UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS BACHARELADO EM TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO EM LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS/LÍNGUA PORTUGUESA ANA LUIZA DOS SANTOS SILVA SAÚDE FÍSICA DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS NA ESFERA EDUCACIONAL SÃO CARLOS 2023 ANA LUIZA DOS SANTOS SILVA SAÚDE FÍSICA DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS NA ESFERA EDUCACIONAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Tradução e Interpretação em Libras/Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Tradução e interpretação em Libras/Língua Portuguesa. Orientadora: Prof. Dra. Lara Ferreira dos Santos Coorientadora: Carla Andrea Sampaio Mendonça SÃO CARLOS 2023 ANA LUIZA DOS SANTOS SILVA SAÚDE FÍSICA DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS NA ESFERA EDUCACIONAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Tradução e Interpretação em Libras/Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Tradução e Interpretação em Libras/Língua Portuguesa. Aprovado em 04 de setembro de 2023. BANCA EXAMINADORA __________________________________ PROF. DRA. LARA FERREIRA DOS SANTOS UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (ORIENTADORA) __________________________________ PROF. DR. JOÃO PAULO DA SILVA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS __________________________________ PROF. ME. PRISCILA SOLER UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado a oportunidade de chegar até aqui e me sustentar todos os dias e me permitir realizar mais uma conquista. Agradeço aos meus pais Sinval e Célia, que nunca me desampararam e acreditaram em mim desde o início. Sem vocês nada disso seria possível. Obrigada por todas as orações dirigidas a meu favor; obrigada também por trabalharem incansavelmente para me manter aqui. Vocês têm minha eterna gratidão. Agradeço meus irmãos, Marcus Vinicius e Bruna Karla por sempre torcerem por mim. Agradeço ao meu noivo, Daniel Henrique, que sempre esteve ao meu lado, me ajudando a encarar a realidade. Obrigada por me incentivar todas as vezes que desanimei, por ser meu ombro amigo e meu companheiro de todas as horas, por todo carinho e pela paciência de sempre, por ser a minha calmaria em meio a tempestade. Você tem todo meu amor e gratidão. Agradeço a minha amiga e companheira de curso Gláucia, que está comigo desde o primeiro dia que cheguei na faculdade. Obrigada por todos os momentos bons e ruins que passamos juntas, por todas as palavras de incentivo e coragem. Agradeço também às minhas amigas de curso Leticia e Romilda por todo o carinho que vocês têm por mim. Agradeço também à minha orientadora, Prof.ª Dra. Lara Ferreira dos Santos que aceitou minha pesquisa e a desenvolveu comigo sempre com muita paciência e dedicação e a minha coorientadora Carla Andréa Sampaio Mendonça, que esteve comigo durante todo o processo de escrita do meu trabalho de conclusão de curso, me ajudando e incentivando. RESUMO Este trabalho teve como objetivo investigar a saúde física de Tradutores e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras)/Língua Portuguesa (TILS) que atuam no espaço escolar. Pretendeu-se problematizar as condições de trabalho e possíveis disfunções de saúde que podem ser apresentados por esses profissionais em decorrência de suas condições de trabalho. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, em que foram aplicados questionários online a profissionais TILS do Estado de São Paulo, que estivessem atuando no Ensino Fundamental ou atuado nos últimos dois anos. Participaram do estudo dez profissionais. O questionário contou com perguntas objetivas e dissertativas que versavam sobre a saúde física e as condições de trabalho dos profissionais. A análise dos dados foi realizada à luz da legislação que orienta o trabalho dos TILS e de estudos que tratam da saúde física desses profissionais que atuam no espaço escolar. Os resultados indicam diferentes fatores que podem levar os TILS desenvolverem doenças como LER/DORT devido aos movimentos repetitivos. PALAVRAS-CHAVE: Tradutor Intérprete de Libras; Saúde física; Trabalho. ABSTRACT This work aimed to investigate the physical health of Brazilian Sign Language (Libras)/Portuguese Language Translators and Interpreters (TILS) who work in schools. It was intended to problematize the working conditions and possible health problems that may be presented by these professionals as a result of their working conditions. This is a qualitative and exploratory research, in which online questionnaires were applied to TILS professionals in the State of São Paulo, who worked in Elementary School or had worked in the last two years. Ten professionals participated in the study. The questionnaire had objective and essay questions that dealt with the physical health and working conditions of professionals. Data analysis was carried out according to the laws that guides the work of TILS and of studies that deal with the physical health of Brazilian Sign Language (Libras)/Portuguese Language Translators and Interpreters (TILS) who work in the school environment. The results indicate different factors that can lead TILS to develop diseases such as repetitive strain injury work- related muculoskeletal disorders (WRMD) due to repetitive movements. KEYWORDS: Libras Interpreter Translator; Physical Health; Work. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CLT Consolidação das Leis do Trabalho DORT Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho FEBRAPILS Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes de Língua de Sinais FGV Fundação Getúlio Vargas INES Instituto Nacional de Educação de Surdos LER Lesão Por Esforço Repetitivo Libras Língua Brasileira de Sinais OIT Organização Internacional do Trabalho OMS Organização Mundial da Saúde TILS Tradutor e Intérprete de Libras TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido USP Universidade de São Paulo SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ............................................................................................................................................................ RESUMO ................................................................................................................................................................ ABSTRACT ................................................................................................................................................................ LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ............................................................................................................................... Capítulo 1 ................................................................................................................................................................ O intérprete de libras e a Educação de Surdos no Brasil: processos históricos, atuação e legislação .......................................................................................................................................................... Capítulo 2 ................................................................................................................................................................ Percurso Metodológico ................................................................................................................................ Capítulo 3 ................................................................................................................................................................ Resultados e discussão ................................................................................................................................ Capítulo 4 ................................................................................................................................................................ Considerações Finais ....................................................................................................................................................... REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................................ APÊNDICE I ................................................................................................................................................................ APÊNDICE II ................................................................................................................................................................ ANEXO I ................................................................................................................................................................ Capítulo 1 O INTÉRPRETE DE LIBRAS E A EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL: PROCESSOS HISTÓRICOS, ATUAÇÃO E LEGISLAÇÃO A educação de surdos no Brasil tem a sua cronologia histórica iniciada em 1855 quando o Ministro de Instrução Pública,_Drouyn de Louys, e o embaixador da França, Monsieur Saint George, junto com a corte do Rio de Janeiro, apresentaram o Conde e Professor surdo, D. E. Huet, ex-diretor do Instituto de Bourges, ao ex-Imperador Dom Pedro II (CAMPELLO, 2011). Conforme documentado, Huet inaugurou a primeira escola de surdos, na época chamada de Imperial Instituto de Surdos-Mudos, hoje conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, fundado no Rio de Janeiro, pela Lei nº 939 de 26 de setembro de 1857 (BRASIL, 1857). Pouco depois da chegada de Huet ao Brasil, na Europa, especificamente em Milão, na Itália, ocorria emblemático o Congresso de Milão. Neste Congresso foram votadas algumas resoluções que desvalorizavam a língua de sinais, tornando-a estigmatizada1 como uma condição de cunho patológico. Dessa forma a educação de surdos se daria exclusivamente por meio da oralização. Na maioria dos países do mundo a língua de sinais foi proibida durante muitos anos em decorrência do Congresso de Milão, um exemplo disso é no Brasil, apenas aoralização era permitida como forma de educação para indivíduos surdos (CARVALHO; NÓBREGA, 2015). Com o passar dos anos e muitos estudos sobre a educação de surdos, constatou-se que a oralização não surtiu grandes efeitos na educação de surdos, e tiveram início os estudos sobre as línguas de sinais, por volta da década de 1960, nos Estados Unidos. No Brasil, os primeiros estudos sobre a língua de sinais e sobre a educação bilíngue datam da década de 1980 (LACERDA, 1998). A Língua de Sinais Brasileira- doravante libras - foi reconhecida pela Lei nº 10.436 de 1Estigmatizada relaciona-se a palavra estigma, que por sua vez é definida por Goffman (1982) como uma discrepância entre a identidade social real de alguém, aquilo que ele é, e a identidade social virtual, o caráter imputado ao indivíduo pelos outros. 24 de abril de 2002 (BRASIL,2002), e regulamentada pelo Decreto nº 5.626 (BRASIL, 2005). Assim, a libras foi reconhecida como meio de comunicação e expressão das comunidades surdas e, a partir daí, os surdos brasileiros conquistaram o direito de aprender a libras como primeira língua, e o português, na modalidade, escrita como segunda. Segundo o Decreto nº 5.626/2005 (BRASIL, 2005), a libras deve ser ministrada como disciplina obrigatória em todos os cursos de licenciaturas no ensino superior, e também nos cursos de fonoaudiologia. Outro ponto importante deste Decreto é sobre o curso de ensino superior Letras – Libras, que garante capacitar profissionais e pesquisadores que irão trabalhar com o ensino da libras e também com a tradução e interpretação da libras. Em 2010, com a Lei nº 12.319 (BRASIL, 2010), a profissão do tradutor e intérprete de Libras/língua portuguesa (TILS) foi reconhecida, o que representou um marco para a educação dos surdos no Brasil. A lei de regulamentação da profissão trouxe para esse grupo profissional diversas orientações e melhorias, tais como atribuições, formação, postura, princípios éticos norteadores e mais abertura de campos de trabalho. Todavia, nessa lei de regulamentação da profissão dos tradutores e intérpretes de libras, não há menção a respeito da saúde ocupacional. Isso faz com que esses profissionais não conheçam as normas e meios de atuação que possam preservar e garantir uma qualidade de vida e trabalho. Há algum tempo, o homem era comparado como um complemento da complexa produção. O homem adaptava-se à máquina ou a função, sem levar em conta os fatores fisiológicos, características individuais, o meio ambiente e várias condições inadequadas de trabalho (SILVA,_2005, p.13). De acordo com Silva (2005), a mentalidade empresarial passa a entender que o trabalho não é apenas um meio de sobrevivência, mas também um local que permite a satisfação física e mental. Esta mudança de paradigma fez com que as empresas percebessem que a mão-de-obra humana é fundamental no sistema de produção, este entendimento culminou com a alteração de conceitos sobre o cuidado para adequação do trabalho em prol do bem estar do trabalhador e de uma melhor e maior produtividade. É importante ressaltar que as discussões e debates sobre Saúde Ocupacional se iniciaram durante a II Guerra Mundial, quando houve uma mudança drástica na sociedade, impulsionada também pelo surgimento das tecnologias (MORAES; MONT’ALVÃO, 2003). A partir de então, essas discussões vêm ganhando cada vez mais espaço na sociedade. As empresas começaram a se preocupar mais com a qualidade de vida dos trabalhadores, e com isso surgiu a ergonomia, como ferramenta que se preocupa com o corpo humano e como ele se adapta ao ambiente, ou seja, como as pessoas adequam-se às suas atividades. Sabemos que o tradutor e intérprete de libras, é o profissional responsável por fazer a mediação da libras para o português e/ou do português para libras. Pagura (2003) explica que apesar de a tradução e a interpretação terem processos semelhantes, ambos são diferentes. Na tradução, o tradutor pode consultar dicionários, sites, enciclopédias, livros e colegas tradutores. Sendo assim, o profissional tem oportunidade de realizar um estudo prévio. Já na interpretação, os intérpretes atuam de forma simultânea, portanto, eles precisam ter raciocínios rápidos para adequar as expressões de um idioma no outro, e fazer as escolhas certas para não alterar o sentido original da frase. Dessa forma, toda tradução em língua de sinais envolve interpretação e toda interpretação envolve tradução. Essas atividades se co- constituem, apesar das diferenças óbvias. Dessa forma o profissional da área de libras atua nas duas frentes, realizando tanto a tradução quanto a interpretação. Entretanto, no ambiente educacional é mais comum que realizam a interpretação, pela própria condição de sala de aula. Independentemente da esfera de atuação, é de suma importância que os tradutores e intérpretes de libras trabalhem em duplas e façam revezamento entre si, de modo a garantir a qualidade da informação e da interação em curso . Porém essa não é a realidade de muitos profissionais. De acordo com Azevedo (2018), intérpretes de libras educacionais atuam diariamente sem revezamentos, visto que a legislação atual não contempla esse aspecto. O revezamento entre duplas de TILS acontece somente em algumas instituições de ensino e normalmente em rede pública, já que na rede particular de ensino para garantir esse revezamento seria necessária a contratação de mais TILS, o que acabaria gerando mais gastos para as empresas - então esse revezamento acaba sendo negligenciado (AZEVEDO,2018,p.23). Diante disso, fica claro que muitos intérpretes educacionais atuam por diversas vezes sozinhos, sem possibilidade de revezamentos em duplas, e isso faz com que sua carga horária de trabalho fique ainda mais extensa e exaustiva. Segundo Guarinello et al. (2017), essa carga horária exaustiva de trabalho pode gerar inúmeros problemas de saúde, pois estão sempre expostos a movimentos repetitivos e contínuos em membros superiores como mãos, pescoço, antebraço, etc. Esses movimentos podem gerar dores e desconfortos, fazendo com que a saúde física desses profissionais seja diretamente afetada. Vale destacar que muitos tradutores e intérpretes de libras que atuam na área educacional, além da carga horária de trabalho exaustiva, não têm um ambiente adequado para trabalho. Bauk (2008) afirma que manipular os braços na horizontal, permanecer em pé ou sentado por longos períodos se caracteriza como trabalho estático e que “além de fadiga e dores musculares, os esforços estáticos repetidos e prolongados podem levar a inflamações, bainhas, e inserções tendíneas, bem como originar sintomas de degeneração articular crônica e problema discais” (BAUK, 2008, p.115). 1.1 Ergonomia Sabe-se que os sujeitos adultos em idade produtiva passam a maior parte do tempo de suas vidas no ambiente de trabalho e seria muito bom se fosse possível transformar este ambiente em algo agradável e saudável, ou seja, um lugar onde se pudesse sentir motivado, realizando as atividades laboral plenamente, com alegria e satisfação. De acordo com Silva (1999), o trabalho diário realizado em condições adversas, com o passar do tempo, pode desencadear o aparecimento de diversos problemas, de saúde física ou mental, o que compromete a atividade realizada por esses trabalhadores. Em função disto, a ergonomia busca estudar e desenvolver normas que visam proporcionar aos trabalhadores um ambiente compatível com as suas necessidades físicas, emocionais e mentais, reduzindo a exposição dos colaboradores a riscos. Masulo e Vidal (2011) falam que: [...] a ergonomia buscou primeiramente entender os fatores humanos pertinentes ao projeto de instrumentos de trabalho, ferramentas e outros apetrechos típicos da atividade humana em ambiente profissional. Mais adiante, buscou-se entender, tabelar, organizar dados sobre os fatores humanos que deveriam ser considerados não apenas para os instrumentos, mas para os projetos de sistemas de trabalho, como as linhas de montagem, as salas de controle, os postos de direção de máquinas (cockpits) e assim por diante. No seu sentido mais contemporâneo, se busca entender os determinantes de uma atividade de trabalho através de contribuições num sentido ainda mais amplo, que incluem a organização do trabalho e os softwares, procedimentos e estratégias operatórias (MÁSCULO;VIDAL, 2011, p.7). Os primeiros registros de ergonomia surgiram na Antiguidade, pois o homem tentava adaptar seu trabalho às suas características físicas. Moraes Mont’alvão (2003) “exemplos de empunhaduras de foices, datadas de séculos atrás que demonstram a preocupação em adequar a forma de pega às características da mão humana, de modo a propiciar mais conforto durante sua utilização”. Percebe-se que essa adaptação permitiu melhor eficiência no trabalho de caça e coleta, otimizou o tempo necessário para executá-lo, além de favorecer a autodefesa dos próprios trabalhadores, já que como afirma Silva (1999, p.8),“na Antiguidade, o conhecimento de doenças e riscos laborais não comportava nenhuma melhoria das condições de trabalho”. As péssimas condições de trabalho e uma carga horária extensa, fizeram com que os trabalhadores do período da Revolução Industrial gerassem as primeiras reações coletivas em defesa dos trabalhadores. Silva (1999, p.9) diz que “frente às condições de exploração laboral durante a Revolução Industrial, os primeiros objetivos de autodefesa coletiva dos trabalhadores foram a limitação do trabalho dos meninos e a redução da jornada de trabalho”. Dessa forma percebe-se que os trabalhadores não tinham nenhuma segurança trabalhista. A respeito das primeiras transformações nesse cenário, Moraes e Mont’alvão indicam que: Algumas mudanças começaram a surgir durante a II Guerra Mundial, pois começaram a perceber que se homem não estiver bem, mesmo com os melhores avanços tecnológicos, estes ficariam sem uso, pois é o homem que avalia e estabelece diante dessas melhorias. Diante disso, diversos profissionais entre eles engenheiros, psicólogos e fisiólogos se uniram buscando um modo de adequação de ambiente, equipamentos e tarefas à “aspectos neuropsicológicos da percepção sensorial (visão, audição, tato), aos limites psicológicos de memória, atenção e processamento de informações, as características cognitivas de seleção de informações, resolução de problemas e tomada de decisões, a capacidade fisiológica de esforço (MORAES; MONT’AVÃO, 2003, p.8). No Brasil, no dia 1º de maio de 2023, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) completou 80 anos de existência. Criada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, a CLT foi um marco na história do direito trabalhista brasileiro, estabelecendo direitos e deveres para empregadores e trabalhadores e criando normas para a relação de trabalho. De acordo com Galvão (1981) a CLT tem um papel muito importante, destacam-se a garantia de direitos trabalhistas essenciais, como o salário-mínimo, o décimo terceiro salário, a jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 horas semanais, férias remuneradas, licença- maternidade, entre outros. A CLT também estabeleceu normas de segurança e saúde no trabalho, criando condições para a proteção dos trabalhadores. Segundo Moraes e Soares (1989) as primeiras vertentes de implantação da ergonomia no Brasil ocorreram juntamente às engenharias e ao design, sem aplicação experimental. Na Universidade de São Paulo (USP) localizada no município de Ribeirão Preto e na Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, duas novas abordagens passaram a ser aplicadas com base no enfoque da psicologia, sendo respectivamente o desenvolvimento de pesquisas experimentais sobre o comportamento de motoristas e trabalhos com ênfase nas análises sociotécnicas. Com aumento da produção industrial as doenças e acidentes de trabalhos também aumentaram. Percebeu-se que a medicina paliativa2 não seria o suficiente para dar ao trabalhador a qualidade de vida necessária, de modo que surgiu o conceito de saúde ocupacional. Desde 1950, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) compartilham uma definição comum de saúde ocupacional. Foi adotado pelo Comitê Conjunto de Saúde Ocupacional da OIT / OMS em sua primeira sessão em 1950 e posteriormente revisado em sua décima segunda sessão em 1995 (CESO, 2021). O foco principal na saúde ocupacional estaria em três objetivo, a saber: (i) a manutenção e promoção da saúde e da capacidade de trabalho dos trabalhadores; (ii) a melhoria do ambiente de trabalho e trabalho para se tornar propício para a segurança e saúde e (iii) o desenvolvimento de organizações de trabalho e culturas de trabalho numa direção que apoie a saúde e segurança no trabalho e, ao fazê-lo, promove também um clima social positivo e um bom funcionamento e pode aumentar a produtividade das empresas. O conceito de cultura de trabalho pretende, neste contexto, significar um reflexo dos sistemas de valores essenciais adotados pela empresa em causa. Tal cultura traduz-se na prática nos sistemas de gestão, política de pessoal, princípios de participação, políticas de formação e gestão da qualidade da empresa (CESO, 2021,online). A respeito dos objetivos da saúde ocupacional, a Conferência Internacional do Trabalho (1958) elenca: I-)a promoção e manutenção do mais alto grau de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as ocupações; II-) a prevenção entre os trabalhadores dos afastamentos da saúde causados por condições de trabalho; III-) a proteção dos trabalhadores em suas emprego de riscos decorrentes de fatores adversos à saúde; IV-) a colocação e manutenção do trabalhador em um ambiente ocupacional adaptado às suas capacidades fisiológicas e psicológicas; e, V-) em suma, a adaptação do trabalho ao homem e de cada homem ao seu emprego. A prevenção dos acidentes de trabalho é alcançada com o estudo e a aplicação de medidas técnicas e de recursos que oferecem a saúde ocupacional. Entende-se por saúde ocupacional, pois, os ensinamentos, recomendações e instruções que visam à proteção da vida e da saúde dos trabalhadores e é produto conjunto do trabalho de uma série de integrantes de diversos ramos do saber, como médicos, advogados, sanitaristas, psiquiatras, físicos, engenheiros etc. A saúde ocupacional implica, outrossim, recuperar os trabalhadores que tenham sido vítimas de um infortúnio, dando-lhes a possibilidade de voltar a trabalhar na mesma ou em 2 Área da medicina que trabalha em um campo e conjunto de práticas que têm como objetivo proteger as pessoas do sofrimento trazido por doenças difíceis e que ameaçam a vida. outras tarefas, conferindo-lhes um tratamento humanitário (BRASIL, 2003.p.227). 1.2 A saúde ocupacional do Intérprete Educacional No dia 1º de setembro de 2010 foi regulamentado o exercício da profissão de Tradutor intérprete de Língua Brasileira de Sinais e a profissão Tradutor/Intérprete de Libras (Lei no 12.319/2010). É possível afirmar que, desde a promulgação da Lei de Libras, houve um aumento significativo da demanda por tradutores e intérpretes de Libras/Português, principalmente no ambiente educacional. De acordo com Azevedo (2018), como já mencionado anteriormente, os TILS que trabalham no ambiente escolar diariamente atuam sem revezamentos em duplas, pois a legislação atual não contempla a saúde física desses profissionais. Segundo Guarinello (2017) , quando o tradutor e intérprete de Libras atua sozinho por um longo período isso pode gerar diversos problemas físicos, dentre estes, as lesões por esforço repetitivo (LER) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), que conforme a Instrução Normativa INSS/DC nº 98/2003 são classificadas como síndromes relacionada ao trabalho, caracterizadas pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de peso, fadiga, de aparecimento insidioso, geralmente nos membros superiores, mas podendo acometer membros inferiores. De acordo ainda com a Instrução Normativa INSS/DC nº 98/2003, frequentemente as LER/ DORT são causa de incapacidade laboral temporária ou permanente resultante da combinação da sobrecarga das estruturas anatômicas do sistema osteomuscular com a falta de tempo para sua recuperação. Assim a necessidade de concentração e atenção do trabalhador para realizar suas atividades e a tensão imposta pela organização do trabalho, são fatores que interferem de forma significativa para a ocorrência das LER/DORT (BRASIL, 2003). Em relação ao exercício laboral do tradutor e intérprete de Libras, estes estão expostos constantemente a várias intempéries como, por exemplo, movimentos repetitivos e constantes em membros superiores, como pescoço, mão, antebraço etc. Tais movimentos podem causar dores e esforços repetitivos, os quais afetam diretamente a qualidade de vida desses profissionais. Capítulo 2 Percurso Metodológico Este trabalho teve como objetivo investigar a saúde física dos Tradutores e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais Libras/ Língua Portuguesa que atuam no espaço escolar problematizando as condições de trabalho e possíveis problemas de saúde que podem ser apresentados por esses profissionais em decorrência de condições de trabalho. Para tal, optou-se nesta investigação por adotar a pesquisa qualitativa e exploratória definida por Gil (2002, p. 41) da seguinte forma : A pesquisa qualitativa e exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilita a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado ( GIL. 2002, p. 41). O autor ainda expõe que as pesquisas exploratórias devem envolver um levantamento bibliográfico, entrevistas com profissionais e/ou pessoas que vivenciaram práticas acerca do tema a ser estudado, e análises de fatos/casos que visem a compreensão do contexto proposto (GIL, 2002). Como objetivos específicos foram propostos: I- avaliar a estrutura ergonômica dos profissionais intérpretes de Libras que atuam na educação básica bem como o apoio de saúde suplementar para tratamentos oferecido a esses profissionais; II- analisar o nível de autonomia desse profissional para ajustes/melhorias da estrutura de seu trabalho; III- investigar como é a atenção à saúde por parte das autoridades e chefias desses profissionais intérpretes. A respeito da coleta de dados, foi feito o uso de questionários online. De acordo com Marconi e Lakatos (2003) e Gil (2002) este instrumento apresenta algumas vantagens, tais como a obtenção de um grande número de dados, economia de tempo e maior abrangência de público. Por se tratar especificamente de um instrumento a ser divulgado online, possibilita, ainda, maior alcance aos possíveis participantes. Desta forma, o instrumento de coleta de dados foi o questionário online no qual constaram quatros perguntas fechadas e dezesseis perguntas abertas sobre o tema da investigação. As perguntas versam sobre questões relativas à saúde física dos Tradutores e Intérpretes de Libras, que atuam em escolas da rede pública no Estado de São Paulo e a sua relação com o trabalho. Os temas foram abordados buscando compreender a dinâmica da estrutura ergonômica a que estes profissionais estão sujeitos. Para isso, as questões foram produzidas buscando alcançar dados sobre o apoio de saúde suplementar oferecido a esses profissionais, o nível de autonomia profissional para ajustes/melhorias da estrutura do trabalho e a atenção à saúde por parte das autoridades e chefias desses profissionais intérpretes. Foi utilizado o Google Forms, uma extensão das ferramentas oferecidas gratuitamente aos detentores de contas Gmail para a criação do formulário com as questões. As perguntas utilizadas no questionário podem ser encontradas no Apêndice I. Após a formulação do questionário, a fim de verificar a adequação do instrumento antes de sua aplicação junto aos sujeitos da pesquisa, foi realizada uma aplicação “piloto”, uma fase de teste. Sobre a análise dos dados coletados, esta etapa da investigação ocorreu de acordo com os eixos emergidos a partir dos dados gerados das respostas dos participantes no questionário online. Esses eixos foram analisados à luz da legislação que orienta o trabalho dos TILS e estudos que abordam a saúde física de Tradutores e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras)/Língua Portuguesa (TILS) que atuam no espaço escolar. A proposta da investigação objetivou inicialmente o alcance de 30 profissionais tradutores e intérpretes de Libras/Língua Portuguesa que atuassem no espaço educacional há pelo menos 2 anos, preferencialmente no Ensino Fundamental, no Estado de São Paulo. Os sujeitos foram convidados a participar da investigação por meio de chamadas realizadas em redes sociais e e-mails, em uma amostra por conveniência, onde foram expostos os objetivos e a metodologia da pesquisa. Havendo o aceite do participante, foi enviado o projeto e o Termo de Consentimento e Livre Esclarecido (TCLE), e após a devolução deste último devidamente preenchido e assinado, foi encaminhado o questionário online constando de 16 (dezesseis ) perguntas relacionadas ao trabalho em sala de aula e questões ergonômicas e de saúde física do TILS. Para coleta dos dados obtidos no questionário online foi dado um prazo de vinte dias para que os profissionais manifestassem interesse em participar do questionário. Apenas 16 (dezesseis) TILS responderam o questionário, contudo seis (06) desses participantes não atendiam um dos critérios de inclusão desta investigação, trabalhar no estado de São Paulo.. Desta forma, fizeram parte deste estudo dez (10) TILS que atuam no espaço escolar em São Paulo. O Quadro 1 a seguir apresenta uma síntese do perfil dos participantes desse estudo. Quadro 1: Perfil dos participantes Participantes Sexo Idade Formação Trabalho semanal P1 Mulher 29 Ensino médio completo 32h P2 Homem 22 Ensino médio completo 28h P3 Mulher 25 Bacharela em Tradução e Interpretação em Libras/Língua Portuguesa 40h P4 Mulher 45 Pedagogia e Pós-graduação em educação especial com ênfase em libras 32h P5 Mulher 34 Administração de empresas e Tradução e interpretação em Libras 35h P6 Mulher 28 Tradução e Interpretação em Libras e Língua Portuguesa; Mestrado em Educação Especial 40h P7 Mulher 40 Capacitação em tradução e interpretação na esfera educacional 40h P8 Mulher 24 Tradução e Interpretação de Libras/ Português 40h P9 Mulher 27 Tradução e Interpretação de Libras/ Português 40h P10 Mulher 48 Graduação em Letras, Certificação Prolibras, Especialização em Deficiência Visual e Surdez e, em Educação Especial Inclusiva. 20h Fonte: autoria própria A respeito dos aspectos éticos, o compromisso com a pesquisa pautou-se na promoção de um estudo que considerou a ética na pesquisa, o respeito pela dignidade humana e proteção devida aos participantes. As resoluções que dispõe sobre as normas éticas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais foram referenciais deste estudo. A pesquisa foi cadastrada na Base Nacional Unificada de Registros de Pesquisas, Plataforma Brasil, com CAAE 67646223.1.0000.5504; e submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos, tendo o parecer n.º 5.999.232 favorável. Os resultados e análises foram elaborados a partir das respostas ao formulário, considerando a estrutura ergonômica dos profissionais intérpretes de Libras. Dessa forma, os dados foram organizados a partir dos seguintes eixos: carga horária laboral; o auxílio para cuidar da saúde física; autonomia profissional para ajustes/melhorias da estrutura do trabalho. No capítulo seguinte serão trazidos recortes e trechos das respostas dos participantes para discussão, a partir da teoria apresentada no capítulo 1 desta pesquisa. Capítulo 3 Resultados e discussão 3.1. Carga horária laboral Os resultados mostram que 50% dos entrevistados trabalham 40 horas semanais na área da educacional, 30% trabalham mais de 32 horas semanais e 20% trabalham mais de 20 horas. Quando questionados se possuíam algum tipo de LER ou DORT associado com o trabalho como intérprete educacional ou algum tipo de distúrbio adquirido devido à atuação, o grupo que trabalha 40 horas semanais relatou intercorrências na saúde física e mental, conforme se observa nos trechos a seguir: P3- “Sendo bem sincera, não está boa, nem a saúde física e muito menos a emocional. Ser intérprete é muito exaustivo, mas na área educacional é muito mais. Ficar 5 horas direto dentro da sala de aula, o barulho, as condições da sala, a falta de intérprete de apoio, dificuldades de contato com alguns professores, dentre outros pontos, tudo acaba nos afetando de alguma forma. Percebi que, depois que comecei a trabalhar na escola comecei a ficar doente com mais frequência, dores na região dos ombros, costas e punho, dores de cabeça também, sem falar nas crises de ansiedade. ” P6-“Minhas saúdes físicas e emocionais atualmente estão boas, quando atuava apesar das condições físicas, tinha questões emocionais.” P7-“Emocional bem pesada, pois são muitas responsabilidades e estresse no dia a dia. Por estar numa sala com vários alunos além dos surdos e os nossos surdos terem deficiência associada. O estresse muitas vezes acaba deixando uma dor de cabeça além de cansaço físico.” P8-“Física, no esperado. Pelo esforço repetitivo de movimentos das mãos e punho, desenvolvi dores nesses locais, bem como nas costas pela má postura (por não prestar atenção no corpo, e sim focar na interpretação, acabei me descuidando disso). Emocional, bem mais desgastado do que esperava. A realidade da escola, escassez e luta por recursos, e as demandas dos alunos, gera muito estresse, desânimo, esgotamento… o que vai se esvaindo com os avanços dos alunos nas disciplinas, alguma conquista para nossa comunidade… é uma montanha russa.“ P9-“Física, sinto um pouco cansada, principalmente em dias que tem matérias mais "pesadas" (geografia, ciências e história). O emocional está abalado, vivemos dentro de uma rede pública que falta a estrutura adequada para os alunos e isso infelizmente acaba afetando um todo... No sentido de pedidos aos professores sobre adaptações e às vezes (quase sempre) não acontecer... É bem desgastante o trabalho dentro de sala de aula.” Podemos observar que a P3 e a P7 relataram que a saúde física está bem desgastada, pois ficar dentro de uma sala com barulho em excesso acaba gerando o cansaço emocional como estresse, dores de cabeças e crises de ansiedade. P3 ainda relata que depois que começou a trabalhar notou que ficava doente com mais facilidade do que anteriormente, quando não trabalhava. P9 diz que sente a sua saúde física um pouco cansada, principalmente nos dias em que precisa interpretar disciplinas como geografia, ciências e história, pois essas disciplinas são mais densas e cansativas. E ainda destaca as dificuldades do trabalho na rede pública, onde a estrutura deixa a desejar. A P8 diz que pelo movimentos repetitivos acabou desenvolvendo dores locais como nas mãos, punho e nas costas devido à má postura do corpo, e ainda diz que a saúde mental está bem desgastada pois lidar com a realidade da escola não é fácil. Além disso, algumas profissionais relataram que, quando necessário, precisam atender demandas de outros lugares, fazendo a sua rotina ainda mais intensa e cansativa, por exemplo: P3- “Sou intérprete educacional da prefeitura, fico a maior parte do tempo em uma escola, mas se necessário preciso atender demandas em outros lugares também, tanto de manhã quanto à tarde.” P10- “Atualmente, em Sala de Recursos com Surdos (20 horas aulas semanais), esporadicamente com interpretação particular e também, finais de semana de 3 a 6 horas (no final de semana).” P8 e P9 disseram que já foram convidadas a trabalhar em mais de período, mas devido ao cansaço não aceitaram: P8- “Trabalho apenas em uma escola, por ser 40h semanais, não consigo assumir outra escola. Fui convidada para trabalhar à noite em outra escola, mas não aceitei justamente pelo cansaço.“ P-9”Esse ano estou trabalhando apenas em uma escola, no ano passado trabalhei em duas e acabei ficando muito exausta. (No fim do dia não conseguia nem raciocinar direito) .” Nota-se, diante dos relatos apresentados, que a intensa carga horária de trabalho, associada ao barulho do ambiente no trabalho, a falta de descanso, ou mesmo os baixos salários, podem provocar inúmeros problemas de saúde ao TILS, sendo estes físicos e/ou emocionais. Conforme aponta Azevedo (2018), é impreterível a promoção de tempo de descanso aos TILS, visto que esses profissionais, em sua maioria, atuam sozinhos, sem a opção de revezamento. A autora afirma ainda, que boa parte dos erros, equívocos ou trabalhos mal realizados podem ser decorrentes do cansaço e que é preciso estar atento a esses sinais. O poder público deveria promover ações nesse sentido, visando a qualidade de vida e trabalho do TILS. Além disso, faz-se necessário lembrar que uma interpretação equivocada ou mal feita no espaço educacional pode ter consequências outras, que vão além do prejuízo de saúde do profissional, que são o impacto direto nos processos de aprendizagem do aluno surdo, público que recebe o serviço de interpretação. A ação de traduzir e interpretar envolve processos linguísticos altamente complexos e por isso demanda do profissional tradutor intérprete uma intensa atividade mental e atenção constante durante todo o processo tradutório. Durante a atividade tradutória, qualquer distração, por mínima que seja do tradutor, pode resultar na perda de informação na língua alvo ou em uma mensagem errada (AZEVEDO, 2019, p.25). Sabe-se ainda que para cumprir a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015) e outras anteriores sobre acessibilidade, às instituições de ensino com estudantes surdos buscam pelo serviço dos TILS, contudo, de acordo com França e Souza (2021), é um desafio para esses estabelecimentos educacionais terem tradutores e intérpretes em número satisfatório. Essa falta de acessibilidade, revelaria de acordo com estes autores, uma política silenciosa que exclui, de saída, o ingresso e a permanência de estudantes surdos (FRANÇA; SOUZA,2021). Como o número de tradutores e intérpretes é insuficiente para atender a demanda da inclusão, o que se tem, quando se tem, são profissionais solitários em longas jornadas, que descansam apenas no intervalo da turma, em uma rotina em que, além de traduzirem, também ensinam. Essa situação precária de trabalho acaba por levar ao adoecimento do profissional impactando também diretamente nos processos de aprendizagem do aluno surdo. França e Souza (2021) afirmam ainda, que o aspecto salarial é um ponto que também merece destaque, uma vez que é variável devido ao fato de que a sua definição está a cargo das instituições empregadoras que são, normalmente, arbitrárias em relação ao que é regulamentado pelas instituições que representam essa classe profissional. Esse fator acaba contribuindo para que esses profissionais busquem outros meios de complementação salarial, o que os sobrecarrega e precariza ainda mais suas rotinas de trabalho. 3.2. O auxílio para cuidar da saúde física Todos os profissionais relataram que não recebem nenhum tipo de auxílio para cuidar da saúde física e também não possuem muitas orientações de como cuidar do corpo durante uma interpretação. Algumas pessoas disseram que sempre que havendo possibilidade tentam se alongar durante a interpretação, porém nem sempre conseguem fazer corretamente: P3- “Procuro sempre me alongar antes de realizar qualquer função, seja tradução ou interpretação, mas, na maioria das vezes isso acaba passando batido e eu não faço.” P4- “Alongamento” P5- “Quando lembro alongamento.” P6- “Atividade física constante e alongamentos.” P7- “Me alongo todo dia de manhã,pois trabalho bastante sentada e tenho lordose.” P8- “Uso de munhequeira quando há crise, e exercícios de alongamento.” P9-” Praticar exercícios “ P10- “Ainda não faço nenhum tipo de cuidado. A não ser, usar mão esquerda como mão dominante, para aliviar o prejuízo da mão direita.” Constatou-se, enfim, que todos os participantes relataram não receber nenhum tipo de auxílio para cuidar da saúde física; os tradutores e intérpretes de Libras estão constantemente expostos a vários movimentos repetitivos nos membros superiores, como pescoço, mão, antebraço e coluna etc. Esses movimentos podem causar dores diversas, o que acaba afetando diretamente na qualidade de vida desses profissionais. Fundamental prevenir a saúde dos tradutores e intérpretes de língua de sinais e conhecer as causas patológicas mais comuns adquiridas no exercício dessa profissão, que, em geral, variam desde lesões em tendões, músculos e articulações, principalmente dos membros superiores, ombros e pescoço, até a manutenção de posturas inadequadas o que resulta em dor, fadiga e declínio do desempenho profissional (GUARINELLO, 2017, p. 464). Ainda de acordo com Guarinello (2017) é possível verificar na legislação que a DORT, antiga LER, tem sido apontada como doença de saúde pública em muitos países industrializados. Essas lesões acontecem devido á sobrecarga no sistema osteomuscular. O autor ainda cita que os DORT podem ser desencadeados por vários fatores físicos e também psicossociais. Para os tradutores e intérpretes de Libras DORT se manifesta devido aos movimentos repetitivos excessivos; força muscular exagerada; postura prolongada ou incorreta; condicionamento físico insuficiente. Sabe-se que a profissão do tradutor e intérprete de Libras, bem como sua regulamentação, é ainda recente em nosso país (BRASIL, 2010), todavia já existem orientações sobre a necessidade de revezamento profissional, bem como cuidados específicos com a saúde, visando minimizar doenças ou lesões ao TILS, conforme expõe a nota técnica Nº 02/2017 da FEBRAPILS (Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes de Língua de Sinais). A atuação do intérprete e do guia-intérprete na interpretação simultânea e consecutiva por longos períodos de tempo o expõe a sobrecarga de trabalho, podendo resultar em lesões físicas por esforço repetitivo. A Norma Regulamentadora – Ergonomia publicada pelo Ministério do Trabalho (NR17–Ergonomia) em 1990, que visa regulamentar e estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente, estabelece no item 17.6.3 que devem ser incluídas pausas, “nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores”. Esse intervalo deve ocorrer quando os intérpretes atuam em equipe e realizam o revezamento na produção da interpretação [...] (FEBRAPILS, 2017, p. 2) Deste modo, compreendemos que as instituições de ensino devem começar a ter mais atenção a estes aspectos, caso contrário, com o passar dos anos, perderão profissionais de qualidade devido à negligência com a saúde dos trabalhadores e intérpretes. 3.3 Autonomia profissional para ajustes/melhorias da estrutura do trabalho É notório que 70% dos profissionais estão sempre tentando praticar alguma atividade física para aliviar novas possíveis lesões, P3 sempre que lembrar tenta fazer alongamentos, mas às vezes acaba passando despercebido. A P5 e a P6 contam praticar alongamentos. A P7 relata que se alonga todos os dias, porque trabalha sentada e tem lordose. P8 diz que além das atividades físicas também faz o uso da munhequeira quando a sente dores constantes. A P10 explica que não tem nenhum tipo de cuidado, porém tenta usar a mão esquerda como dominante para aliviar os prejuízo da mão direita. Aos entrevistados foram questionados se eles têm autonomia para organizar e alterar mudanças no ambiente de trabalho, 5 (cinco) pessoas responderam que não, a P5 relatou que nunca precisou solicitar nenhuma tipo de melhoria na escola a qual trabalha e 4 ( quatro) pessoas, disseram que têm autonomia e sempre que necessário conversa com a gestão da escola para solicitar uma possível melhoria: P1- “Não” P2- “ Não” P3- “Sempre tentamos adaptar nossa realidade para a melhor forma possível, procurando cadeiras mais confortáveis, por exemplo, mas como temos tentado trabalhar em apoio e por diversos outros motivos, às vezes acabamos utilizando a mesma cadeira que os alunos, que é bem desconfortável por sinal. Gostaria de ter mais autonomia nesse sentido, para poder conseguir melhores condições.” P4- “Sim, em reuniões com a coordenação da escola.” P5- ”Nunca precisei, mas acredito que se necessário sim.” P6-”Não” P7-”Não” P8- ”Sim. Conversando com a gestão da escola, foi solicitado cadeiras mais confortáveis para realizar a interpretação em sala de aula e também na sala de gravação edição, por passar muitas horas sentada” P9- “Sim, recentemente conseguimos trabalhar em apoio durante as aulas.’ P10- “Não” Podemos observar que 50% dos profissionais relataram não ter autonomia para melhorar seu ambiente de trabalho de maneira que eles possam se sentir mais confortáveis visando a saúde física e 40% diz que têm autonomia para melhorar como a P8 que conseguiu cadeiras melhores para realizar as interpretações em sala de aula, e P9 diz que recentemente está trabalhando com apoio durante as aulas. Percebe-se que algumas instituições de ensino não têm buscado oferecer condições mínimas para que os TILS possam trabalhar com um pouco mais de conforto, visto que grande parte dos entrevistados relatou que não tem autonomia para modificar seu ambiente de trabalho. Sendo assim, os tradutores e intérpretes de Libras ficam ainda mais expostos a desenvolver algum tipo de problema de saúde, seja física ou até mesmo mental. De acordo com Peixoto (2011), o empregador deve adaptar o trabalho ao homem, para minimizar e prevenir acidentes de trabalho e adoecimento de seus colaboradores, proporcionando dessa forma maior produtividade e a melhor qualidade de vida para seus trabalhadores. É importante o empregador sensibilizar-se quanto aos fatores que influenciam na saúde do trabalhador, para que sejam realizadas intervenções visando a melhor qualidade de vida, e desempenho ocupacional desses sujeitos, uma vez que o local de trabalho pode trazer riscos ocupacionais que interferem no desempenho da atividade laboral e acarretar prejuízos para a saúde do trabalhador. Guarinello (2017) afirma ainda que é importante que os profissionais intérpretes de Libras reconheçam os limites do seu próprio corpo, a fim de utilizá-los com melhor aproveitamento. Sendo assim, essa consciência corporal permitirá que esses profissionais tenham uma melhor qualidade de vida. Por isso seria de suma importância que esses profissionais pudessem ter mais autonomia no local de trabalho, pois assim permitiria TILS um espaço um pouco mais confortável para desenvolver a sua função. Capítulo 4 Considerações Finais Os dados obtidos na investigação mostraram que a estrutura ergonômica dos profissionais tradutores e intérpretes de Libras que atuam na educação básica é inadequada. Além disso, não há apoio de saúde adequado para tratamentos destinados a esses profissionais. Os relatos dos participantes revelaram uma grande insatisfação em relação à saúde física e às condições de trabalho, que foram descritas como precárias. A pesquisa evidenciou que as instituições educacionais não têm colaborado com a saúde ocupacional do tradutor e intérprete de Libras, visto que 50% dos profissionais relataram que não tem autonomia para fazer adaptações em sala de aula visando a qualidade de vida desses profissionais, diante disso estão cada vez mais expostos a desenvolver problemas físicos e psicológicos. Os resultados ainda demonstraram que grande parte dos profissionais sentem- se cansados e sem energia para trabalho de interpretação em sala de aula, isso acontece porque os profissionais entrevistados relataram que têm uma carga horária semanal de 40 horas. O nível de autonomia desse profissional para ajustes/melhorias da estrutura de seu trabalho é insatisfatório. Os dados demonstram até determinado ponto uma certa autonomia, contudo essa autonomia se dá por conta do descumprimento do empregador com relação à responsabilidade de buscar alternativas para minimização e prevenção do adoecimento de seus colaboradores, transferindo para eles a responsabilidade por seu próprio cuidado do ambiente de trabalho. Desse modo, as informações trazidas pelos participantes demonstram que há negligência com relação à saúde e desempenho do profissional TILS e que a longo prazo essas negligências podem trazer prejuízos graves. É de extrema importância, portanto, que as instituições de ensino e o poder público, bem como as associações e federações de TILS, estejam atentos a estas questões, visando trazer melhorias ao trabalho deste profissional, haja vista que o profissional TILS está cada vez mais presente nas salas de aula, sendo cada vez mais necessário para proporcionar acessibilidade linguística do aluno surdo no sistema educacional do nosso país. Dito isso, não se pode mais admitir a invisibilidade das dificuldades e riscos ocupacionais enfrentados por esse profissional. Espera-se, com este estudo, colaborar não apenas para a divulgação da necessidade de se pensar sobre a saúde do profissional TILS, mas de discutir tais questões ainda em sua formação, visando seu preparo para entrar no mercado de trabalho e cuidados básicos ergonômicos. REFERÊNCIAS AZEVEDO, Lúcia. Saúde Ocupacional e Ergonomia na atuação do Tradutor Intérprete de Libras. 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Google Forms. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Google_Forms. Acesso em: de 18 julho de 2023. APÊNDICE I QUESTIONÁRIO ON-LINE Nome da pesquisa: “ Saúde física do Tradutor e Intérprete de Libras na esfera educacional” Objetivo: Essa pesquisa tem como principal objetivo investigar como está a saúde física dos Tradutores e Intérpretes de Libras (TILS) que atuam em escolas da rede pública no Estado de São Paulo. Todas as respostas são sigilosas e os dados vão como anônimos para a pesquisa. A resposta dissertativa não precisa ser longa, apenas trazer informações, mas relevante. Qualquer dúvida você pode entrar em contato com uma pesquisadora responsável. Obrigada pela participação!! * Obrigatório 1. Nome ( opcional e em nenhum momento será usado para dados) 2. E-mail 3. Idade 4. Formação acadêmica 5 . tempo trabalha como intérprete 6. Carga horária semanal destinada ao trabalho como intérprete educacional 7.Possui ou já possuiu algum tipo de LER (Lesão por Esforço Repetitivo) ou DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) associado com o trabalho como intérprete educacional? 8 - Se sua resposta anterior foi “SIM”, responda as questões 8.1, 8.2, 8.3: 8.1. Quais tipos de distúrbios foram adquiridos devido à atuação? 8.2. Você faz ou fez algum tratamento médico? ( ) Sim ( ). Não 9. Quais cuidados você tem para evitar novas lesões ? 10- Você fez/faz algum tratamento médico? 11- Você recebe algum auxílio da instituição que trabalha para cuidar da sua saúde? 12.. Você tem autonomia para organizar e alterar mudanças no seu ambiente de trabalho? Se sim, como isso ocorre? 13- Na sua opinião como está a sua saúde física e emocional? 14- Atualmente como é sua jornada de trabalho? Você trabalha em mais de uma escola? 15. Você conhece algum apoio de saúde suplementar para tratamentos destinados aos profissionais que trabalham como intérprete educacional, se sim, quais? 15.1. Você já recebeu algum desses tratamentos, quais? 16. Você já recebeu algum tipo de orientação sobre aspectos de saúde relativos a seu trabalho como intérprete educacional no seu trabalho, se sim, quais? APÊNDICE II TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Você está sendo convidado (a) a participar da pesquisa sobre “A saúde física do Tradutor e Intérprete de Libras na esfera educacional”, sob a responsabilidade da aluna Ana Luiza dos Santos da Silva, regularmente matriculada no Curso de Bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras (LIBRAS)/Língua Portuguesa, sob orientação da Profa. Dra. Lara Ferreira dos Santos, docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Essa pesquisa tem como principal objetivo investigar como está a saúde física dos Tradutores e Intérpretes de Libras (TILS) que atuam em escolas de rede pública no Estado de São Paulo. Esta pesquisa é de suma importância, visto que ainda há poucos estudos sobre a saúde física do TILS, e sabemos da importância desses profissionais dentro das escolas, pois são eles os responsáveis pela acessibilidade de alunos surdos. Você foi selecionado (a) para participar da pesquisa, pois faz parte da população escolhida para a mesma, que se trata de tradutores e intérpretes de Libras, que atuam em escolas de rede pública no estado de São Paulo. Esta pesquisa será voltada para profissionais que atuam ou já atuaram (nos últimos dois anos) em salas de aula com alunos surdos no ensino fundamental. Queremos saber como está a sua saúde física, porque sabemos que muitos TILS têm uma carga horária de trabalho extensa, pois trabalham sem revezamentos entre duplas e também em lugares pouco adequados, o que acaba gerando diversos problemas de saúde. Sua participação deverá ser voluntária e não é obrigatória. A participação no estudo não acarretará custos para você e não será disponível nenhuma compensação financeira adicional. Você poderá interromper a participação na pesquisa a qualquer momento, anulando o presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A sua recusa em participar da pesquisa não envolverá prejuízos ou comprometimentos na relação com a pesquisadora ou com a instituição responsável. Esta pesquisa envolve o seguinte procedimento: 1. Questionário, enviado por meio eletrônico, com perguntas objetivas e também dissertativas sobre sua jornada de trabalho dentro da escola (sem que a mesma seja identificada). A sua participação, portanto, consistirá em participar desses procedimentos, respondendo ao questionário. Os possíveis riscos envolvidos na pesquisa durante a realização estão relacionados ao conforto dos participantes e os possíveis constrangimentos. Para amenizar essas possibilidades algumas medidas serão tomadas: prazo amplo para responder ao questionário; contato da pesquisadora para esclarecimento de dúvidas; garantia de anonimato; interrupção da participação na pesquisa. Caso haja algum dano a sua pessoa, os prejuízos serão assumidos pelos pesquisadores. As informações e resultados obtidos por meio dessa pesquisa serão informados a mim e poderão se tornar públicos, mediante a publicação de relatórios e trabalhos científicos, sem que a minha identidade seja revelada. Os dados coletados serão tratados de forma sigilosa, assegurando o anonimato e a não identificação dos participantes,sendo utilizados nomes fictícios. Receberei uma via deste termo, no qual deverá constar o nome, o telefone e o endereço do pesquisador principal para que eu possa tirar eventuais dúvidas sobre o projeto, além do nome telefone e endereço da orientadora dessa pesquisa. Poderei solicitar tais esclarecimentos a qualquer momento ou em qualquer fase da pesquisa. Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios da pesquisa e concordo com minha participação. A pesquisadora me informou que o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UFSCar que funciona na Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos,localizada na Rodovia Washington Luiz, Km. 235 - Caixa Postal 676 - CEP 13.565-905 - São Carlos - SP – Brasil. Fone (16) 3351- 8110. Endereço eletrônico: cephumanos@power.ufscar.br . São Carlos, _____ de __________________ de 202__. Participante da pesquisa: _____________________________ __________________________________ Nome Assinatura ANEXO I 1