Os dados bibliográficos permitem conhecer e compreender os fatos passados, perspectivando a produção de novos conhecimentos. Por outro lado, as desvantagens aparecem devido a fontes de dados equivocadas que podem comprometer a qualidade da pesquisa. Dessa forma, é fundamental que o pesquisador analise o material com profundidade para evitar possíveis incoerências em seu trabalho. A coleta de dados desta pesquisa foi realizada por meio de busca sistemática em bibliotecas virtuais e repositórios institucionais. As plataformas selecionadas desempenham papéis significativos na pesquisa bibliográfica, oferecendo acesso a uma ampla gama de recursos acadêmicos e científicos. Uma delas é a SciELO, que oferece artigos científicos em diversas áreas do conhecimento, promovendo o 18 acesso gratuito a pesquisas acadêmicas. Ela utiliza um modelo de revisão por pares para garantir a qualidade dos artigos. Outra plataforma utilizada foi o Portal de Periódicos CAPES, que fornece acesso a periódicos científicos, livros, teses, dissertações e outras fontes de informação. Seu portal de periódicos oferece acesso a uma variedade de bases de dados, incluindo conteúdo internacional, contribuindo para a produção científica brasileira. Por fim, a última plataforma selecionada foi o Google Acadêmico, que rastreia uma ampla gama de fontes, incluindo periódicos revisados por pares, conferências, teses e relatórios técnicos e é amplamente utilizado por pesquisadores e estudantes. Assim essas plataformas desempenham um papel crucial na disseminação do conhecimento científico, facilitando o acesso a recursos acadêmicos. Além de permitir que pesquisadores, estudantes e profissionais tenham acesso rápido a uma variedade de fontes, contribuindo para o avanço da pesquisa e do ensino. Por fim, promovem a transparência e a acessibilidade, essenciais para o progresso na produção de conhecimento científico. Para a busca de dados foram utilizados os descritores “Práticas Pedagógicas”, “Autismo”, e “Inclusão” a fim de encontrar artigos e materiais relevantes. A seleção dos materiais foi baseada na relevância direta para o tema da pesquisa. Foram encontrados um total de 38.643 trabalhos, e desse resultado, foram selecionados 55 para leitura analítica. Por fim, foram descartados trabalhos duplicados idênticos levando a ser considerados 17 trabalhos cujo tema estava em consonância com a questão das práticas pedagógicas no contexto do aluno com TEA. 19 FIGURA 1 - DESCRITORES UTILIZADOS NA PESQUISA. Fonte: Elaborado pela autora, com base nos dados de pesquisa das plataformas CAPES, Scielo e Google Acadêmico, 2023. No decorrer da leitura analítica dos 55 trabalhos inicialmente selecionados, identificou-se que alguns deles se concentravam primariamente em abordar políticas públicas relacionadas à inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), sem oferecer uma investigação aprofundada nas práticas pedagógicas efetivas no ambiente da sala de aula. Além disso, notou-se que determinados trabalhos focalizavam especificamente na educação física, desviando o enfoque das estratégias pedagógicas aplicadas em sala de aula. Diante dessa observação, esses materiais foram excluídos da seleção final, uma vez que não contribuíam de maneira substantiva para o entendimento das práticas pedagógicas concretas utilizadas na inclusão de alunos com TEA no contexto da sala de aula. Essa decisão de descarte buscou assegurar que a análise se concentrasse em trabalhos diretamente relevantes para a investigação sobre práticas pedagógicas inclusivas, específicas para o ambiente educacional em sala de aula, atendendo aos objetivos específicos da pesquisa. 20 Para a discussão da pesquisa, foram priorizados a análise de artigos científicos e dissertações relevantes para o tema em questão. A escolha dessas fontes se deu em busca de embasamento teórico sólido de natureza acadêmica. 4. RESULTADOS Ao fim da busca e análise dos trabalhos encontrados, foram considerados 8 artigos científicos na plataforma Portal de Periódicos Capes, 8 artigos científicos e 1 dissertação na plataforma Google Acadêmico, totalizando 17 trabalhos. Com o intuito de proporcionar uma visibilidade mais ampla aos trabalhos identificados e escolhidos, apresentamos a seguir os quadros 1 e 2 com a lista de trabalhos encontrados em cada plataforma. QUADRO 1 - Lista de trabalhos identificados na plataforma de pesquisa Portal de Periódicos Capes, ressaltando informações como autor, título e categoria. N º Autor Título Ano Categoria 1. CAPELLINI, Vera Lucia Messias Fialho; SHIBUKAWA, Priscila Hikaru Shibukawa; RINALDO, Simone Catarina de Oliveira. Práticas pedagógicas colaborativas na alfabetização do aluno com transtorno do espectro autista. 2016 Artigo 2. FARIA, Karla Tomaz; TEIXEIRA, Maria Cristina Trigueiro Veloz; CARREIRO, Luiz Renato Rodrigues; AMOROSO, Victor; PAULA, Cristiane Silvestre de. Atitudes e práticas pedagógicas de inclusão para o aluno com autismo. 2018 Artigo 3. MACÊDO, Cláudia Roberto Soares de; NUNES, Débora Regina de Paula. Aprendizagem mediada na escolarização de educandos com autismo. 2016 Artigo 4. MARCHIORI, Alexandre Freitas; FRANÇA, Carla de Almeida Aguiar. Práticas e habilidades pedagógicas na educação infantil: contribuições ao processo de desenvolvimento de uma criança com autismo. 2018 Artigo 21 5. MONTEIRO, Maria Inês Bacellar; BRAGIN, Josiane Maria Bonatto. Práticas pedagógicas com autistas: ampliando possibilidades. 2016 Artigo 6. SERRA, Dayse. Sobre a inclusão de alunos com autismo na escola regular. Quando o campo é quem escolhe a teoria. 2010 Artigo 7. SOUZA, Maira; GANDA, Danielle Ribeiro. A inclusão do aluno autista na educação infantil: um relato de caso. 2018 Artigo 8. TEIXEIRA, Maira Cristina Souza; GANDA, Danielle Ribeiro. Relato de caso sobre o trabalho com uma criança na educação infantil. 2019 Artigo Fonte: Portal de Periódicos Capes. QUADRO 2 - Lista de trabalhos identificados na plataforma de pesquisa Google Acadêmico, ressaltando informações como autor, título e categoria. Nº Autor Título Ano Categoria 9. BARBERINI, Karize Younes. A escolarização do autista no ensino regular e as práticas pedagógicas. 2018 Artigo 10. FIGUEIREDO, Camila Fernandes; LÜDERS, Valéria. Práticas pedagógicas e musicais com estudantes com transtorno do espectro do autismo. 2018 Artigo 11. MONTICELLI, Fernanda Ferreyro; BOLZAN, Cacia Scuassante. Práticas Pedagógicas Inclusivas Para O Sujeito Com Autismo Na Sala De Aula. 2018 Artigo 12. RAMOS, Fabiane dos Santos et al. Intervenção mediada por pares: Conceito e implicações para a pesquisa e para as práticas pedagógicas de professores de alunos com autismo. 2018 Artigo 13. ROSA, Dirlei Weber; GROSS, Élin Paula Cordeiro; SANTOS, Fabiana Regina Dos; Os níveis do autismo e as práticas pedagógicas mais eficazes no 2020 Artigo 22 SCHUERMANN, Laura Caroline Garcia; STOCK, Ana Cristina; SERNAJOTO, Adriana. processo de ensino e aprendizagem. 14. SCHMIDT, Carlo; NUNES, Débora Regina de Paula; PEREIRA, Débora Mara; OLIVEIRA, Vivian Fátima de; NUERNBERG, Adriano Henrique; KUBASKI, Cristiane. Inclusão escolar e autismo: uma análise da percepção docente e práticas pedagógicas. 2016 Artigo 15. VECCHIA, Christiane Cordeiro Silvestre Dalla. Práticas Pedagógicas no ensino de crianças com autismo na perspectiva da Educação Inclusiva: um olhar do professor. 2017 Dissertação 16. VECCHIA, Christiane Cordeiro Silvestre Dalla; VESTENA, Carla Luciane Blum. Aprendizagem escolar de crianças com autismo e as práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores. 2020 Artigo 17. WEIZENMANN, Luana Stela; PEZZI, Fernanda Aparecida Szareski; ZANON, Regina Basso. Inclusão escolar e autismo: sentimentos e práticas docentes. 2020 Artigo Fonte: Google Acadêmico. Com base nos quadros apresentados, observa-se que a maioria dos trabalhos é composta por artigos, indicando uma predominância deste gênero na discussão sobre práticas pedagógicas e inclusão de alunos com autismo. Dos 17 trabalhos listados, 16 são artigos e apenas 1 é uma dissertação. Também é notável que a produção acadêmica sobre o tema é recente, com a maioria dos trabalhos datados a partir de 2016, sugerindo um interesse crescente na última década. É importante ressaltar que, embora a quantidade de dissertações seja menor, sua presença destaca-se, indicando uma relevância na pesquisa mais aprofundada sobre a temática. Apresentaremos informações sobre as Unidades de Federação nas quais os trabalhos foram produzidos. TABELA 1 - Relação de trabalhos por unidade da federação. 23 UNIDADE DA FEDERAÇÃO QUANTIDADE PORCENTAGEM Paraná 4 23,53% Rio Grande do Sul 3 17,65% São Paulo 3 17,65% Santa Catarina 2 11,76% Minas Gerais 2 11,76% Espírito Santo 1 5,88% Rio Grande do Norte 1 5,88% Ceará 1 5,88% Fonte: Portal de Periódicos Capes e Google Acadêmico. Com base na tabela apresentada, podemos extrair algumas constatações significativas. Notavelmente, o estado do Paraná lidera em termos de quantidade, representando 23,53% do total de artigos e dissertações encontrados. Em seguida, temos o Rio Grande do Sul e São Paulo, ambos com uma contribuição significativa de 17,65%. O interesse e a pesquisa sobre práticas pedagógicas e autismo parecem ser distribuídos de maneira relativamente equitativa, com vários estados, como Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Ceará, cada um contribuindo com uma porcentagem considerável. Essa distribuição geográfica diversificada sugere um interesse disseminado e engajamento em pesquisas sobre esse tema em várias regiões do Brasil. Além disso, podemos observar que há uma concentração significativa de trabalhos encontrados na região Sul do país (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) que contribuem de maneira considerável com pesquisas acerca do tema, representando coletivamente 52,94% do total de artigos identificados. Embora o Paraná lidere com 23,53% das pesquisas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também têm contribuições consideráveis, com 17,65% cada. Essa distribuição relativamente equitativa sugere um engajamento significativo em pesquisas sobre a temática em toda a região Sul. 24 A presença destacada desses estados na pesquisa acadêmica sobre práticas pedagógicas e autismo sugere um interesse e engajamento ativos na região em questões relacionadas à educação especial e inclusão de alunos com autismo. Em resumo, os dados indicam que a região Sul do Brasil desempenha um papel relevante na produção científica sobre o tema, refletindo um comprometimento significativo com a pesquisa nessa área. A seguir, forneceremos informações sobre o nível de ensino abordado nos trabalhos selecionados. TABELA 2 - Lista de trabalhos identificados com o enfoque no nível de ensino abordado. NÍVEL DE ENSINO QUANTIDADE EDUCAÇÃO INFANTIL 3 ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS 7 TODOS OS NÍVEIS DE ENSINO 7 TOTAL 17 Fonte: Portal de Periódicos Capes e Google Acadêmico. Analisando a tabela referente aos artigos e dissertação encontrados distribuídos por nível de ensino, podemos fazer algumas considerações. Fica evidente uma maior concentração de artigos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, representando 41,18% do total de artigos encontrados com 6 artigos e 1 dissertação. Isso sugere um interesse particular em explorar práticas pedagógicas relacionadas ao autismo nesta etapa da educação básica. A Educação Infantil também é uma área de destaque, com 17,65% dos artigos voltados para esse nível de ensino, indicando uma preocupação com práticas pedagógicas específicas para crianças com autismo durante os estágios iniciais do desenvolvimento. 25 Infelizmente, não foram encontrados trabalhos relacionados aos Anos Finais do Ensino Fundamental e à Educação de Jovens e Adultos (EJA). A ausência de pesquisa nessas áreas sugere uma lacuna no conhecimento sobre práticas pedagógicas para alunos com TEA nessas etapas educacionais específicas. Por fim, sete dos artigos (41,18%) abordam práticas pedagógicas para alunos com autismo em todos os níveis de ensino, demonstrando uma preocupação com a inclusão e adaptação das práticas para atender às diferentes fases da educação. Em resumo, os resultados indicam um foco notável nas práticas pedagógicas voltadas para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, bem como uma atenção à Educação Infantil, mas apontam para a necessidade de mais pesquisas e discussões específicas sobre os Anos Finais do Ensino Fundamental e a Educação de Jovens e Adultos no contexto do autismo. A seguir, forneceremos informações sobre a abordagem utilizada na discussão dos trabalhos selecionados TABELA 3- Lista de relação de trabalhos encontrados de acordo com a abordagem identificada. ABORDAGEM QUANTIDADE Sociointeracionismo 10 Etnográfica 1 Transversal 2 Indutivo-construtiva 1 Socioconstrutivismo 1 Behaviorismo 2 Fonte: Portal de Periódicos Capes e Google Acadêmico. Ao analisar a tabela referente aos artigos e dissertação encontrados classificados por abordagem, podemos notar que a abordagem sociointeracionista é a mais proeminente, representando 58,82% do total de artigos identificados, com 9 artigos e 26 1 dissertação. Isso sugere um interesse significativo em explorar práticas pedagógicas para alunos com autismo a partir da perspectiva do sociointeracionismo, que destaca a importância das interações sociais e da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), conceito elaborado pelo psicólogo Lev Vigotski. Além do sociointeracionismo, outras abordagens sociais e culturais, como o socioconstrutivismo, também estão presentes, representando 5,88% dos artigos, respectivamente. Isso sugere uma apreciação pelo contexto cultural e social na implementação de práticas pedagógicas para alunos com autismo. Embora em menor quantidade, também são encontradas abordagens comportamentais, como o behaviorismo baseado na teoria do psicólogo B.F. Skinner, representando 11,76% dos artigos. Isso indica uma consideração das estratégias comportamentais na implementação de práticas pedagógicas eficazes. Além disso, a diversidade de abordagens é notável, indicando uma variedade de perspectivas teóricas utilizadas na pesquisa sobre práticas pedagógicas que promovam a inclusão. As abordagens incluem a etnográfica, transversal, indutivo-construtiva, histórico-cultural, socioconstrutivismo e behaviorismo. 27 5. DISCUSSÃO Neste item, foram escolhidos com cuidado 10 artigos que abordam, de maneira abrangente, o tema central da pesquisa: Práticas Pedagógicas e Autismo. Essa seleção visa a aprofundar a compreensão desses estudos, fomentando uma discussão substancial e estabelecendo conexões significativas entre eles. O objetivo é enriquecer a análise crítica, contribuindo para a construção de uma base sólida e embasada para as conclusões a serem apresentadas posteriormente. A pesquisa de Weizenmann, Pezzi e Zanon (2020) aborda a experiência de quatro professoras do 1° ao 3° ano escolar de escolas públicas em um município na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, que têm alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As professoras que participaram da pesquisa foram escolhidas com base em indicações das escolas pela Secretaria de Educação local. As autoras utilizaram como instrumento entrevistas semiestruturadas com os professores, abordando seus sentimentos e concepções sobre a inclusão de crianças com TEA. Foram desenvolvidas 10 questões abertas para investigar os sentimentos, dificuldades, estratégias adotadas e a avaliação de riscos e benefícios da inclusão para crianças neurotípicas. Os resultados indicaram que as professoras inicialmente experimentaram sentimentos de insegurança e medo diante da inclusão de alunos com TEA, atribuídos à falta de conhecimento sobre o tema. Contudo, ao longo do tempo e após a adaptação dos alunos, esses sentimentos foram substituídos por confiança e afeto. No que diz respeito à prática pedagógica, as professoras ressaltaram a importância de conhecer as características do TEA para uma abordagem mais eficaz. Sabe-se que os prejuízos do transtorno relacionam-se essencialmente à interação social, comunicação e comportamentos estereotipados e repetitivos, porém, em tais aspectos existem variações de intensidade, topografia e frequência. Assim, torna-se fundamental que o professor tenha conhecimento sobre as 28 características do autismo a fim de favorecer sua prática pedagógica (Weizenmann; Pezzi; Zanon, 2020, p. 5). As conclusões destacam que, apesar das dificuldades iniciais, a inclusão de alunos com TEA foi bem-sucedida, evidenciando a importância do conhecimento e da adaptação das práticas pedagógicas. No entanto, também é apontada a falta de apoio e conhecimento sobre estratégias específicas para lidar com crianças com TEA. A pesquisa contribui para o entendimento da inclusão escolar desses alunos e destaca a necessidade de mais estudos sobre o tema. Figueiredo e Lüders (2016), conduzindo nosso olhar para a arte, em seu trabalho tiveram como objetivo explorar a vivência musical de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto escolar. O estudo envolveu a coleta de informações por meio de questionários respondidos pelos pais, entrevistas com a professora de classe e a implementação de aulas de música estruturadas para atender às necessidades específicas dessas crianças. A pesquisa iniciou-se com os pais respondendo a um questionário dividido em duas categorias: "recordações" e "hoje em dia", buscando investigar a existência de canções relacionadas ao período de gestação e aos primeiros anos de vida da criança. Esse procedimento visou compreender a relação prévia da criança com a música. Além disso, a pesquisa levou em consideração a hipersensibilidade auditiva frequentemente presente em crianças com TEA. As autoras destacam a importância de um questionário prévio com os pais, visando conscientizar o professor de música sobre as particularidades do aluno com TEA antes de sua inserção na sala de aula. A pesquisa também inclui uma entrevista com a professora de classe para identificar métodos específicos já em uso, possibilitando a continuidade dessas práticas nas aulas de música. No que diz respeito às aulas de música, a pesquisa teve como objetivo principal proporcionar o ensino musical por meio da prática, escuta atenta e conhecimento de diversos gêneros musicais. A estruturação das aulas, com uma rotina específica, é 29 destacada como fundamental para alunos com TEA, contribuindo para a previsibilidade e redução de ansiedades. O quadro apresentado no texto descreve a ordem das atividades nas aulas de música, destacando seus objetivos específicos. O uso de cartões coloridos para indicar diferentes elementos, como a rotina da aula, instrumentos musicais, nomes das canções e conceitos musicais, é apontado como uma estratégia para tornar as informações mais compreensíveis para os alunos com TEA. As autoras enfatizam que a aprendizagem para alunos com TEA pode ser facilitada quando a informação é apresentada de forma verbal e visual, e destaca a importância do professor reconhecer as condições individuais dos alunos e adaptar suas práticas pedagógicas de acordo. A conclusão ressalta que, embora alunos com TEA possam apresentar desafios na comunicação e interação social, cabe ao professor mediar essa aprendizagem, reconhecendo essas condições e propondo estratégias alternativas. É destacada a importância do ensino como um ato coletivo, mas a aprendizagem como um ato individual. Os indivíduos com necessidades educacionais especiais têm direito à cultura e a um ensino musical de qualidade, bem como a alcançar uma musicalidade. O professor pode e deve colaborar nesse processo, respeitando cada indivíduo em suas características, seu tempo de aprendizado, seu gosto musical, seu contexto cultural, ressaltando assim a contribuição da Educação Musical para o desenvolvimento integral do ser humano, no que se refere à sensibilização para a formação musical (Figueiredo; Lüders, 2016, p. 2). Monticelli e Bolzan (2018) abordam as bases legais que garantem o acesso e a permanência de alunos com autismo nas escolas, destacando a Constituição Federal de 1988, a Declaração de Salamanca de 1994 e leis específicas, como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Lei nº 12.764 de 2012). 30 As autoras destacam a importância dessas bases jurídicas como fundamentais para a formação do desenvolvimento intelectual de pessoas com necessidades específicas. Além disso, ressalta a indispensabilidade de ir além das obrigações legais, evidenciando o papel do educador, baseado no espírito de solidariedade. O texto enfatiza que o professor não deve ensinar apenas por cumprir uma lei, mas por um comprometimento com o aprendizado do aluno, reconhecendo a individualidade de cada estudante. As autoras destacam a importância do diálogo intercultural entre o professor e o aluno com autismo, ressaltando que a sala de aula é um espaço diversificado, e é nesse contexto que surgem desafios, questionamentos e, ao mesmo tempo, oportunidades de aprendizado mútuo. A resistência em ensinar alunos com autismo é discutida, ressaltando que a história de exclusão desses alunos impacta as atitudes presentes. As autoras argumentam que a emancipação desses alunos se tornará realidade quando forem oferecidas as condições adequadas de ensino, superando a supressão de passados injustos. A pesquisa destaca a importância do processo de ensino e das condições pedagógicas, abordando aspectos como a sensação, percepção, atenção e memória. São apresentados exemplos práticos de como estimular esses aspectos, como uma oficina de biscoitos, atividades sensoriais e estímulos auxiliares na alfabetização. O texto conclui enfatizando a necessidade de oferecer condições de ensino que promovam a aprendizagem significativa, visando a emancipação do aluno com autismo. A resenha destaca a relevância do conhecimento e da educação na humanização dos indivíduos, ressaltando que o acesso à educação é fundamental para garantir os direitos das pessoas com autismo. São muitas as possibilidades para que o aluno com autismo ocupe os assentos escolares, para além da socialização, ou seja, para também fazer aquisição de novas aprendizagens. E a escola não pode furtar-se dessa função, pois é pelo conhecimento significativo que o aluno irá se socializar cada vez mais (Monticelli; Bolzan, 2018, p. 13). 31 Teixeira e Ganda (2019) trazem um relato apresentado pela primeira autora deste artigo que proporciona uma visão íntima e reflexiva sobre sua experiência ao trabalhar com um aluno diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) – Nível 1. A narrativa se desenvolve ao longo de um período de um ano e meio, durante o qual a autora, inicialmente uma estudante de pedagogia, assume o papel de profissional-apoio em uma escola pública na cidade de Carmo do Paranaíba no estado de Minas Gerais. O relato destaca a jornada desafiadora, porém enriquecedora, na qual a autora, movida pela necessidade de emprego e pelo desejo de atuar na área da educação, se depara com a responsabilidade de auxiliar um aluno autista em sua sala de aula. A abordagem inicial revela a busca ativa por conhecimento, evidenciada pela pesquisa sobre o autismo, a consulta a profissionais e a imersão em materiais recomendados por outros educadores. A relação entre a autora e o aluno é delineada com sensibilidade e cuidado. A adaptação inicial do aluno à presença da autora e a construção de confiança são destacadas como elementos fundamentais para o sucesso do processo. O relato detalha os desafios enfrentados, desde as dificuldades iniciais na participação nas atividades escolares até as peculiaridades comportamentais associadas ao autismo, como a hipersensibilidade auditiva. A estratégia pedagógica adotada pela autora é meticulosamente descrita, desde a organização de uma rotina clara até a introdução de comandos visuais e atividades que visam desenvolver habilidades motoras e cognitivas. A narrativa destaca o papel crucial da parceria colaborativa com a professora regente, que apoia e orienta as decisões pedagógicas. O relato não apenas abrange os desafios iniciais, mas também ressalta os avanços significativos alcançados pelo aluno ao longo do tempo. A ênfase na abordagem lúdica, na individualização do ensino e na valorização de conquistas pequenas é 32 perceptível ao longo da narrativa, demonstrando uma compreensão das necessidades e potencialidades do aluno por parte da autora. A segunda parte do texto apresenta sugestões práticas para pais e professores lidarem com crianças autistas, baseadas na experiência da autora. Essas sugestões abrangem desde o reconhecimento das preferências individuais até a promoção da autonomia e socialização. O desenvolvimento da autonomia é fundamental para a formação da autoestima. Portanto, os pais podem estimular os filhos a ajudarem nas tarefas da casa. Na escola, a professora pedir que os alunos a auxiliem sendo o ajudante do dia, pegando material, dando algum recado etc. Deve-se ressaltar que ao pedir algo à uma criança autista use linguagem clara, com frases curtas e objetivas, pedindo inicialmente algo simples de ser executado e aumentando aos poucos a dificuldade, pois assim ele atingirá o objetivo (Teixeira; Ganda, 2019, p. 10). Em conclusão, o relato proporciona uma visão sobre a prática pedagógica voltada para crianças com TEA, destacando não apenas os desafios, mas também as estratégias possivelmente eficazes e o impacto positivo que uma abordagem inclusiva pode ter no desenvolvimento desses alunos. Capellini, Shibukawa e Rinaldo (2016) apresentam em sua pesquisa uma análise detalhada do processo de alfabetização de um aluno com autismo, abordando diferentes aspectos, desde as relações interpessoais até as práticas pedagógicas adotadas pela professora. A pesquisa divide-se em três categorias: relações interpessoais do aluno, desafios do professor em relação à inclusão e ao processo de alfabetização, e o processo de intervenção e suas contribuições para o desenvolvimento da linguagem escrita. Na categoria das relações interpessoais, as autoras abordam a importância do estabelecimento de vínculos entre o aluno e os outros membros da escola. Inicialmente recluso, o aluno gradualmente se torna mais participativo à medida que se fortalece o vínculo com a pesquisadora e a professora. No entanto, o texto aponta 33 para uma diferenciação no tratamento do aluno com autismo em relação aos demais, destacando uma possível falta de credibilidade no seu potencial. O texto evidencia a falta de preparo da professora para lidar com alunos com autismo, destacando a necessidade de cursos de formação específicos. A docente expressa descontentamento com as mudanças sociais e metodologias de ensino, revelando insegurança na inclusão de alunos com deficiência. Seu discurso é evidenciado em vários episódios, como, por exemplo, enquanto os demais alunos faziam atividades de escrita de palavras ou de leitura, entregava ao aluno com autismo uma cópia de um livro de gravuras, visando entretê-lo com pinturas. Assim, as adaptações realizadas consistiam em facilitar a atividade, e não fazer com que o aluno pudesse realizar a mesma atividade que os demais, por meio de recursos e estratégias diferenciadas (Capellini; Shibukawa; Rinaldo, 2016, p. 4). Na segunda categoria, que aborda os desafios do professor, a pesquisa aponta uma prática pedagógica tradicional, influenciada por métodos antigos, como o uso de cartilhas e cópias de atividades. A falta de adaptabilidade e estratégias diferenciadas compromete o desenvolvimento do aluno com autismo e, consequentemente, prejudica o processo de alfabetização e letramento. A terceira categoria destaca o processo de intervenção e suas contribuições para o desenvolvimento da linguagem escrita. A pesquisa ressalta a necessidade de desconstruir concepções equivocadas do aluno sobre letras e números, destacando a importância do trabalho colaborativo para superar barreiras e promover o aprendizado. No geral, o texto apresenta uma análise crítica e reflexiva sobre o processo de alfabetização de um aluno com autismo, apontando desafios, limitações e destacando a importância de práticas pedagógicas inclusivas e adaptadas. A pesquisa contribui para a compreensão das dificuldades enfrentadas por professores e alunos no contexto da inclusão escolar, ressaltando a necessidade de formação contínua e estratégias pedagógicas diferenciadas. 34 Serra (2010) apresenta uma análise crítica das propostas educacionais em relação à inclusão de alunos autistas, destacando a complexidade desse processo. A centralidade do sujeito é questionada, pois a autora ressalta a importância de considerar diversos elementos, como ambiente, familiares, culturas, políticas e práticas. A denúncia de casos de alunos segregados em classes inclusivas é apontada como uma ocorrência frequente. A autora destaca a relevância de reflexões sobre a inclusão educacional de alunos autistas, enfatizando a dimensão ética desse processo. A obsessão pela inclusão é criticada por sua potencial capacidade de tornar invisíveis as diferenças, representando um desrespeito à identidade. A educação de autistas é apresentada como uma questão que vai além do aspecto acadêmico, exigindo uma ampliação dos conceitos de currículo e programas educacionais. A necessidade de aprendizagem para efetivar a inclusão é ressaltada, o que demanda uma revisão dos conceitos sobre currículo e programas educacionais. Serra (2010) argumenta que o currículo não deve se limitar apenas a experiências acadêmicas, mas se estender a atividades de vida diária que favoreçam o desenvolvimento dos alunos autistas. Destaca-se a importância de reformulações no sistema educacional, incluindo adaptações curriculares, metodológicas e de recursos tecnológicos. Sendo assim, as atividades de vida diária podem se constituir em currículo e em alguns casos, talvez sejam 'os conteúdos' que serão ensinados. Em outras situações, poderemos esperar muito mais dos alunos com autismo. É preciso ter claro que para a conquista do processo de inclusão de qualidade, algumas reformulações no sistema educacional se fazem necessárias e muitas vezes essas alterações começam pelas alterações arquitetônicas e terminam nas comportamentais (Serra, 2010, p. 11). O ensino regular é criticado por suas limitações, como salas lotadas, ambiente físico desfavorável e falta de preparação dos professores para lidar com alunos autistas. O recebimento e matrícula de alunos especiais em algumas instituições são questionados como uma verdadeira inclusão, e a autora sugere que o processo de 35 inclusão vá além disso. A falta de adaptações curriculares propostas pelo MEC é apontada como um obstáculo adicional. O dilema de incluir ou não a criança autista na escola regular é apresentado como uma decisão complexa que requer reflexão cuidadosa. A decisão de segregação ou inclusão é criticada se levada ao extremo, pois ambas podem representar formas inadequadas de educação se forem únicas e desprovidas das adaptações necessárias. O texto de Barberini (2018) aborda uma pesquisa desenvolvida com o objetivo de analisar as práticas pedagógicas de professoras do Ensino Fundamental I que trabalham com alunos diagnosticados com autismo em escolas da Rede Municipal de Curitiba. A metodologia empregada foi qualitativa, utilizando a abordagem etnográfica, com observações em duas escolas e aplicação de questionários a oito professoras. Durante o estudo, foram realizadas 22 visitas às escolas para observar a prática pedagógica e registrar os fenômenos percebidos. O questionário, composto por 11 perguntas abertas e fechadas, foi aplicado a oito professoras, focando em aspectos como metodologia utilizada, práticas pedagógicas, atenção aos alunos com autismo e existência de um planejamento curricular específico. Os resultados indicam que as professoras estão se esforçando para aprimorar seus conhecimentos e adaptar suas práticas pedagógicas para atender aos alunos com autismo. As observações mostram que, em uma das escolas, todas as professoras possuem uma rotina definida devido à presença de alunos com autismo, enquanto na outra escola, uma professora não dispõe dessa rotina. A análise das respostas das professoras revela que algumas delas realizam atividades individuais e em grupo, enquanto outras optam por atividades diferenciadas. O uso de materiais concretos e estratégias pedagógicas variadas é destacado como essencial para o aprendizado dos alunos com autismo. 36 Na perspectiva das práticas pedagógicas, foi perceptível o não conhecimento das professoras frente a essas práticas, pois propõem as mesmas atividades para toda a turma e ao utilizar materiais diversificados, sejam eles, figuras e/ou materiais didáticos, para auxiliar no aprendizado de seus alunos com autismo, disponibiliza-os também aos demais alunos (Barberini, 2018, p. 8). As conclusões apontam para a importância do planejamento pedagógico, da adaptação de atividades e do conhecimento das características individuais dos alunos com autismo. Destaca-se também a necessidade de reconhecimento do aluno como sujeito capaz de aprender, visando à construção de uma educação de qualidade para todos. Ramos et al. (2018) discutem a Intervenção Mediada por Pares (IMP), uma abordagem que reconhece a influência significativa do comportamento dos pares no desenvolvimento individual, especialmente em crianças. Na intervenção por proximidade, crianças com desenvolvimento típico são colocadas lado a lado com a criança-alvo em um contexto de brincadeira, promovendo a interação social de forma natural. Este método teve origem em estudos com macacos, evidenciando que a interação entre pares de idades aproximadas resulta em ganhos significativos no desenvolvimento social. A intervenção por reforço envolve instruir as crianças típicas a solicitar comportamentos sociais específicos da criança com autismo, reforçando suas respostas para aumentar sua frequência. Esse método pode usar instrução e reforço separadamente ou em conjunto, sendo um enfoque teórico comportamental. O terceiro tipo, intervenção por iniciativa, instrui os pares a tomarem a iniciativa nas interações, criando eventos para obter respostas sociais da criança-alvo. Esta abordagem mostra-se eficaz em promover comportamentos positivos. Os autores citam estudos mais recentes que destacam que a simples proximidade entre colegas de idades semelhantes pode não ser suficiente para crianças com 37 autismo, exigindo uma intervenção planejada e treinamento com os pares para alcançar os resultados desejados. A IMP mostra-se promissora para a inclusão de alunos com autismo, preenchendo lacunas na formação docente e oferecendo uma mudança de paradigma ao envolver colegas na mediação de habilidades. No entanto, é essencial considerar cuidadosamente o contexto e as características dos envolvidos na escolha e implementação da intervenção. Embora os autores destaquem a eficácia da IMP na promoção de habilidades sociais, aponta-se para a necessidade de estudos mais aprofundados sobre seu impacto no desenvolvimento acadêmico de alunos com autismo, especialmente na realidade brasileira, onde a pesquisa sobre o tema é escassa. Sua viabilidade de implementação no espaço escolar preenche uma lacuna no cenário da inclusão escolar nacional, colocando-a como uma alternativa importante. Para tanto, é necessário investigar como essa intervenção pode ser utilizada com os professores e alunos brasileiros, ajustando e adequando o protocolo utilizado nas pesquisas americanas para a realidade brasileira (Ramos et al., 2018, p. 13). Vecchia (2017) em sua dissertação intitulada "Práticas Pedagógicas no Ensino de Crianças com Autismo na Perspectiva da Educação Inclusiva: Um Olhar do Professor" apresenta uma análise histórica e teórica sobre a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto educacional brasileiro. A pesquisa destaca a relevância do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e explora a aplicação da teoria de Lev Vygotsky no desenvolvimento e aprendizagem dessas crianças. A introdução contextualiza a evolução da legislação brasileira, ressaltando que, apesar da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) ter sido estabelecida em 2008, a inclusão do autismo nas políticas públicas de educação ganhou maior destaque a partir de 2013, com a promulgação da Lei nº 12.764, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos 38 Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. As autoras apontam o caráter recente dessa atenção específica ao autismo, dentro de uma trajetória de mais de um século de história da educação especial no Brasil. A pesquisa se aprofunda na teoria de Vygotsky, que enfatiza o papel das relações sociais no desenvolvimento humano. A linguagem é destacada como um elemento crucial, especialmente para crianças com autismo, que muitas vezes enfrentam desafios nas interações sociais e na expressão verbal. O texto discute a importância da mediação, que pode ocorrer não apenas por meio da fala, mas também por instrumentos como computadores e atividades lúdicas. A autora destaca dois níveis de desenvolvimento segundo Vygotsky: o desenvolvimento real e o potencial, conectados pela zona de desenvolvimento proximal (ZDP). Esses conceitos são aplicados à prática educacional, enfatizando o papel do professor como mediador. O texto argumenta que, mesmo diante das dificuldades, os professores têm se empenhado em adotar práticas educativas inclusivas. As entrevistas realizadas com os professores fornecem estratégias pedagógicas adotadas. Destaca-se a ênfase na socialização inicial das crianças com autismo, antes de abordar questões de aprendizagem. Observa que, quando os professores reconhecem seu papel como mediadores e adaptam as práticas de acordo com as necessidades individuais das crianças, ocorre um avanço na aprendizagem. Pode-se observar que as professoras, ao assumir o papel de mediadoras, não apenas estão ali para mediar à cultura-criança, criança-cultura, mas no caso das crianças com autismo, para lhes apresentar muito além daquilo que talvez delimitassem que elas aprenderiam. Como já relatado, para que isso aconteça, é necessário escutar essa criança, saber seus interesses, entender que cada criança é única, mostrar que talvez para estas crianças matérias diferenciadas sejam necessárias para sua aprendizagem, atividades adaptadas e, para isso, a escola também precisa se adaptar, assim como o professor (Vecchia, 2017, p. 63). 39 Em conclusão, a dissertação apresenta uma abordagem abrangente e relevante sobre o desafio da inclusão de crianças com autismo no contexto educacional. A utilização da teoria de Vygotsky como embasamento teórico enriquece a análise, oferecendo uma perspectiva consistente sobre a importância das relações sociais e da mediação na educação inclusiva. Vecchia e Vestena (2020) apresentam uma nova pesquisa abordando a inclusão de crianças com autismo no contexto educacional, destacando a demanda crescente por práticas pedagógicas mais especializadas. Ao longo da introdução, as autoras revisaram estudos prévios sobre o tema, evidenciando as lacunas na formação docente e as dificuldades enfrentadas pelos professores na implementação efetiva da inclusão. A definição etimológica do termo "autismo" é apresentada, oferecendo uma base para compreender a caracterização do transtorno. As autoras então destacam estudos que analisaram a inclusão de alunos com autismo em diferentes regiões do Brasil, revelando desafios comuns, como a falta de preparo dos professores e a defasagem na escolarização. A revisão de literatura abrange pesquisas que exploraram diversas facetas da inclusão de alunos com autismo, desde a identificação dos alunos até as práticas pedagógicas e os desafios enfrentados. Os estudos mencionados apontam para questões relacionadas à formação docente, adaptação curricular, participação dos alunos em atividades escolares e influência dos professores na comunicação e aprendizagem das crianças com autismo. A metodologia adotada para a pesquisa é apresentada, destacando a abordagem qualitativa e descritiva. A autora destaca a importância de compreender as práticas pedagógicas dos professores do ensino fundamental regular em Guarapuava/PR que lidam com a inclusão de crianças com autismo. Sabe-se que, embora muitos estudos sobre desenvolvimento infantil tenham sido realizados, não se podem igualar todos os sujeitos, pois 40 cada criança é única. Quando se estuda o autismo, também não se pode comparar um ao outro, mesmo que o diagnóstico que lhes foi dado permita colocá-los no mesmo quadro. A partir deste estudo e da importância de se observar cada criança como sendo única em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem, percebe-se a importância do professor enquanto mediador da sala de aula em saber ouvir/ver essa criança e entender o seu modo de expressão, de comunicação e de aprendizado (Vecchia; Vestena, 2020, p. 15). As considerações finais retomam as principais conclusões da pesquisa, destacando o papel essencial dos professores como mediadores na inclusão de crianças com autismo. A análise à luz da teoria de Vygotsky ressalta a importância da mediação nas práticas pedagógicas, enfatizando a necessidade de ir além das questões burocráticas e adaptar as estratégias de ensino às necessidades individuais dos alunos. A pesquisa destaca o esforço de alguns professores em promover práticas pedagógicas diferenciadas, mas aponta a necessidade de mais estudos para identificar quais abordagens são mais eficazes na promoção da aprendizagem acadêmica dessas crianças. Em resumo, a pesquisa fornece uma visão abrangente e crítica sobre a inclusão de crianças com autismo no ambiente escolar, destacando a importância de práticas pedagógicas adaptadas e do papel ativo dos professores como mediadores no processo de aprendizagem. As diversas pesquisas analisadas abordam de maneira abrangente e crítica a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto escolar. Os estudos refletem sobre as práticas pedagógicas adotadas pelos professores, as dificuldades enfrentadas e os avanços obtidos nesse processo. A importância do conhecimento sobre as características do TEA para a adequada abordagem pedagógica é ressaltada, evidenciando a transformação de sentimentos iniciais de insegurança para confiança por parte dos educadores. Além disso, a adaptação de práticas, a conscientização sobre as necessidades específicas dos alunos e a busca por estratégias pedagógicas inclusivas são recorrentes nos estudos. 41 Os textos também destacam a relevância das bases legais que garantem a inclusão, enfatizando a necessidade de ultrapassar obrigações legais e cultivar um comprometimento ético por parte dos educadores. Diversas abordagens são exploradas, desde o ensino musical estruturado até a Intervenção Mediada por Pares, evidenciando a diversidade de estratégias necessárias para atender às particularidades dos alunos com TEA. A conclusão geral ressalta a importância do papel ativo do professor como mediador, adaptando práticas pedagógicas e promovendo uma educação inclusiva e de qualidade para todos os alunos, reconhecendo suas individualidades e necessidades específicas. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência prática no contexto educacional revelou-se como um ponto de partida inspirador para a escolha do tema "Práticas Pedagógicas e o Autismo" neste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Ao atuar como profissional da educação e vivenciar o desafio de trabalhar diretamente com um aluno autista, percebi a complexidade e a singularidade das demandas pedagógicas que essa experiência exigia. Ao longo de mais de um ano, essa jornada foi marcada por uma imersão profunda nas nuances das práticas pedagógicas voltadas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os desafios enfrentados e os aprendizados adquiridos foram fundamentais para o desenvolvimento deste trabalho, que se propõe a refletir sobre estratégias pedagógicas inclusivas. A pesquisa abordou, por meio da revisão bibliográfica, as barreiras enfrentadas pelos educadores na implementação de práticas inclusivas, destacando a falta de conscientização sobre a importância da inclusão e a carência de qualificação multiprofissional. Constatou-se que a parceria colaborativa entre professores, profissionais de saúde e famílias desempenha um papel crucial na criação de um ambiente de aprendizado acolhedor e produtivo para alunos autistas. 42 A reflexão sobre práticas pedagógicas abordadas neste trabalho visa promover a inclusão e o desenvolvimento acadêmico e social de crianças com TEA. A importância de ressignificar as abordagens pedagógicas para atender às necessidades específicas de alunos com autismo é o caminho necessário para a construção de uma educação mais inclusiva e igualitária. Diante do exposto, é evidente que a educação inclusiva para alunos com TEA requer um esforço conjunto de educadores, profissionais de saúde, famílias e sociedade em geral. A conscientização, formação contínua, adaptações pedagógicas e o reconhecimento da individualidade de cada aluno são essenciais para garantir uma educação de qualidade e inclusiva para todos. Espera-se que esta pesquisa não apenas compartilhe a jornada vivenciada, mas também inspire outros profissionais da educação a repensar e ressignificar suas práticas pedagógicas, visando a construção de ambientes educacionais acolhedores, respeitosos e promotores de aprendizagem e desenvolvimento para todos os estudantes, independentemente de suas características individuais. 43 7. REFERÊNCIAS BARBERINI, Karize Younes. A escolarização do autista no ensino regular e as práticas pedagógicas. Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento, [S. l.], v. 16, n. 1, 2018. 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