UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
ESTUDO DA PERCEPÇÃO DAS ATIVIDADES DE COORDENAÇÃO E
COMPATIBILIZAÇÃO DE PROJETOS DE EDIFICAÇÕES NOS
PROCESSOS TRADICIONAIS E NOS PROCESSOS BIM: O CASO DE
SÃO CARLOS (SP)
Gabriel Araujo Teixeira
São Carlos
2021
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
ESTUDO DA PERCEPÇÃO DAS ATIVIDADES DE COORDENAÇÃO E
COMPATIBILIZAÇÃO DE PROJETOS DE EDIFICAÇÕES NOS
PROCESSOS TRADICIONAIS E NOS PROCESSOS BIM: O CASO DE
SÃO CARLOS (SP)
Gabriel Araujo Teixeira
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Departamento de
Engenharia Civil da Universidade
Federal de São Carlos como parte dos
requisitos para a conclusão da
graduação em Engenharia Civil
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Sandra Regina
Mota Silva
São Carlos
2021
AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha família pelo apoio, dedicação e amor constantes
durante toda a minha trajetória acadêmica, profissional e pessoal. Em especial:
Aos meus pais, Ana Amélia, pelo exemplo de dedicação e afeto, que
fez com que eu nunca desistisse, e Pedro, pelo exemplo de integridade e
profissionalismo, me guiando pelo caminho muitas vezes incerto;
Aos meus irmãos, Daniele, pelo exemplo de determinação e
positividade, sempre me fazendo rir mesmo nos momentos mais difíceis, e Tiago,
pelo exemplo de disciplina e pela presença constante como companheiro de curso,
colega de quarto e amigo de vida;
Aos meus avós maternos: Antônio Luiz, pelos conhecimentos e
experiências transmitidos, que me foram algumas das maiores inspirações, e Maria
Amélia, pela amizade, brincadeiras e o amor incondicional; e paternos: João Luiz (in
memoriam), pelo apoio e orgulho direcionado a todos os filhos e netos,
principalmente nos estudos, com os ouvidos sempre colados no rádio aguardando
nossos nomes serem anunciados na lista de vestibulandos, e Julieta Maria (in
memoriam), pelo exemplo de serenidade, resistência e fé, e pela constante
companhia que tanto alegra os meus sonhos;
E à minha companheira, Marina, pela dedicação, carinho, disposição
constante em me ajudar no quer que eu precisasse, dentre outras incontáveis
contribuições, e ao Cookie, nosso cachorro, que nos acompanha em todos os
momentos e lugares.
Aos meus companheiros de república, em especial ao Hyago Taya,
Karl Perl, Fernando Fernandez, Marco Antônio Pereira, Felipe Berlinck, Ricardo
Sastre, André Miguel, Luiz Gustavo Freire, Pablo Vilaverde, Diego Korin, Guilherme
Marques, Renato Alves e Sérgio Camargo, que viveram tantas coisas ao meu lado
durante esses anos todos, sendo minha família nesta cidade.
À todos os colegas de curso, que aprenderam e sofreram junto comigo,
sempre com muita dedicação e união, e em especial aos amigos Pedro Almeida,
Guilherme Brentini, Felipe Andrade, Rafael Lavezzo, Bruno Perez e Thiago Klinke.
Aos demais amigos de São Carlos feitos ao longo do período da minha
vida que aqui vivi e que levarei para sempre, em especial Lorena Couto, Leonardo
Castro, Ana Luíza Gambardella, Kleber Yuji, Herivelto Macedo, Júlio Cardoso.
Aos amigos dos demais locais onde vivi, que apesar dos períodos
afastado, permaneceram sempre em pensamento e consideração e sem dúvidas
tiveram papel fundamental nesta conquista, em especial: Carlos Alencar, Rafael
Almeida, Lucas Martins, Ana Bárbara, Júlio Paiva, Nina Vieira, Danilo Prado,
Eduardo Cardoso, Lucas Ribeiro, Rodrigo Dutra e Giulia Bonagura.
À Associação de Engenheiros e Arquitetos de São Carlos, pelo auxílio
dado com os questionários, essencial para a elaboração do projeto.
À Universidade Federal de São Carlos e ao Departamento de
Engenharia Civil e seu corpo docente, pelo ambiente acolhedor de múltiplos
aprendizados. Em especial:
À Profª. Drª. Sandra Regina Mota Silva pela paciência e vontade de
ensinar, pelos inúmeros conselhos e, principalmente, pelas muitas horas dedicadas
à orientação deste trabalho;
Ao Prof. Dr. Douglas Barreto, por aceitar o convite para compor a
banca e pela ajuda junto à AEASC, que viabilizou a elaboração deste trabalho;
Ao Prof. Dr. José Neto, por aceitar o convite para compor a banca e
pelas contribuições tanto em aula, nas muitas disciplinas em que estivemos juntos,
quanto em conversas fora desses horários
Aos professores Sydney Furlan (DECIV), Katia Sakihama (DECIV)
Fernando Menezes (DECIV), Érico Masiero (DECIV), Wanderson Maia (DECIV),
Gustavo Madeira (DM), e tantos outros, cujas discussões e ensinamentos ainda
perduram e por muito perdurarão.
À Nancy e José Teixeira (in memoriam), pelo acolhimento em sua casa
no início da minha jornada nesta cidade e pelas palavras que tanto me ensinaram,
me mostrando que professores não largam o tablado mesmo após se aposentarem.
Enfim, a todos que tornaram mais leve este momento e todos os outros
que culminaram nele, meu mais profundo agradecimento.
RESUMO
TEIXEIRA, Gabriel Araujo. Estudo da percepção das atividades de coordenação
e compatibilização de projetos de edificações nos processos tradicionais e
nos processos em BIM: o caso de São Carlos (SP). Trabalho de Conclusão de
Curso – Centro de Ciências Exatas e de Tecnologias, Departamento e Engenharia
Civil, Universidade Federal de São Carlos, 2021.
Dentro do tema da gestão de projetos, o presente trabalho se propôs a investigar e
analisar a coordenação e a compatibilização de projetos de edificações, a partir de
dados e reflexões sobre as formas de procedimentos empregados nesses
processos. Primeiramente, como parte da Revisão Bibliográfica, foi realizada uma
pesquisa técnico-científica na literatura, buscando pesquisar os métodos e as
contribuições provenientes de modelos mais tradicionais de projetos e dos modelos
baseados nas modelagens que utilizam ferramentas BIM (Building Information
Modeling). O repertório decorrente desta revisão bibliográfica forneceu os subsídios
necessários ao levantamento, a ser realizado por meio de questionário/entrevista,
utilizando formulário Google, sobre as práticas e os procedimentos adotados por
empresas e escritórios das áreas de arquitetura e engenharia atuantes na cidade de
São Carlos (SP). O duplo caráter de investigações de cunho teórico e prático dessa
pesquisa visou comparar os modelos adotados a fim de compreender melhor o
cenário de projetos atual nessa região, bem como avaliar suas tendências,
identificando que a transição entre modelos de projeto está ocorrendo, mas ainda
em ritmo desacelerado, e que a visão dos profissionais em relação aos temas de
coordenação e compatibilização de projetos, tal como à qualidade dos produtos,
existe e é crescente.
Palavras-chave: Coordenação de projetos, Compatibilização de projetos, Pesquisa
de opinião, CAD, BIM.
ABSTRACT
TEIXEIRA, Gabriel Araujo. Estudo da percepção das atividades de coordenação
e compatibilização de projetos de edificações nos processos tradicionais e
nos processos em BIM: o caso de São Carlos (SP). Trabalho de Conclusão de
Curso – Centro de Ciências Exatas e de Tecnologias, Departamento e Engenharia
Civil, Universidade Federal de São Carlos, 2021.
Inside the theme of projects management, the present work had the purpose of
investigate and analyze building projects’ coordination and compatibilization, starting
from data and reflections about procedures shapes applied on these processes.
Firstly, as part of the Literature Review, it was made a research into technical and
scientific papers, searching for methods and contributions that uses traditional
models and modern models based in BIM (Building Information Modeling). The
repertoire due this research provided the necessary subsidy to build a practical study,
based on quizzes/interviews, using Google Forms, about practices and procedures
adopted by architecture and engineer companies that works at São Carlos (SP). This
work investigation’s double character, with theoretical and practical bases, tried to
compare the different methods to better understand the projects’ current scenery on
this region, as evaluate its tendencies, identifying that the transition between project’s
methods is occurring, instead of the low rhythm, and the professionals mindset about
the themes of project’s coordination and compatibilization, and also the quality of
their products, exists and is growing.
Key-words: Projects coordination; Projects compatibilization; Opinion research; CAD;
BIM
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 7
1.1 Justificativa ................................................................................................. 8
1.2 Objetivos .................................................................................................... 10
1.3 Estrutura do texto ..................................................................................... 10
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................................. 11
2.1 Projeto: Conceito e Processo .................................................................. 11
2.1.1 Qualidade no processo x Qualidade no produto .................................. 13
2.2 Processo de Projeto ................................................................................. 14
2.2.1 Coordenação de projetos ..................................................................... 15
2.2.2 Compatibilização de projetos ............................................................... 17
2.3 Métodos de Processo de Projeto............................................................. 18
2.3.1 Método de processo de projetos tradicional ........................................ 19
2.3.2 Método de processos de projeto em BIM ............................................ 20
2.3.3 Comparação entre os métodos de processo de projeto ...................... 24
3. MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................. 26
3.1 Levantamento Bibliográfico ..................................................................... 26
3.2 Método de Concepção das Entrevistas/Questionários ......................... 27
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ....................................................................... 32
4.1 Segmento A ............................................................................................... 32
4.2 Segmento B ............................................................................................... 34
4.3 Segmento C ............................................................................................... 38
4.3.1 Dados das Questões do Grupo C. ....................................................... 39
4.3.2 Dados das Questões do Grupo C.C. ................................................... 43
4.3.3 Dados das Questões do Grupo C.P. .................................................... 44
4.3.4 Dados das Questões do Grupo C.BIM ................................................. 45
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 50
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 52
APÊNDICES ............................................................................................................. 54
7
1. INTRODUÇÃO
A busca por produtividade e excelência vem se tornando consenso
entre empresas e profissionais das mais diversas áreas. As novas exigências de
mercado ocasionam uma competitividade cada vez maior e, na construção civil, essa
condição não é diferente.
A diversidade e complexidade cada vez maiores dos
empreendimentos, em conjunto à crescente exigência por parte dos clientes, geram
a necessidade de se buscar aprimorar a eficácia e a produtividade nos processos de
desenvolvimento de projetos.
Tal demanda ocasiona, portanto, um crescimento do interesse, tanto no
campo teórico, de se adotar novos referenciais como objeto de estudo, como no
campo das práticas, pela motivação direcionada a novas adaptações nos processos
de elaboração de projetos de edificações, especialmente em períodos de
transformações tecnológicas mais significativas.
Assim, pesquisadores e profissionais se esforçam para compreender
como se dão esses processos e sua gestão para, assim, serem capazes de produzir
reflexões sobre esse novo contexto e produzir propostas e soluções capazes de
articular modelos de atuação compatíveis.
Para Melhado (2005), como todo processo de produção, um melhor
aproveitamento do processo de projeto, necessita uma correta atividade de
coordenação. Dentro da atividade de coordenação, surge uma função que se torna
uma das mais importantes: a compatibilização dos projetos (AGESC, 2019). Isto é, a
análise e compreensão gerais das muitas disciplinas componentes de um projeto,
não só para que não sejam conflituosas, mas para que também se relacionem de
forma racional.
Mais recentemente, com as inovações no campo dos recursos
informacionais, Campos (2011) alega que os métodos utilizados para coordenar
estes processos vêm sofrendo uma série de mudanças recorrentes das
movimentações do mercado e inovações em tecnologia. É nesse contexto que se
inserem as ferramentas e metodologias utilizadas para auxiliar os processos de
projeto e as atividades descritas no parágrafo anterior, e que aqui serão estudadas:
CAD e BIM.
8
Nesse sentido, ao se reconhecer a importância e a relação das
atividades de coordenação e compatibilização de projetos, deve-se buscar entender
quais métodos têm sido aplicados e quais modificações vêm sofrendo diante de seus
possíveis desdobramentos e consequências.
A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou, em
outubro de 1995, a NBR 13.5311, que normatiza a elaboração de projetos de
edificações, trazendo conceitos pertinentes ao tema e recomendações sobre as
etapas constituintes de projetos.
Entretanto, apesar de indicar os componentes necessários para a
elaboração do projeto, é vaga em relação aos procedimentos necessários para a
execução dessas atividades. Para compreender melhor os métodos existentes,
serão estudados aqui manuais de associações de profissionais como a AGESC2 e
AsBEA3, onde esses procedimentos são indicados mais detalhadamente.
O presente trabalho visou observar as práticas efetivamente adotadas
por empresas/escritórios do ramo de engenharia e arquitetura na cidade de São
Carlos (SP), comparando-as entre si e em relação às práticas identificadas na
pesquisa realizada na literatura especializada.
Na análise, avaliação e sistematização desse conjunto de informações,
espera-se encontrar subsídios para contribuir na compreensão das práticas dos
profissionais atuantes no mercado, além de investigar as formas de adaptação aos
desafios advindos das novas ferramentas tecnológicas e informacionais de
modelagem de projetos e gerenciamento de dados.
1.1 JUSTIFICATIVA
As últimas décadas têm trazido novos desafios para todo o ciclo de
vida de uma edificação, desde o processo de concepção do produto, passando pela
elaboração de projetos, pela execução de obras, até a fase de uso, operação e
manutenção da edificação. Vale lembrar que, mais recentemente, vem sendo
discutido o acréscimo de uma etapa relativa ao desmonte da edificação, dentro de
1 NBR 13.531:1995 – Elaboração de projetos de edificações – Atividades técnicas
2 AGESC - Associação Brasileira dos Gestores e Coordenadores de Projetos.
3 AsBEA - Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura.
9
uma perspectiva de maior sustentabilidade, contemplando a reciclagem e o reuso de
materiais da construção civil.
Nesse cenário, o mercado vem exigindo melhor desempenho no
quesito produtividade, impondo prazos cada vez menores e reduções de custo, e por
outro lado uma qualidade cada vez maior do produto final. Desta forma, é
imprescindível que, tanto as esferas de concepção, projetos e execução de obras, e
até mesmo a indústria da construção civil, se adequem frente às novas exigências e
desafios impostos por tal realidade.
No contexto das atividades de coordenação e compatibilização de
projetos de edificações, o BIM vem se mostrando uma alternativa com potencial para
integrar projetos de forma quase simultânea. Não tão somente uma alternativa, mas
seu uso vem sendo incentivado por órgãos, comissões e profissionais da área, como
no Decreto Nº 9.377 (BRASIL, 2018), que instaura a “Estratégia BIM BR”, e mais
recentemente o Decreto 10.306 (BRASIL, 2020), que institui a “Estratégia Nacional
de Disseminação do BIM”, ambos com intuito de difundir a metodologia no país e
que, apesar de não ser alvo de estudo deste trabalho, tem potencial de ingressar em
discussões futuras. Por outro lado, há um conjunto de fatores que impedem a
repercussão maciça do BIM entre os diferentes setores da construção civil.
Assim, o presente trabalho se propôs a investigar as formas de
atuação, teórica e empiricamente, das atividades de coordenação e compatibilização
de projetos segundo os métodos tradicionais e BIM, na expectativa de contribuir na
identificação das dificuldades para o aprimoramento dos procedimentos para a
qualificação dos processos de projeto.
Vale mencionar que, como métodos tradicionais, estão sendo
considerados os projetos que utilizam recursos como planilhas eletrônicas, relatórios
e representações gráficas do tipo CAD (Computer Aided Design), dentre outros, que
caracterizam insumos que, na sua origem, não configuram um sistema informacional
articulado de dados, informações e modelagens.
O cenário do Município de São Carlos foi escolhido como objeto de
estudo por se tratar de um forte polo tecnológico e acadêmico devido à presença de
duas grandes universidades: a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e a
10
USP (Universidade de São Paulo), cujos ex-alunos acabam por muitas vezes se
instalando profissionalmente na cidade.
1.2 OBJETIVOS
Compreender as formas e procedimentos de atuação das
empresas/escritórios de engenharia e arquitetura atuantes no Município de São
Carlos (SP) em relação à coordenação e a compatibilização de projetos.
1.3 ESTRUTURA DO TEXTO
Seguindo a ordem metodológica adotada, os primeiros capítulos do
trabalho visam apresentar conceitos pertinentes ao tema do trabalho. O Capítulo 2.1
trouxe uma breve introdução ao tema, apresentando inicialmente a revisão
bibliográfica realizada e os tópicos que serão trabalhados.
O Capítulo 2.2 aborda as definições de projeto e como se dão seus
processos, destacando sua importância dentro de um contexto geral que vai da
concepção do produto (edificação) até sua execução e uso. Além disso, visa
conceituar qualidade relacionando a qualidade do processo de projeto com a
qualidade do produto, acentuando essa interdependência. O Capítulo 2.3 aborda a
coordenação e a compatibilização de projetos como atividades pertinentes ao
processo de projetos e essenciais para obtenção dessa qualidade.
Por último, o Capítulo 2.4 conceitua e explica os métodos de
elaboração de projetos na forma mais tradicional (CAD) e em BIM, metodologia mais
recente, trazendo a compreensão de como devem ser corretamente desenvolvidos
cada processo de projeto e comparando-os brevemente.
Por fim, levando em consideração os métodos de elaboração de
projetos estudados e as práticas reais adotadas, levantadas por meio das
entrevistas, pretende-se obter subsídios para elaborar os Capítulos 4 e 5 abordando
constatações, além das Considerações Finais.
11
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 PROJETO: CONCEITO E PROCESSO
De acordo com o a AGESC (2019), a elaboração de um projeto é
necessidade básica para o bom desenvolvimento do empreendimento. É claro que a
presença de um projeto não garante por si só a qualidade do produto final.
Entretanto, sua ausência compromete drasticamente os resultados esperados
(AGESC, 2019). Para Oliveira (2005), a correta elaboração do projeto dá ao
profissional ainda uma forte vantagem competitiva.
A NBR 13.531 (ABNT, 1995, p. 2) define projeto de edificações como a
“determinação e representação prévias dos atributos funcionais, formais e técnicos
de elementos de edificação”. Diz ainda que, para a elaboração de um projeto, devem
ser consideradas uma série de atividades técnicas. Ao relacionar as diversas etapas
contempladas no processo de elaboração de projeto, a NBR 13.531 estabelece as
sucessivas partes integrantes das atividades técnicas do projeto de edificação,
conforme segue:
• Levantamento (LV);
• Programa de Necessidades (PN);
• Estudo de Viabilidade (EV);
• Estudo Preliminar (EP);
• Anteprojeto (AP) e/ou Pré-execução (PR);
• Projeto Legal (PL);
• Projeto Básico (PB);
• Projeto para Execução (PE).
Apesar de se aplicarem mais precisamente à elaboração de projetos
arquitetônicos, os demais projetos complementares (estrutural, instalações prediais
etc.) também passam por processo semelhante dentro de cada disciplina e, também,
entre cada uma delas, o que destaca o caráter multidisciplinar dos projetos.
Reforçando tal característica, a publicação dos Manuais de Escopo de Projetos e
Serviços da AGESC conta com quatorze publicações, cada uma voltada a uma
12
disciplina específica. Nelas, o processo de projeto é dividido em seis fases, sendo
elas:
1. Fase A: Concepção do produto;
2. Fase B: Definição do produto;
3. Fase C: Identificação e solução de interfaces;
4. Fase D: Projeto de detalhamento das especialidades;
5. Fase E: Pós-entrega do projeto;
6. Fase F: Pós-entrega da obra.
A cada uma dessas fases corresponde diferentes agentes integrantes,
tais como os projetistas, os contratantes, dentre outros, com suas respectivas
responsabilidades específicas. Ao final do processo, esse conjunto de fases deve
garantir o cumprimento das etapas exigidas pelo arcabouço normativo (AGESC,
2019).
O sequenciamento presente no processo de projeto torna evidente a
interdependência entre suas etapas, e que têm como objetivo a obtenção do produto
final. Esse processo se resume no trabalho conjunto de profissionais para
identificação da natureza do problema, desenvolvimento de soluções e a
transferência destas soluções para o cliente (EMMITT, 2007).
Portanto, a definição de projeto não se priva unicamente da elaboração
e entrega de pranchas de desenho e memoriais de cálculo e descritivos (MELHADO,
2005). O processo de projeto se subdivide na compreensão dos diversos fatores
integrantes.
Neste sentido, observa-se que o projeto, tal como seu processo de
elaboração, são pontos fundamentais para obtenção, ou não, de um bom produto
final. Dessa forma, mostra-se essencial a promoção de determinados procedimentos
que assegurem as condições para obtenção de qualidade em todas as fases do
processo de projeto.
Para Heldman (1996), a origem de um projeto surge da necessidade de
obtenção de algo almejado. No campo da construção civil, de forma geral, os
projetos de edificações surgem da necessidade de construir, seja por interesses
13
individuais ou coletivos. Portanto, faz parte de uma ação de projeto, que haja um
esforço temporário, proveniente de demanda pontual e necessária, empreendidos
para a concretização de determinado produto previamente idealizado (VARGAS,
2005).
Esta demanda pontual, iniciada por um agente interessado e que
muitas vezes necessita de orientação especializada para se tornar mais concreto, é
o que marca o nascimento do que virá a constituir o projeto. Este agente
demandante, no contexto aqui estudado, denomina-se cliente. O cliente não se trata,
necessariamente ou exclusivamente, do indivíduo ou grupo que contrata por um
serviço profissional, mas sim das partes interessadas deste serviço e que, em algum
nível, se beneficiarão com ele.
A demanda de consumo e produtividade da sociedade atual faz com
que a exigência, por parte dos clientes, de níveis de serviço e produtos cada vez
melhores geram a necessidade de melhoria contínua nos meios de elaboração e
controle de processos. Com o incremento de ferramentas, cada vez mais
inovadoras, o mercado vem aumentando a competitividade. Nesse modelo de
produção e consumo, empresas e profissionais devem se moldar no intuito de
acompanhar estas mudanças e aumentar sua produtividade, ou seja, produtos
melhores, menores prazos e menores custos (CAMPOS, 2011).
2.1.1 Qualidade no processo x Qualidade no produto
Dentro de uma visão mais linear, imediatista e simplificada, produzida
no início dos anos 1990, para Juran e Gryna (1991), o conceito de qualidade existe
única e exclusivamente atrelado à presença de um cliente ao qual o produto é
direcionado, visto que é por meio da validação deste que se qualifica o objeto.
Duas décadas após, ao discutir a qualidade no projeto de edifícios,
Fabricio e Ornstein (2010) argumentam de uma forma mais abrangente, que o
conceito de qualidade é dinâmico, de modo a ser considerado em cada etapa do
empreendimento, pelos respectivos agentes envolvidos, tornando a qualidade global
do empreendimento relativa à essa diversidade de distintas perspectivas.
Nesse sentido, discutir qualidade do produto abre margem também
para se discutir qualidade do processo. As diferentes etapas do processo, que têm
14
como objetivo final a obtenção do produto, estão correlacionadas nas duas
diferentes frentes e precisam ser desenvolvidas respeitando estas correlações
garantindo que existam de forma harmoniosa e coesa.
Ou seja, o conceito de qualidade depende da conformidade do produto
com as especificações atribuídas a ele, que, por sua vez, dependem das
necessidades específicas das partes interessadas. E do ponto de vista do processo
de projeto, a qualidade total é dependente das etapas do processo de projeto e deve
“ser perseguida ao longo das fases de maturação do projeto”
(FABRICIO;ORNSTEIN, 2010, p. 9).
Portanto a qualidade deve ser buscada pelos projetistas por meio de
uma análise crítica das necessidades específicas dos clientes a fim de que se
elaborem soluções viáveis que as contemplem (MELHADO, 1994). Esta
característica evidencia, sobretudo, um caráter de compreensão das necessidades
humanas, a fim de satisfazer as necessidades do cliente (CARVALHO, 2012).
Retomando a ideia da importância da elaboração do projeto, ainda se
atentando ao fato deste não ser garantia por si só da qualidade do produto, no
contexto aqui discutido, é possível levantar as seguintes questões: a qualidade do
projeto implica em uma qualidade superior no produto? Se sim, como garantir a
qualidade do projeto?
2.2 PROCESSO DE PROJETO
O processo de elaboração de projetos é composto por etapas
sequenciadas, conforme comentado no Capítulo 2. Entretanto, cada etapa é parte
de um todo indissociável e interdependente, trazendo um conjunto de desafios para
obtenção de resultados almejados. Tendo em vista a complexidade do processo de
projeto, se mostram imprescindíveis duas modalidades de atuação, que são os
principais objetos de estudo do presente trabalho: a coordenação e a
compatibilização dos projetos.
Tais atividades demandam um conjunto de capacitações que envolvem
diversos aspectos, desde conhecimentos técnicos gerais de projeto e específicos
das diversas áreas de atuação, até habilidades mais específicas, como a gestão dos
recursos humanos, dos diferentes agentes e equipes envolvidas, da fluidez na
15
comunicação, da participação articulada de todos os integrantes, dos prazos e da
percepção e previsão de demandas futuras.
2.2.1 Coordenação de projetos
Para Melhado e Nóbrega Junior (2013), as funções de coordenação de
projeto são fundamentais para garantir sua correta execução, e exigem dos
profissionais que as exercem diversas características que englobam desde o bom
relacionamento com o cliente ao papel de liderança para lidar com as equipes, além
dos conhecimentos técnicos e multidisciplinares, relacionados ao objeto projetado.
Melhado (2005) define coordenação de projetos como “o conjunto de
ações envolvidas no planejamento, organização, direção e controle do processo de
projeto”. Para o autor, a coordenação se mostra atividade essencial para o correto
desenvolvimento dos projetos de cada disciplina. É esta atividade que viabiliza as
soluções adotadas em cada uma delas de forma que concordem, complementem e
conversem com as demais.
O caráter multidisciplinar dos projetos, atrelado a uma grande
diversidade deles, torna a atividade de coordenação algo complexo. Carvalho (2012)
exemplifica tal complexidade ao discorrer sobre a elaboração de projetos
hospitalares. As necessidades extremamente específicas para edificações desse
tipo exigem grande aprofundamento dos profissionais de cada disciplina.
A coordenação dos projetos tem papel fundamental para a qualificação
do processo, e as funções do coordenador devem ser estabelecidas
preliminarmente, em decisão conjunta entre contratante e demais equipes
integrantes.
Realizada a concepção inicial do produto, os estudos de viabilidade, o
Plano de Necessidades específicos do projeto, compreende-se e identifica-se as
“especialidades, qualificações e escopos a contratar” (AGESC, 2019, p. 10) a fim de
concebê-lo. Assim é possível determinar e dimensionar as equipes que farão parte
do seu desenvolvimento, levantando-se uma relação de recursos necessários.
Ainda segundo a AGESC (2019), com as equipes formadas, é
necessária a definição de um cronograma de atividades a serem realizadas,
determinada por meio de reuniões onde haja interação interdisciplinar e que se
16
baseiam no prazo de entrega exigido pelo contratante. A quantidade de reuniões até
que estejam definidos os detalhes varia em relação ao tamanho e nível de
complexidade e detalhamento do projeto.
Definidos os procedimentos básicos e detalhes técnicos necessários ao
projeto, deve-se, ainda, estabelecer os meios de comunicação e o fluxo de
informações entre as os agentes envolvidos, a fim de evitar distorções na
sincronicidade e “garantir a rapidez, confiabilidade e rastreabilidade do processo de
projeto”. O documento também ressalta a importância de se definir “padrões e
procedimentos adotados nos empreendimentos para geração de trocas de
informação”, com o intuito de facilitar a interlocução entre os agentes participantes
(AGESC, 2019, p. 52).
As soluções adotadas em cada uma das equipes devem ser
documentadas, visando, posteriormente, garantir um melhor detalhamento daquilo
que foi definido e, eventualmente, ao longo do processo de maturação de um
projeto, daquilo que for alterado. A título de exemplificação, o detalhamento de um
projeto deve constar das pranchas de desenho e serem compatíveis e referenciadas
nos memoriais descritivos e de cálculo.
Neste sentido, as ferramentas utilizadas devem ser intensamente
exploradas e explicitadas, caracterizando um encadeamento coerente de tomada de
decisões entre as equipes. É interessante notar que por si só, a definição das
ferramentas adotadas possui grande impacto na forma de se conduzir o processo de
elaboração dos projetos. Ao se optar por ferramentas mais tradicionais que utilizam
CAD, as informações devem ser inseridas de forma mais manual, dependendo
principalmente da atenção, cuidado e detalhamento do usuário. Já ao se optar pelo
uso de metodologias BIM, as ferramentas possuem maior autonomia na gestão
destas informações, ainda que não exima em nenhum grau a responsabilidade e a
atenção por parte do usuário.
Nesse processo complexo e criativo, é função da coordenação de
projetos acompanhar sua validação após a realização das análises e revisões por
parte dos especialistas a fim de aprová-los, e liberá-los para as fases subsequentes,
e ainda acompanhar a aprovação frente aos órgãos competentes. As soluções
adotadas e os produtos intermediários dos projetos devem ser, ainda, analisados e
discutidos de forma crítica entre os componentes das equipes (AGESC, 2019).
17
Em um processo de elaboração de projeto, além dos conhecimentos
técnicos, a atividade de coordenação demanda outras habilidades relevantes, tais
como a gestão de recursos humanos, gestão do cronograma, observando o tempo
dispendido para realizar as atividades necessárias, gestão e compreensão das
ferramentas utilizadas, dentre outras. Assim, assegura-se a compatibilidade entre as
soluções definidas pelas várias áreas que constituem o projeto e o controle do fluxo
de informações entre os projetistas. Desse modo, a coordenação depende de uma
compreensão holística do processo a fim de possibilitar a identificação e resolução
de problemas de forma rápida, precisa e eficiente (AGESC, 2005).
2.2.2 Compatibilização de projetos
A compatibilização entre os diversos projetos ou áreas do projeto é o
que garante coerência entre os subsistemas (MANNESCHI, 2011). Para Borbroff
(1999) apud Fabricio e Ornstein (2010), para garantir a qualidade do projeto é
necessário que haja qualidade no trabalho cooperativo realizado entre os demais
agentes envolvidos no processo.
Apesar de apresentar o processo de sequenciamento de
desenvolvimento de projetos, a Norma Brasileira não especifica, explicitamente, os
momentos em que devem ser realizadas compatibilizações, sugerindo que sejam
realizadas ao longo destas etapas.
Assim, a etapa de compatibilização muitas vezes é deixada de lado.
Melhado (1994) afirma que a sua não realização ou ainda sua realização incorreta
pode ocasionar problemas no momento da execução, gerando custos extras não
somente por conta do retrabalho, como por desperdícios provenientes de erros não
solucionados previamente.
O fluxo de informação entre os projetistas deve existir de forma
constante a fim de tornar a atividade de compatibilização um processo que se
desenrola de forma natural.
Entretanto, segundo Melhado (2005), a realidade nesse universo se
encontra em um caminho contrário. O autor afirma que, geralmente, os responsáveis
pela elaboração de cada disciplina atuam individualmente, e a comunicação entre
eles quase não ocorre.
18
A compatibilização dos projetos e suas diferentes frentes não é uma
atividade única que deve se dar em um ou alguns momentos específicos do seu
processo de desenvolvimento. Pelo contrário, deve ser um processo constante,
passível de especial atenção do coordenador.
Nesse sentido, as ferramentas de modelagem BIM facilitam um
processo de compatibilização constante, visto que possibilita troca de informações,
inserção de detalhes e a verificação de interferência entre diferentes frentes em
tempo real. Mas mesmo na utilização de modelos tradicionais, o contato frequente
entre equipes de diferentes frentes e, principalmente, a atenção especial por parte
dos integrantes de cada equipe com as soluções adotadas deve ocorrer a todo
momento.
O papel principal da compatibilização de projetos é manter uma
coerência durante todas as etapas de projeto de forma que conversem entre si de
maneira coesa, a fim de garantir o menor número de modificações após aprovação.
2.3 MÉTODOS DE PROCESSO DE PROJETO
O decorrer do processo de elaboração de projetos é função de diversas
variáveis. As empresas de projeto apresentam, na sua maioria, e sobretudo as de
pequeno porte, que normalmente se especializam em uma ou algumas disciplinas
específicas constituintes de um projeto, processos internos próprios e que dificultam
a sua unificação e padronização.
Entretanto há, por parte de associações de profissionais e
pesquisadores, uma preocupação quanto à padronização dos processos de
elaboração de projetos que culminam em publicações, muitas vezes no formato de
guias e manuais, que auxiliam os profissionais atuantes nessa área de gestão.
Nos tópicos a seguir serão abordados aspectos direcionais, estudados
principalmente nestes guias e manuais, com foco em explicitar a importância do
correto uso das ferramentas de projeto e da comunicação além de explicar o papel
dos profissionais responsáveis pela coordenação e compatibilização de projetos,
explicados no capítulo anterior, dentro do fluxo dos processos tradicionais e em BIM.
19
2.3.1 Método de processo de projetos tradicional
No Brasil, o processo de projeto de edificações é realizado
tradicionalmente no modelo CAD (Computer Aided Design), por meio de softwares
2D para a elaboração de representações gráficas nas quais as informações são
inseridas manualmente pelo projetista.
O AutoCAD, programa mais recorrente e reconhecido, tais como outras
ferramentas CAD, possibilitam interfaces integradas a um conjunto de programas e
recursos, tais como geoprocessamento, planilhas eletrônicas, programas de
desenho 3D, dentre outras.
Segundo a AsBEA (2002, p. 3), apesar de difundido já há alguns anos,
as ferramentas CAD ainda são utilizadas “só como instrumento de desenho e não
como uma ferramenta fantástica para integração e compatibilização das diversas
especialidades de projeto”, desprovidas de recursos que favoreçam a articulação
geral dos diferentes tipos de dados e documentos que vão sendo gerados ao longo
do processo de projeto.
A utilização de critérios e parâmetros internos e específicos de cada
empresa/escritório dificulta ainda mais a constituição de padrões capazes de
promover interações articuladas entre as equipes. Com o intuito de superação dessa
desagregação, nas “diretrizes gerais para intercambialidade de projetos em CAD”, a
AsBEA sugere a adoção de uma padronização na base de dados das diferentes
equipes integrantes do projeto, cuja função deve ser assumida pela coordenação
geral de projetos (AsBEA, 2002).
A padronização não deve se ater somente às ferramentas de auxílio de
desenho, cálculo e memorial e suas configurações, mas também das ferramentas
utilizadas para o fluxo de informações e comunicação, para que as equipes se
mantenham constantemente atualizadas do andamento do projeto e de eventuais
alterações (AGESC, 2019).
Cabe, portanto, ao coordenador não somente as definições prévias, em
conjunto com as demais partes interessadas, de padronização de ferramentas e
fluxos, como também o acompanhamento da implantação destes.
20
Em relação aos arquivos de desenho, a AsBEA (2002) especifica que
deve haver uma base de dados balizadora para todas as especialidades do projeto,
com padronização de coordenadas, escalas, layers, e mesmo folhas de desenho,
estas que somente são disponibilizadas ao cliente em formato não editável ou
impresso.
A gestão do tempo despendido para a realização das pranchas de
desenho também é importante para o sequenciamento do processo, e varia de
acordo com o seu nível de detalhamento. É necessário colaboração e
comprometimento entre as equipes para que as informações oriundas do
desenvolvimento de cada etapa se mantenham constantemente atualizadas,
cabendo ao coordenador acompanhar este posicionamento.
Por se tratar de um processo que depende internamente de diversos
setores, a compatibilização neste formato tradicional, apesar de utilizada de maneira
recorrente há algumas décadas, apresenta algumas deficiências em função do
tempo demandado e da suscetibilidade de erros.
Esta compatibilização é feita, de forma geral, com base em análise
visual das frentes de projeto, atentando-se à interferência entre as soluções
adotadas para cada uma, devendo ser realizada por profissional que tenha contato
próximo com as diferentes especificidades do projeto em questão, podendo ou não
ser o próprio coordenador.
Neste momento se mostra muito importante a experiência do(s)
responsável(is) pela compatibilização e o conhecimento técnico que possui(em) nas
diferentes disciplinas. Além disso, é importante também que a coordenação entre as
frentes de projeto tenha sido realizada de forma fluida e constante.
A incompatibilidade pode ocorrer devido à falta de comunicação nas
fases anteriores ou mesmo devido a erros pontuais, sendo função do responsável
pela compatibilização detectá-los e, do responsável pela coordenação, evitá-los.
2.3.2 Método de processos de projeto em BIM
Na última década tem se buscado e expandido a adoção de novas
ferramentas baseadas na constituição de um modelo único de projeto, baseado nos
21
recursos BIM (Building Information Modeling), trabalhando não somente com os
recursos gráficos, mas também com gerenciamento de dados.
A ferramenta visa diminuir os custos de elaboração de projetos e
melhorar a vida-útil das obras, facilitando o planejamento do produto, já que pode
ser desenvolvido de tal forma que todas as frentes de projeto são desenvolvidas
sobre um único modelo.
Na metodologia de processo de projeto do guia das boas práticas em
BIM, produzido pela AsBEA (2013), são especificados dois papéis fundamentais: os
relacionados ao projeto e os de gestão da informação. A depender do tamanho do
escritório e das exigências do caso em questão, um mesmo profissional pode
exercer ambas as atribuições.
As funções de projeto são referentes à elaboração dos modelos e da
compatibilização entre as frentes. As funções de modelagem devem ser distribuídas
aos profissionais responsáveis de acordo com seu nível de conhecimento técnico e
ferramental, diante da complexidade do modelo em questão. Nesse caso, as funções
de compatibilização podem ser desempenhadas por todos os profissionais que
tenham acesso de edição ao modelo (AsBEA, 2013).
Já as funções de gestão de informação, são referentes às funções de
coordenação geral do modelo que abrangem, além da customização geral do
modelo, o desenvolvimento de bibliotecas e o controle de dados, conforme
relacionado pelo guia da AsBEA (2013), a seguir.
• Funções de customização: referentes às adaptações dos padrões e
configurações da ferramenta para se adequar às padronizações da
empresa, como linhas, objetos, materiais, dentre outras;
• Funções de desenvolvimento de biblioteca: referente à configuração
dos objetos e componentes paramétricos que serão adotados no
modelo, de acordo com as especificações do projeto, definidas pelo
coordenador geral do modelo;
• Funções de controle de dados: verificação da correta inserção dos
dados dentro do modelo para possibilitar a extração de quantitativos e
listas acuradas.
22
As funções de coordenação geral do modelo englobam diversas
responsabilidades, notadamente “orquestrar a gestão dessa construção virtual”
(AsBEA, 2013, p. 11). Portanto, cabe ao profissional nesta posição participar de
forma ativa das definições relativas ao projeto e do acompanhamento e garantia da
correta implantação dessas definições no desenvolvimento do modelo.
O Fascículo II do guia da AsBEA (2015) cita que, além das
especificações e requisitos técnicos do projeto, devem ainda ser definidos dois
fatores, específicos do processo de projeto em BIM: o nível de desenvolvimento do
modelo (LOD4) e o nível de detalhamento das informações contidas nos elementos
(LOI5), e devem ser, preferencialmente, definidos a nível de componente do projeto.
Para possibilitar que o processo de projeto seja factível, utilizando esse
tipo de ferramentas, é necessária definição prévia e alinhamento entre as
informações e as capacidades técnicas dos envolvidos (AGESC, 2019). Ainda de
acordo com essa Associação, o “coordenador do projeto deve administrá-lo de modo
general ‘manager’”.
A AsBEA (2015) descreve três situações de intercâmbio de
informações possíveis no modelo de processo de projetos em BIM:
• Informações instantâneas, onde os profissionais trabalham on-line,
sobre um modelo de projeto único;
• Modelos federados, onde os responsáveis em cada disciplina
trabalham também on-line, porém sobre um modelo próprio, vinculado
a um modelo único central;
• Também no formato de modelos federados, porém, nesse caso, os
responsáveis pelo desenvolvimento de cada disciplina devem fazer
upload das informações em servidores de hospedagem, onde os
demais profissionais têm acesso.
O primeiro modelo é o de um cenário ideal, porém depende de
conexões de rede e hardwares de grande desempenho, o que o inviabiliza, em vias
4 Level of Development: referente à identificação do conteúdo requerido e seus usos autorizados.
5 Level of Information: referente ao nível de informações do componente, sendo um conteúdo não gráfico.
23
gerais, no Brasil. De fato, o modelo mais utilizado no país, por enquanto, é o último e
o menos recomendado (ASBEA, 2015).
O fato de depender de constantes uploads por parte dos responsáveis
pelas disciplinas assemelha este último método aos métodos tradicionais em CAD já
citados, onde falhas na comunicação ocasionam defasagem entre as informações.
Nesse caso, para contornar tais fragilidades, o guia da AsBEA (2015) sugere que
sejam feitas checagens, que têm como intuito básico a verificação de erros de
inserção de dados e, como último nível, a checagem de interferências do modelo,
que corresponde à atividade de compatibilização das frentes de projeto. Tal
checagem deve ser realizada de forma frequente, durante todo o desenvolvimento
do modelo, pelos responsáveis de cada frente. Entretanto, é recomendado que haja
um responsável por uma compatibilização geral ao fim de cada etapa do fluxo de
projeto (AsBEA, 2015)
A aplicação destes recursos ainda não é uma realidade no Brasil,
segundo Fabricio (2007). O baixo nível de conhecimento da ferramenta por parte dos
profissionais da área, a falta de disponibilidade do maquinário necessário para sua
utilização, dentre outros motivos, são fatores que ocasionam essa situação, segundo
a AsBEA (2013).
Ainda de acordo com a AsBEA (2013), para o desenvolvimento da
elaboração de processos em plataforma BIM no Brasil depende, além de uma forte
reestruturação das empresas da área, de profissionais que estejam dispostos a sair
da zona de conforto, recomendando um plano de implementação. Alega, também,
que o conhecimento técnico no uso da ferramenta de BIM não assegura a eficácia
de um projeto. Além disso, os profissionais envolvidos neste processo necessitam
dos mesmos conhecimentos técnicos nas especialidades nas quais atuam para
garantir que haja qualidade do produto.
Os requisitos para a elaboração de processos de projeto em BIM são,
além de muitos, no contexto técnico-tecnológico atual em que o país se encontra,
ainda escassos. Entretanto, o desenvolvimento de projetos em BIM pode
proporcionar, quando utilizado com todo potencial que esta ferramenta dispõe, uma
simultaneidade de ações que os processos tradicionais não proporcionam.
24
2.3.3 Comparação entre os métodos de processo de projeto
Os métodos de processo de projeto possuem premissas básicas
similares e concordantes. Ambos existem com o intuito de garantir ao produto final a
qualidade exigida pelas partes interessadas e pelas normas vigentes.
Pode-se afirmar que não existe, necessariamente, uma formação
específica exigida aos profissionais que venham a desempenhar as funções de
coordenação e/ou compatibilização de projetos, lembrando que são atividades que
não precisam ser exercidas pelo mesmo profissional. Entretanto, são atribuições que
demandam um bom nível de conhecimento técnico nas áreas de interesse e nas
ferramentas adotadas para desenvolvimento do projeto, possibilitando analisá-lo de
forma integrada e articulada, como objeto único.
Percebe-se, ainda, em ambos os processos, a importância de um fluxo
de informações ágil e confiável a fim de evitar que equipes distintas possuam em
mãos versões desatualizadas de documentos referentes ao projeto, o que gera
assincronicidade no desenvolvimento e pode gerar retrabalho.
Neste sentido, os métodos tradicionais possuem características que
podem dificultar a comunicação de dados em tempo real, já que as ferramentas
comumente aplicadas não possuem atualizações automáticas e, ainda que seja
utilizado um serviço de nuvem, é necessário a ação do usuário para que as
alterações sejam salvas e transmitidas.
As ferramentas BIM, por sua vez, possibilitam atualizações simultâneas
e em tempo real sobre os modelos, ainda que esta opção exija hardwares de alto
desempenho, dependendo de outros fatores além do ferramental, como fatores
financeiros e de aporte tecnológico das empresas, escritórios e profissionais
envolvidos.
No contexto da compatibilização entre as disciplinas envolvidas em um
projeto, os modelos em BIM possibilitam um acompanhamento e checagem de
interferências de forma mais visual e facilitada, quando aplicado de forma correta,
principalmente pelo potencial de serem feitas de forma agilizada e durante todo o
fluxo de projeto.
25
Cada método possui características que exigem dos profissionais
conhecimentos específicos das ferramentas. A escolha de um ou de outro deve ser
tomada de forma muito consciente por parte dos interessados, pois dependem de
diversos fatores e trazem consequências diretas ao produto final. De toda maneira a
passagem de transição de um ferramental a outro traz importantes desafios ao setor
de projetos na construção civil.
Na sequência, esse trabalho inicia a etapa de análise de resultados a
partir de pesquisa realizada com profissionais e empresas desse segmento na
cidade de São Carlos (SP).
26
3. MATERIAIS E MÉTODOS
A fim de comparar os modelos e as formas de procedimentos nos
processos de projeto, é necessário primeiramente compreendê-los. Partindo desse
pressuposto, o presente trabalho se baseou em dois eixos, seguindo metodologia
similar à adotada por Permonian (2016):
1) Investigação e pesquisa teórica das formas de atuação para cada
método de processo de projetos, por meio de revisão bibliográfica do
tema; e
2) Investigação e pesquisa sobre as práticas adotadas por
empresas/escritórios de projeto, por meio da elaboração e aplicação de
questionários para posterior análise.
Dessa forma, a presente pesquisa se trata de uma pesquisa
documental, que utiliza como método específico o levantamento e é classificada
como questionário, seguindo Gil apud.Permonian (2016) As etapas metodológicas
de pesquisa estão ilustradas por meio do esquema gráfico da Figura 1.
Figura 1. Esquema gráfico das etapas da pesquisa.
Fonte: autoria própria, 2021.
3.1 LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO
Inicialmente foram estudados e discutidos os processos de elaboração
de projeto pelos métodos em BIM a partir de pesquisa bibliográfica, principalmente
27
em manuais e artigos científicos da área, a fim de obter subsídios para compreender
as formas de atuação na etapa de desenvolvimento de projetos, especialmente nas
atividades de coordenação e compatibilização.
3.2 MÉTODO DE CONCEPÇÃO DAS ENTREVISTAS/QUESTIONÁRIOS
Neste eixo, por meio de entrevistas realizadas com
empresas/escritórios do ramo da construção civil, no universo de atuação da cidade
de São Carlos (SP), pretendeu-se reconhecer as práticas difundidas no mercado
local, comparando-as com as contribuições provenientes das pesquisas teóricas
metodológicas presentes na literatura.
Para isso, foram entrevistadas empresas/escritórios de engenharia
e/ou arquitetura, a fim de compreender os métodos de processo de projeto aplicados
no mercado e como se dá sua aplicação na prática.
A definição dos entrevistados se deu por meio de uma parceria com a
AEASC (Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de São Carlos),
colegiado profissional que contribuiu com o encaminhamento do formulário digital do
questionário, direcionando-o aos profissionais associados atuantes na área de
engenharia e arquitetura.
O formulário foi enviado para um universo de 1.040 associados,
obtendo-se um total de 14 respostas, sendo uma amostragem de 1,35% do total de
associados. Apesar do número relativamente baixo de adesão às respostas, devido
à necessidade de conclusão, a pesquisa parte deste universo de respostas que,
embora pequeno, representa um universo de maior motivação com o tema.
O questionário, elaborado com auxílio da ferramenta Google Forms, e
que se encontra anexo ao presente trabalho no Apêndice A, foi pensado em três
segmentos:
A) Questões a respeito do entrevistado e das atividades profissionais por ele
realizadas;
B) Questões abordando o nível de envolvimento do entrevistado com as
atividades de coordenação e compatibilização de projetos, foco do
trabalho; e
28
C) Questões que visam analisar de forma qualitativa a visão geral dos
profissionais em relação aos temas de coordenação e compatibilização de
projetos, pertinentes a este trabalho.
As questões possuem uma nomenclatura no padrão
“(Seção.Questão_Seção) Grupo.Questão_Grupo”, onde o primeiro trecho, entre
parênteses, representa o número da seção e o número da questão dentro da
referida seção, separado por um ponto, e o segundo trecho, logo após os
parênteses, representa o grupo ao qual a questão pertence e o número da questão
dentro do referido grupo, também separado por um ponto.
Cada segmento possui uma questão chave, que encaminha o
entrevistado para uma seção com perguntas que melhor se adequam à seleção
anterior. Estas questões-chave e as respectivas seções encaminhadas do formulário
estão apresentadas no esquema gráfico da Figura 2.
Figura 2. Esquema gráfico das seções e segmentos do questionário.
Fonte: autoria própria, 2021.
A aplicação de diferentes seções do formulário de acordo com as
respostas obtidas na seção anterior se deve à necessidade específica de contemplar
distintas realidades configuradas, tanto pelas empresas, como pelos escritórios
profissionais autônomos, possibilitando o acréscimo de questões mais direcionadas,
na medida em que estão condicionadas à seleção anterior.
29
Ainda assim, a maioria das questões se repetem nas seções. A fim de
otimizar a análise das respostas, optou-se por agrupar as questões idênticas de
cada segmento, e analisar as questões específicas separadamente. O Apêndice B
apresenta um resumo com todas as questões do formulário com suas nomenclaturas
e enunciados respectivos.
a) Segmento A – Informações do entrevistado
Este segmento visa obter dados da entidade entrevistada a fim de
melhor compreender o universo de estudo. Aqui, foram definidos três tipos de
atividades que podem ser pertinentes ao tema da pesquisa:
• Incorporação de Empreendimentos;
• Elaboração de Projetos;
• Construção de Obras;
As empresas/escritórios que se enquadrem em ao menos uma dessas
classificações possuem potencial para se integrar ao universo desta pesquisa.
O segmento possui somente uma seção, sendo a mesma para todos
os entrevistados, não sendo necessário, portanto, agrupar suas questões;
b) Segmento B – Detalhamento das atividades
As questões, neste segmento, são direcionadas de acordo com a
classificação obtida na questão 5 da seção anterior, e visam obter respostas em
relação ao método de elaboração de projetos utilizado pela empresa/escritório,
observando principalmente as ferramentas utilizadas e os responsáveis (caso haja)
pelas atividades de coordenação e compatibilização de projetos.
A Tabela 1 indica que as questões das seções 2 e 5, pertencentes ao
segmento B, são idênticas e as respostas foram analisadas de forma conjunta.
Tabela 1. Tabela de agrupamento das questões do Segmento B do Formulário
Agrupamento Projeto Construção
B.1 2.1. 5.1.
B.2 2.2. 5.2.
B.3 2.3. 5.3.
B.4 2.4. 5.4.
Fonte: autoria própria, 2021.
30
c) Segmento C – Análise qualitativa
O último segmento é relacionado a compreender a visão dos
profissionais a respeito da gestão de projetos, focado na coordenação e
compatibilização, de acordo com o modelo de processo de projeto selecionado na
questão B.1 da seção anterior, e com base na sua experiência profissional e
opiniões pessoais.
A Tabela 2 indica as questões das seções 3, 4, 6 e 7, pertencentes ao
segmento C. As respostas de conteúdo idêntico foram analisadas de forma conjunta,
porém, as questões específicas foram analisadas de forma separada.
Tabela 2. Tabela de agrupamento das questões do Segmento C do Formulário
CAD BIM
Agrupamento Projeto Construção Projeto Construção
Seção 3 Seção 6 Seção 4 Seção 7
C.1 3.1. 6.1. 4.1. 7.1.
C.2 3.2. 6.2. 4.3. 7.3.
C.3 3.3. 6.3. 4.7. 7.7.
C.4 3.4. 6.4. 4.8. 7.8.
C.5 3.7. 6.7. 4.11. 7.11.
C.6 3.8. 6.8. 4.12. 7.12.
C.C.1 3.5. 4.9.
C.C.2 3.6. 4.10.
C.P.1 6.5. 7.9.
C.P.2 6.6. 7.10.
C.BIM.1 4.2. 7.2.
C.BIM.2 4.4. 7.4.
C.BIM.3 4.5. 7.5.
C.BIM.4 4.6. 7.6.
Fonte: autoria própria, 2021.
Sendo as questões:
• C: agrupamento das questões de conteúdo idêntico entre as seções 3,
4, 6 e 7;
• C.P: agrupamento das questões de conteúdo idêntico entre as seções
3 e 4, específicas para empresas de projeto;
31
• C.C: agrupamento das questões de conteúdo idêntico entre as seções
3 e 6, específicas para empresas de construção e incorporação; e
• C.BIM: agrupamento das questões de conteúdo idêntico entre as
seções 4 e 7, específicas para empresas que utilizam BIM;
A listagem completa contendo os enunciados das questões, conforme
detalhado anteriormente, estão dispostos no Apêndice B desse trabalho.
A partir do retorno preenchido dos questionários, os resultados foram
tabulados e analisados. Esse banco de dados forneceu as bases para análise e
discussão dos resultados, bem como para as considerações que compõem as fases
finais deste trabalho.
32
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
O processo de análise dos resultados foi estruturado em duas etapas.
A primeira delas consistiu na apresentação dos dados obtidos nas respostas ao
formulário do Apêndice A. Para tanto, organizou-se as respostas em gráficos,
agrupando-as em três segmentos, conforme descritos na Metodologia, indicando as
seções do questionário referentes a cada segmento, a fim de fornecê-los de forma
visualmente mais legível e favorecer a realização das análises preliminares. As
respostas completas do formulário se encontram nos Apêndices C e D.
A partir dessa sistematização preliminar, na segunda etapa, os
resultados apresentados foram analisados de forma mais ampla, pela incorporação
de uma perspectiva mais abrangente, baseando-se em aspectos presentes na
literatura consultada, no contexto da análise e no processo reflexivo e analítico do
próprio autor.
4.1 SEGMENTO A
O Segmento A do formulário tem como intuito traçar um perfil dos
entrevistados a fim de compreender algumas características a respeito de
profissionais atuantes na cidade de São Carlos, SP. Os gráficos seguintes
representam as respostas coletadas consideradas numericamente mais relevantes.
Gráfico 1. Resumo de respostas da Questão A.1
Fonte: autoria própria.
33
Gráfico 2. Resumo de respostas da Questão A.2
Fonte: autoria própria.
Gráfico 3. Resumo de respostas da Questão A.5
Fonte: autoria própria.
Do total de 14 respostas obtidas, 71,4% dos entrevistados possuem
formação em Engenharia Civil, 21,4% em Arquitetura e os 7,1% restantes, que
equivale a 1 entrevistado, se enquadram em outros, sendo este Tecnólogo em
Segurança do Trabalho. Todos os entrevistados são profissionais atuantes em
negócios próprios, sendo 50% profissionais liberais e 50% empresários.
34
Os entrevistados possuem média de 26,8 anos de atuação no
mercado, sendo relativamente alta. Isso pode indicar uma tendência à maior
preocupação acerca do tema tratado no formulário e no presente trabalho por
profissionais com maior nível de experiência e que, consequentemente, podem
compreender melhor a importância de uma boa gestão.
A média de tempo de atuação no mercado daqueles que utilizam
ferramentas BIM nos seus processos de projeto é de 24,7 anos, sendo um destes
com 40 anos de atuação, indicando que mesmo empresas/escritórios com mais
tempo de mercado estão optando por trabalhar com metodologias mais modernas.
Possuem ainda uma média de 2 a 4 profissionais do setor da
construção civil, como arquitetos e engenheiros civis, indicando que são, no geral
com exceção de um dos entrevistados, empresas/escritórios locais de porte pequeno
ou médio.
Do total dos entrevistados, 14,3% identificam as atividades como
“Construção de obras e/ou incorporação de empreendimentos”, 42,9% se
enquadram em “Elaboração de Projetos”, e 42,8% se enquadram em ambas as
atividades, totalizando 85,7% que atuam em projetos, percentual relativamente
expressivo para a análise destas respostas.
A questão 5 demarca a primeira bifurcação do formulário, onde as
respostas encaminham o entrevistado às seções 2 (pelas respostas “Elaboração de
Projetos”, “Ambos” ou “Outro”), e que busca compreender a relação de projetistas e
do produto por estes desenvolvido (projeto) com o produto final (construção), e 5
(pela resposta “Construção de obras e/ou incorporação de empreendimentos”), que
busca compreender a relação dos profissionais à frente da construção das obras
com os projetistas e seu produto.
4.2 SEGMENTO B
Os gráficos seguintes, referentes às questões do Segmento B, estão
mais relacionadas aos métodos de processo de projeto adotados pelas empresas,
entendendo o ferramental por elas utilizado e se possuem ou não profissionais
responsáveis pelas atividades de coordenação e compatibilização de projetos.
35
Gráfico 4. Resumo de respostas da Questão B.1
Fonte: autoria própria.
Gráfico 5. Resumo de respostas da Questão B.2
Fonte: autoria própria.
36
Gráfico 6. Resumo de respostas da Questão B.3
Fonte: autoria própria.
Gráfico 7. Resumo de respostas da Questão B.4
Fonte: autoria própria.
O Gráfico 4 mostra que 71,4%6 dos entrevistados utilizam somente
ferramentas tradicionais em CAD para auxílio das atividades de projeto. Além disso,
6 64,3% dos entrevistados optou pela alternativa “CAD”, e 7,1% optou por “Outro”, especificando a marca do software que
utiliza, mas que se trata também de uma ferramenta CAD.
37
21,4% utilizam além de ferramentas em CAD, ferramentas em BIM, totalizando
92,8% que utilizam métodos tradicionais no processo de projeto.
Esse número retrata a realidade do universo de profissionais de projeto
no Brasil como está descrito na literatura, onde até hoje os métodos em CAD são
mais amplamente utilizados, e os processos em BIM estão, aos poucos, ganhando
espaço. Entretanto, cabe observar que nenhum dos entrevistados atua
exclusivamente com o uso do BIM.
Do total dos entrevistados, 85,7% possuem profissionais responsáveis
tanto pela coordenação quanto pela compatibilização do projeto dentro da
empresa/escritório, sendo que:
• Dos profissionais responsáveis pela coordenação de projetos, 8
(57,1%) são Engenheiros Civis, 4 (21,4%) são Arquitetos e 1 (7,1%)
possui outra formação (Tecnólogo de Segurança do Trabalho);
• Dos profissionais responsáveis pela compatibilização de projetos, 7
(50,0%) são Engenheiros Civis, 5 (28,5%) são Arquitetos e 1 (7,1%)
possui outra formação (Tecnólogo de Segurança do Trabalho);
Analisando as respostas individuais dos formulários, somente um
entrevistado indicou que os responsáveis pela coordenação e pela compatibilização
possuem formação distintas. Considerando que, no geral, estas empresas/escritórios
são de porte médio, é possível supor que ambas as atividades ficam geralmente a
cargo de um mesmo profissional, o que é plausível visto que são atividades que se
conectam diretamente.
Entretanto, e ainda de forma geral, as atividades de coordenação e
compatibilização são realizadas por arquitetos, realidade que difere das respostas
obtidas, nas quais a maioria dos respondentes delega a engenheiros civis estas
funções. Isto pode novamente ocorrer devido ao porte das empresas/escritórios
entrevistados, que são encabeçadas em sua maioria por engenheiros civis e estes
ficam incumbidos de coordenar e compatibilizar os projetos. Ou seja, estas funções
fazem parte de uma função maior de gerir os projetos e a empresa/escritório como
um todo.
Vale frisar ainda que em uma das empresas/escritórios entrevistados, o
papel de coordenar e compatibilizar projetos fica a cargo de um Tecnólogo de
38
Segurança do Trabalho, formação que não engloba tais funções, levantando o
questionamento de que estas atividades possuem aspectos tão importantes quanto
os aspectos puramente técnicos, e se podem ser exercidos por estes diferentes
profissionais.
Vale ressaltar que, nesse caso, cabe ainda a interpretação do
respondente do questionário. O entrevistado em questão (Tecnólogo) pode possuir
empresa de projetos específicos de sua área de atuação, e é o responsável pela
coordenação deste tipo de projeto. Não cabe a profissionais de áreas distintas a
coordenação e/ou compatibilização de projetos de edificações, foco do estudo.
Outro ponto que deve ser destacado é a ausência, em 14,3% das
respostas, de profissional responsável por essas atividades, para se tentar entender
se estas empresas/escritórios de fato não as realizam.
Por fim levantou-se, ainda, que 64,3% das empresas/escritórios
entrevistados terceirizam algum tipo de projeto durante o em algum momento do
processo. Nesta parcela encontram-se inclusive alguns que admitiram atuar com
atividades de projetos, explicitando, mais uma vez, o caráter multidisciplinar das
atividades de projetos, uma vez que um projeto pode possuir necessidades tão
específicas que mesmo empresas que trabalham com isso, por vezes necessitam de
terceirização de serviços, ainda que por meio de consultorias.
4.3 SEGMENTO C
Este segmento trata de questões que abordam pontos relevantes
daqueles levantados nos Capítulos 3 e 4, com o objetivo de comparar a realidade de
atuação das empresas/escritórios nos processos de elaboração de projetos com
algumas das práticas sugeridas na literatura estudada. Vale adiantar que, para as
questões que visam qualificar alguns aspectos, foi adotada uma escala de
pontuação que vai de 1 (pior nota) a 5 (melhor nota).
Vale ressaltar também que, dentro deste grupo, uma das empresas
alegou não utilizar de nenhuma ferramenta de auxílio de desenhos em seus
processos. No entanto, a empresa em questão pode desenvolver projetos de forma
manual, que apesar de ser um método pouco utilizado atualmente, se assemelha
39
mais aos métodos tradicionais nas questões de elaboração de projetos e fluxo de
informações.
4.3.1 Dados das Questões do Grupo C.
Gráfico 8. Resumo de respostas da Questão C.1
Fonte: autoria própria.
40
Gráfico 9. Resumo de respostas da Questão C.2
Fonte: autoria própria.
Gráfico 10. Resumo de respostas da Questão C.3
Fonte: autoria própria.
41
Gráfico 11. Resumo de respostas da Questão C.4
Fonte: autoria própria.
Gráfico 12. Resumo de respostas da Questão C.5
Fonte: autoria própria.
O Gráfico 8 mostra que 78,6% dos entrevistados possuem
padronização de layout e pranchas de desenho. Esta prática é sugerida pela AsBEA
42
(2002) como de grande importância para auxiliar uma correta coordenação dos
projetos.
Outro tema muito exaltado nos guias, e tratado com ênfase no Capítulo
3 deste trabalho, é a importância de um bom fluxo de informações e uma
comunicação fluida e constante entre as diferentes equipes de projeto. Neste
quesito, conforme mostra o Gráfico 9, 57,2% dos entrevistados julgam com nota
“boa” ou “muito boa” (notas 4 e 5, respectivamente) a interação entre as equipes de
projeto com as quais têm contato. No sentido contrário, 7,1% deles consideram
como “muito ruim” esta interação. A nota média para a interação entre as equipes de
projeto é de 3,6 (entre regular e boa).
Essa realidade mostra que os profissionais não aprovam plenamente a
forma como a comunicação entre as equipes tem se dado. Vale lembrar que faz
parte do escopo de coordenação acompanhar o fluxo de informações e a
comunicação entre as equipes constituintes do projeto, e isso pode retratar uma
certa negligência ao tema.
Em relação ao nível de conhecimento técnico envolvendo os
profissionais responsáveis pelas atividades de coordenação e compatibilização dos
projetos, 57,2% dos entrevistados julgam com “bom” ou “muito bom” (notas 4 e 5,
respectivamente), de acordo com o Gráfico 10. A nota média dada para o
conhecimento técnico dos profissionais responsáveis pela compatibilização dos
projetos é 4 (boa).
Os profissionais que atuam nesta posição devem, de forma geral,
apresentar um bom nível de experiência, com um bom nível de conhecimento em
diferentes frentes que compõem o projeto ou as etapas de projeto pelas quais são
responsáveis.
Em relação ao nível de importância atribuída para essas atividades, o
Gráfico 11 aponta que 92,9% dos entrevistados manifestam importância máxima às
atividades de coordenação e compatibilização de projetos, demonstrando que
entendem que a qualidade do produto está diretamente atrelada à atuação destes
profissionais.
43
4.3.2 Dados das Questões do Grupo C.C.
Neste grupo, constam questões específicas para os entrevistados que
atuam em atividades de construção ou que, de forma mais geral, dependem em
diversos momentos de serviços de projetos para possibilitar a execução de seus
próprios serviços.
Gráfico 13. Resumo de respostas da Questão C.C.1
Fonte: autoria própria.
Gráfico 14. Resumo de respostas da Questão C.C.2
Fonte: autoria própria.
44
Destes entrevistados, 70% estão satisfeitos com a qualidade dos
serviços de projeto contratados, atribuindo notas 4 ou 5, e 10% estão muito
insatisfeitos com estes serviços.
Além disso, apenas 20% destes apontam como muito ativa a
participação das equipes de projeto dentro das obras, enquanto os 80% restantes
apontam como de regular para muito baixa esta participação.
Estes dois pontos se relacionam de forma profunda. Como levantado
no Capítulo 2 deste trabalho, a qualidade dos serviços de projeto é peça
fundamental (mas não garantidora, como frisado no texto) para a qualidade do
produto executado, como por exemplo uma edificação.
As respostas deste grupo, demonstram um afastamento entre o projetista e a
execução da obra, produto de seu projeto, podendo-se levantar questões a respeito
de qualidade de tal produto, considerando o pouco contato, na prática, com aquilo
que se está sendo edificado.
4.3.3 Dados das Questões do Grupo C.P.
Neste grupo, as questões são direcionadas às empresas/escritórios
que indicaram praticar apenas atividades de projeto. Os Gráficos 14 e 15 resumem
as respostas nelas obtidas.
Gráfico 15. Resumo de respostas da Questão C.P.1
45
Fonte: autoria própria.
Gráfico 16. Resumo de respostas da Questão C.P.2
Fonte: autoria própria.
Analisando tais respostas, com diferentes graus de insatisfação, a
maior parte dos entrevistados está insatisfeito com a execução de seus projetos por
parte das empresas (construtoras) que os contratam. Além disso, 75% dos
entrevistados consideram “regular” (nota 3) ou “muito baixa” (nota 1) a periodicidade
com a qual acompanham a execução dos projetos por eles elaborados.
Este cenário pode se relacionar com o tópico anterior, que trata da
qualidade de execução das obras e seus respectivos projetos, sendo agora
analisado por um diferente ponto de vista: o dos profissionais que elaboram os
projetos. Tais respostas enfatizam um descolamento preocupante em relação à fase
de elaboração dos projetos e a subsequente fase de execução da obra, como
discutido no Capítulo 2, o que resulta em insatisfação com o produto final.
4.3.4 Dados das Questões do Grupo C.BIM
Por fim, o último grupo trata das empresas que utilizam métodos ou
etapas do processo de projetos baseado na metodologia BIM, ainda que de forma
híbrida com os métodos tradicionais, principalmente visto que se trata de uma fase
de transição entre programas e plataformas de elaboração de projetos.
46
Gráfico 17. Resumo de respostas da Questão
Fonte: autoria própria.
Gráfico 18. Resumo de respostas da Questão
Fonte: autoria própria.
47
Gráfico 19. Resumo de respostas da Questão
Fonte: autoria própria.
Gráfico 20. Resumo de respostas da Questão
Fonte: autoria própria.
Dos profissionais que se enquadram neste modelo 66,7% afirmam
possuir padronização nas bibliotecas utilizadas para as modelagens. Esta
padronização é apontada como um fator importante para otimizar o processo de
coordenação dos projetos, conforme descrito no Capítulo 4. Nesse sentido, uma
análise interessante é de que não é possível verificar, no Brasil, uma mecanização
48
ou padronização da indústria da construção civil e dos materiais e insumos
utilizados, onde os diversos fornecedores adotam características distintas em seus
produtos. Desta forma, é dificultada também a padronização de bibliotecas BIM, uma
vez que a realidade de cada projeto exigirá diferentes materiais, que por sua vez
possuem características distintas quando adquiridos de diferentes fornecedores.
Além disso 66,7% dos entrevistados consideram ruim ou regular o
conhecimento técnico sobre as ferramentas em BIM pelos profissionais envolvidos
nos processos de projeto. Importante enfatizar que, até recentemente, a maioria das
instituições de ensino não possuíam, em sua grade curricular, a oferta de disciplinas
para capacitação de futuros profissionais, aptos a utilizar a metodologia BIM. Esta
realidade está se alterando aos poucos, mas frente a esta situação, muitos
profissionais necessitam recorrer a cursos e especializações extras para melhor se
aperfeiçoarem no uso destas ferramentas.
Outro ponto importante a se destacar é que, para melhor se explorar o
potencial das ferramentas BIM, é necessário um maior investimento em
infraestrutura de software, hardware e até mesmo de conexões de rede. A respeito
desta questão, 66,7% dos entrevistados consideram como “regular” estas condições
exigidas no local em que trabalham.
Esta realidade pode ser reflexo da dificuldade que se tem, no Brasil, de
se adquirir condições adequadas para um bom desempenho dos amplos recursos
da metodologia BIM. Tais limitações podem ocorrer por diversas razões. Uma delas,
pela deficiência de infraestrutura básica que se aplica, por exemplo, nas conexões
de rede que, em alguns locais do país, não possuem a qualidade e estabilidade
necessárias. Uma outra modalidade de limitação diz respeito à necessidade de
grandes investimentos por parte das empresas/escritórios, que muitas vezes não
querem ou não possuem condições financeiras para implantar o sistema BIM.
Esses pontos foram abordados no questionário não somente no
sentido de autoavaliação dos entrevistados, mas para avaliarem também as
empresas/escritórios parceiras com as quais mantêm relações profissionais. Neste
aspecto, 66,7% consideram que as essas demais empresas também não possuem
disponibilidade de profissionais e infraestrutura qualificada para atuar com
ferramentas BIM.
49
Esses pontos, muito discutidos na literatura e levantados nos
questionários, sinalizam limitações e empecilhos concretos para que a metodologia
se difunda com maior fluidez no segmento de projetos e construções no universo de
estudo e no país.
50
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Inicialmente, é importante observar que a presente pesquisa foi
divulgada entre um amplo espectro de profissionais e empresas registradas na
AEASC, conforme mencionado na Seção 1.4.2. Apesar de quantitativamente
pequeno o número de respostas obtidas, considera-se que os retornos obtidos
tenham um valor qualitativo, tendo em vista que representam aqueles que
manifestaram maior interesse no tema abordado.
O processo de projetos é, de forma geral e considerando os muitos
aspectos que o constituem, muito complexo e plural. Entretanto, é perceptível que
sua correta gestão é um grande anseio por parte daqueles que atuam na área. Não
somente na literatura, mas também nas respostas dos questionários, é possível
perceber que os profissionais atuantes na área têm consciência da importância e da
relevância de se discutir e compreender estes processos.
Um indicativo dessa percepção é o fato de grande parte das empresas
entrevistadas considerar como muito importante a atuação de agentes atuando na
função de coordenar e garantir a compatibilização entre as diferentes modalidades
de projeto. Como um dos alicerces básicos para um bom desempenho nessas
atividades, aponta-se a fluidez e agilidade na comunicação entre as equipes, papel a
ser exercido e assegurado pela função de coordenação de projeto.
Por outro lado, pode-se observar, ainda, a frustração pela falta de
integração entre as fases de projeto e de execução, gerando insatisfações quanto ao
potencial de qualidade do produto. Além disso, o crescimento exponencial de novas
tecnologias e a pressão exercida por órgãos competentes para difundir sua
utilização tem colocado os profissionais e demais agentes integrantes do segmento
da construção civil em um cenário desafiador.
Usualmente, considera-se que a indústria da construção civil seja
resistente a mudanças em suas atuações procedimentos. Porém, as transformações
em curso trazem um conjunto de safios a serem enfrentados diante da crescente
competitividade. Contudo, o universo de estudo adotado nesta pesquisa, observa-se
que essa realidade ainda não está tão incorporada, uma vez que são poucas
empresas/escritórios que se arriscam na implementação de metodologias mais
inovadoras.
51
Embora seja uma realidade perceptível em um momento específico de
uma determinada localidade, pode-se extrapolá-la a outros pontos do país. Contudo,
deve-se levar em consideração que as transformações tecnológicas sejam
irreversíveis, indicando tendencias de mudança. As novas tecnologias se fortalecem
por profissionais mais jovens, que tendem a transbordar conhecimentos e
capacidades adquiridas em sua formação universitária, mas, também, entre
profissionais mais experientes, conscientes do potencial possibilitado por novos
recursos aplicáveis aos processos de projeto.
Outro aspecto a ser ressaltado nessas considerações finais, diz
respeito ao contexto que envolveu intercorrências sanitárias imprevisíveis. Essa
pesquisa teve parte significativa de seu desenvolvimento em um contexto pré-
pandemia de Covid-19, portanto, não levou em consideração o distanciamento físico
necessário ao controle de sua disseminação. Nesse sentido, as questões formuladas
não refletem tais condições, ensejando outros trabalhos que possam investigar,
futuramente, acerca das decorrências e implicações desses impactos de cunho
sanitário, bem como examinar as estratégias adotadas para o enfrentamento de tais
condições.
Espera-se que esse trabalho tenha contribuído com algumas reflexões
acerca desse momento de transição nos métodos aplicáveis no processo de
elaboração de projetos, notadamente em relação aos procedimentos de
coordenação e compatibilização. Espera-se, também, que o tema possa ter
continuidade em outras oportunidades de pesquisa e investigação, adquirindo novas
perspectivas de discussão e reflexão, confirmando sua importância temática para a
formação e a atuação dos profissionais atuantes nesse segmento fundamental para
o processo de qualificação dos projetos e obras na construção civil.
52
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA – AsBEA.
Diretrizes gerais para intercambialidade de projetos em CAD. São Paulo, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA – AsBEA. Guia
AsBEA - Boas práticas em BIM: Fascículo I. São Paulo, 2013.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA – AsBEA. Guia
AsBEA - Boas práticas em BIM: Fascículo II. São Paulo, 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS GESTORES E COORDENADORES DE
PROJETOS – AGESC. Manual de escopo de projetos e serviços de
coordenação de projetos. Ed. 3. São Paulo, 2019. Disponível em:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, NBR 13531: Elaboração de
projetos de edificações: atividades técnicas. Rio de Janeiro: ABNT. 1995.
BRASIL. Decreto nº 9.377, de 17 de maio de 2018. Institui a Estratégia Nacional de
Disseminação do Building Information Modelling. Lex: Diário Oficial da União, 18 de
mai. 2020, Edição 95, Seção 1, p. 3.
BRASIL. Decreto nº 10.306, de 2 de abril de 2020. Estabelece a utilização do
Building Information Modelling. Lex: Diário Oficial da União, 3 de abr. 2020, Edição
65, Seção 1, p. 5.
CAMPOS, S. E. A. GESTÃO DO PROCESSO DE PROJETOS DE EDIFICAÇÕES
EM INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR: estudo de caso no
CEPLAN/UnB. 2011. 208 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) –
Programa de Pesquisa e Pós-Graduação, Universidade de Brasília - UnB, 2011.
CARVALHO, A. P. A. Gestão de Projetos em estabelecimentos assistenciais de
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Janeiro: UFRJ/FAU//PROARQ: ANTAC; 2012.
FABRÍCIO, M. M. O arquiteto e o coordenador de projetos. Revista do programa de
pós graduação em arquitetura e urbanismo da FAUUSP, n. 22, São Paulo, dez.
2007. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2012.
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Carlos: RiMa Editora, ANTAC, 2010.
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manutenção predial em obras públicas. Trabalho de Conclusão de curso – Centro
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Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2018.
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53
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arquitetônico em escritório de pequeno porte. 2016. 113 f. Dissertação (Mestrado
em Estruturas e Construção Civil), apresentado ao Programa de Pós-Graduação da
Universidade Federal de São Carlos – SP, 2016.
54
APÊNDICES
54
APÊNDICE A: QUESTIONÁRIO GOOGLE COMPLETO
53
APÊNDICE B: LISTA COMPLETA DE PERGUNTAS
1Se
gm
en
to
Seção
Qu
es
tão
(se
çã
o)
Questão
Enunciado
A 1
1.1. A.1 Qual a sua formação profissional?
1.2. A.2 Qual seu vínculo empregatício atualmente?
1.3. A.3 Há quantos anos atua no mercado?
1.4. A.4 Qual a formação do corpo técnico que atua na sua empresa/escritório?
1.5. A.5 Quais atividades a seguir melhor se enquadram naquelas realizadas por você ou sua empresa/escritório:
B 2
2.1. B1 Qual tipo de ferramenta é utilizada para auxiliar as atividades integrantes do processo de projeto?
2.2. B2 A empresa/escritório terceiriza quaisquer tipos de projeto em algum momento do processo?
2.3. B3 Qual profissional da empresa/escritório é responsável pelo processo de coordenação dos projetos?
2.4. B4 Qual profissional da empresa/escritório é o responsável pelo processo de compatibilização de projetos, sejam eles desenvolvidos interna ou
externamente?
C
3
3.1. C.1 Na sua empresa/escritório há padronização na configuração das pranchas de projeto? (dimensão de folhas, carimbos, layers, fontes, espessuras de
linhas, etc.)
3.2. C.2 Na maior parte das vezes, como se dão as interações realizadas entre a equipe de projetos e o contratante?
3.3. C.3 Faça uma ponderação da intensidade e qualidade de interação entre as equipes de projetos integrantes das várias áreas de atuação (arquitetura,
estrutura, hidrossanitária, elétrica, etc.)
3.4. C.4 Qual o nível de conhecimento técnico dos responsáveis pela compatibilização dos projetos em relação a todas as áreas envolvidas na atividade?
3.5. C.C.1 Os projetos terceirizados têm atendido às expectativas para as quais foram contratados?
3.6. C.C.2 Na maior parte das vezes, qual o grau de participação das equipes de projeto na fase de execução das obras?
3.7. C.5 Qual o nível de importância você atribui às atividades de coordenação de projetos?
3.8. C.6 Dentre os seguintes aspectos, envolvidos em um processo de projeto, informe qual nível de importância você atribui a cada um deles em relação uns
aos outros:
4
4.1. C.1 Na sua empresa/escritório há padronização na configuração das pranchas de projeto? (dimensão de folhas, carimbos, layers, fontes, espessuras de
linhas, etc.)
4.2. C.BIM.1 Sua empresa/escritório possui padronização nas bibliotecas utilizadas na modelagem BIM?
4.3. C.2 Na maior parte das vezes, qual a periodicidade das interações realizadas entre a equipe de projetos e o contratante?
4.4. C.BIM.2 No geral, os profissionais envolvidos nos processos de projeto possuem conhecimento técnico/operacional satisfatório nas ferramentas em BIM?
4.5. C.BIM.3 O ambiente de trabalho onde se desenvolve o processo de projeto dispõe da estrutura necessária para a realização das atividades de modelagem BIM?
(equipamentos adequados, softwares, hardwares, conexão de rede forte e estável, etc.)
4.6. C.BIM.4 As empresas/escritórios parceiras dispõem dos itens descritos nas duas questões anteriores? (conhecimento técnico/operacional e estrutura adequados
para as atividades de modelagem BIM)
4.7. C.3 Faça uma ponderação da intensidade e qualidade de interação entre as equipes de projetos integrantes das várias áreas de atuação (arquitetura,
estrutura, hidrossanitária, elétrica, etc.)
4.8. C.4 Qual o nível de conhecimento técnico dos responsáveis pela compatibilização dos projetos em relação a todas as áreas envolvidas na atividade?
4.9. C.C.1 Os projetos terceirizados têm atendido às expectativas para as quais foram contratados?
4.10. C.C.2 Na maior parte das vezes, qual o grau de participação das equipes de projeto na fase de execução das obras?
4.11. C.5 Qual o nível de importância você atribui às atividades de coordenação de projetos?
4.12. C.6 Dentre os seguintes aspectos, envolvidos em um processo de projeto, informe qual nível de importância você atribui a cada um deles em relação uns
aos outros:
B 5
5.1. B.1 Qual tipo de ferramenta é utilizada para auxiliar as atividades integrantes do processo de projeto?
5.2. B.2 A empresa/escritório terceiriza quaisquer tipos de projeto em algum momento do processo?
5.3. B.3 Qual profissional da empresa/escritório é responsável pelo processo de coordenação dos projetos?
5.4. B.4 Qual profissional da empresa/escritório é o responsável pelo processo de compatibilização de projetos, sejam eles desenvolvidos interna ou
externamente?
C
6
6.1. C.1 Na sua empresa/escritório há padronização na configuração das pranchas de projeto? (dimensão de folhas, carimbos, layers, fontes, espessuras de
linhas, etc.)
6.2. C.2 Na maior parte das vezes, como se dão as interações realizadas entre a equipe de projetos e o contratante?
6.3. C.3 Faça uma ponderação da intensidade e qualidade de interação entre as equipes de projetos integrantes das várias áreas de atuação (arquitetura,
estrutura, hidrossanitária, elétrica, etc.)
6.4. C.4 Qual o nível de conhecimento técnico dos responsáveis pela compatibilização dos projetos em relação a todas as áreas envolvidas na atividade?
6.5. C.P.1 Na maior parte das vezes, as empresas responsáveis pela execução dos seus projetos a fazem de forma satisfatória?
6.6. C.P.2 Qual a periodicidade de acompanhamento dos projetos elaborados por sua empresa/escritório?
6.7. C.4 Qual o nível de importância você atribui às atividades de coordenação de projetos?
6.8. C.5 Dentre os seguintes aspectos, envolvidos em um processo de projeto, informe qual nível de importância você atribui a cada um deles em relação uns
aos outros:
6.9. - Deseja acrescentar algum comentário a respeito das questões anteriores, do método de processo de projeto adotado pela sua empresa/escritório ou de
novos desafios que podem estar por vir com o advento das novas ferramentas? (opcional)
7
7.1. C.1 Na sua empresa/escritório há padronização na configuração das pranchas de projeto? (dimensão de folhas, carimbos, layers, fontes, espessuras de
linhas, etc.)
7.2. C.BIM.1 Sua empresa/escritório possui padronização nas bibliotecas utilizadas na modelagem BIM?
7.3. C.2 Na maior parte das vezes, qual a periodicidade das interações realizadas entre a equipe de projetos e o contratante?
7.4. C.BIM.2 No geral, os profissionais envolvidos nos processos de projeto possuem conhecimento técnico/operacional satisfatório nas ferramentas em BIM?
7.5. C.BIM.3 O ambiente de trabalho onde se desenvolve o processo de projeto dispõe da estrutura necessária para a realização das atividades de modelagem BIM?
(equipamentos adequados, softwares, hardwares, conexão de rede forte e estável, etc.)
7.6. C.BIM.4 As empresas/escritórios parceiras dispõem dos itens descritos nas duas questões anteriores? (conhecimento técnico/operacional e estrutura adequados
para as atividades de modelagem BIM)
7.7. C.3 Faça uma ponderação da intensidade e qualidade de interação entre as equipes de projetos integrantes das várias áreas de atuação (arquitetura,
estrutura, hidrossanitária, elétrica, etc.)
7.8. C.4 Qual o nível de conhecimento técnico dos responsáveis pela compatibilização dos projetos em relação a todas as áreas envolvidas na atividade?
7.9. C.P.1 Na maior parte das vezes, as empresas responsáveis pela execução dos seus projetos a fazem de forma satisfatória?
7.10. C.P.2 Qual a periodicidade de acompanhamento dos projetos elaborados por sua empresa/escritório?
7.11. C.5 Qual o nível de importância você atribui às atividades de coordenação de projetos?
7.12. C.6 Dentre os seguintes aspectos, envolvidos em um processo de projeto, informe qual nível de importância você atribui a cada um deles em relação uns
aos outros:
7.13. - Deseja acrescentar algum comentário a respeito das questões anteriores, do método de processo de projeto adotado pela sua empresa/escritório ou de
novos desafios que podem estar por vir com o advento das novas ferramentas? (opcional)
54
APÊNDICE C: TABELA DE RESPOSTAS
1Construção Projeto
BIM CAD CAD
10/9/2019 14:44:14 10/9/2019 15:08:49 10/9/2019 15:34:12 10/9/2019 13:23:35 10/9/2019 16:36:58 10/9/2019 10:12:41 10/9/2019 14:41:11 10/11/2019 16:10:48 10/9/2019 8:43:42 10/10/2019 8:27:31 10/9/2019 9:37:34 10/9/2019 10:55:15 10/10/2019 9:13:53 10/12/2019 9:25:01
Alternativa (caso haja)
A.1 Arquiteto/Arquiteto e Urbanista
Arquiteto/Arquiteto e
Urbanista Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Outro Engenheiro Civil
Arquiteto/Arquiteto e
Urbanista Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil
A.2 Empresário. Empresário. Empresário. Empresário. Empresário. Profissional Liberal Profissional Liberal Profissional Liberal Empresário. Empresário. Profissional Liberal Profissional Liberal Profissional Liberal Profissional Liberal
A.3 19 15 40 22 42 5 35 11 29 39 11 45 50 37
A.4
[Engenheiro(a) Civil] 1 2 ou mais 2 ou mais 1 1 1 1 0 2 ou mais 2 ou mais 0 2 ou mais 1 1
[Arquiteto(a)] 1 1 2 ou mais 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0
[Estagiário (Engenharia)] 1 0 2 ou mais 1 0 0 0 0 0 2 ou mais 0 0 0 0
[Estagiário (Arquitetura)] 0 2 ou mais 2 ou mais 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
[Técnicos] 0 0 2 ou mais 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
TOTAL 3 4 + 10 + 2 2 1 1 0 2 + 4 + 1 2 + 1 1
A.5 Todas as anteriores Todas as anteriores Todas as anteriores
Construção de obras
e/ou Incorporação
de
empreendimentos
Construção de obras
e/ou Incorporação
de
empreendimentos
Todas as anteriores Todas as anteriores Todas as anteriores Outro Outro Elaboração de Projetos
Elaboração de
Projetos
Elaboração de
Projetos
Elaboração de
Projetos
B.1 Ambos Ambos Ambos Nenhuma ferramenta CAD CAD CAD CAD
DRAFTSHARE
(LINUX) CAD CAD CAD CAD CAD
B.2 Sim Não Sim Sim Sim Não Sim Sim Não Não Sim Sim Sim Não
B.3 Arquiteto Arquiteto Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil Não há Tecg de Segurança do Trabalho Não há Arquiteto Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil
B.4 Arquiteto Arquiteto Arquiteto Engenheiro Civil Engenheiro Civil Não há Engenheiro Civil Não há Tecg de Segurança do Trabalho Engenheiro Civil Arquiteto Engenheiro Civil Engenheiro Civil Engenheiro Civil
C.1 Sim. Sim. Sim. Sim. Sim. Sim. Não. Sim. Sim. Não. Sim. Não. Sim. Sim.
C.2
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias
Reuniões
presenciais
semanais, Reuniões
presenciais mensais,
Contato via e-mail
Reuniões
presenciais
mensais, Reuniões
não presenciais via
chamadas de vídeo
semanais, Contato
via e-mail
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias,
Contato via e-mail
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias,
Contato via e-mail
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias
Reuniões
presenciais
semanais
As interações são
feitas de acordo com
o andamento do
projeto, onde cada
projeto requer uma
quantidade "X" de
reuniões presenciais
de acordo com sua
complexidade.
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias,
Contato via e-mail,
Telefone/WhatsApp
Reuniões
presenciais
semanais
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias
Reuniões
presenciais somente
quando estritamente
necessárias
C.3 5 4 4 4 3 3 4 4 5 4 3 3 3 1
C.4 5 4 3 4 5 3 5 4 4 4 3 4 3 5
C.5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 3 5 5 5
2Construção Projeto
BIM CAD CAD
10/9/2019 14:44:14 10/9/2019 15:08:49 10/9/2019 15:34:12 10/9/2019 13:23:35 10/9/2019 16:36:58 10/9/2019 10:12:41 10/9/2019 14:41:11 10/11/2019 16:10:48 10/9/2019 8:43:42 10/10/2019 8:27:31 10/9/2019 9:37:34 10/9/2019 10:55:15 10/10/2019 9:13:53 10/12/2019 9:25:01
Alternativa (caso haja)
C.6
[Compatibilidade entre projetos e com as
condições de execução da obra] 5 5 5 5 5 5 5 4 5 5 5 5 4 5
[Agilidade do processo de projeto] 3 3 2 2 3 2 3 2 2 2 4 1 1 4
[Bom nível de interação entre os envolvidos
(cliente, equipes de projeto, fornecedores,
etc.)]
2 1 3 4 4 3 4 3 4 4 3 3 5 3
[Nível de detalhamento que reduza
alterações posteriores (retrabalho)] 4 2 1 3 2 4 2 5 3 3 2 4 3 2
[Remuneração adequada aos serviços
prestados] 1 4 4 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 1
C.C.1 5 1 3 4 3 5 5 4 5 4
C.C.2 5 1 3 3 2 2 3 1 3 5
C.P.1 3 2 3 1
C.P.2 3 1 5 1
C.BIM.1 Sim Não Sim
C.BIM.2 5 3 2
C.BIM.3 5 3 3
C.BIM.6 5 1 1
55
APÊNDICE D: RESUMO DE RESPOSTAS