UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GENÉTICA E EVOLUÇÃO ANÁLISES FILOGEOGRÁFICAS DE EXAERETE SMARAGDINA (Guérin-Méneville, 1845) (HYMENOPTERA, APIDAE, EUGLOSSINI) E SUA HOSPEDEIRA EULAEMA NIGRITA (Lepeletier, 1841) (HYMENOPTERA, APIDAE, EUGLOSSINI) E O STATUS DE EXAERETE LEPELETIERI (Oliveira & Nemésio, 2003). Otávio Lino e Silva SÃO CARLOS 2009 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GENÉTICA E EVOLUÇÃO ANÁLISES FILOGEOGRÁFICAS DE EXAERETE SMARAGDINA (Guérin-Méneville, 1845) (HYMENOPTERA, APIDAE, EUGLOSSINI) E SUA HOSPEDEIRA EULAEMA NIGRITA (Lepeletier, 1841) (HYMENOPTERA, APIDAE, EUGLOSSINI) E O STATUS DE EXAERETE LEPELETIERI (Oliveira & Nemésio, 2003). Otávio Lino e Silva Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Genética e Evolução da Universidade Federal de São Carlos como parte dos requisitos para a obtenção do Título de Mestre em Genética e Evolução, Área de Concentração: Genética e Evolução. Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Del Lama SÃO CARLOS 2009 Ficha catalográfica elaborada pelo DePT da Biblioteca Comunitária da UFSCar L758af Lino e Silva, Otávio. Análises filogeográficas de Exaerete smaragdina (Guérin- Méneville, 1845) (Hymenoptera, Apidae, Euglossini) e sua hospedeira Eulaema nigrita (Lepeletier, 1841) (Hymenoptera, Apidae, Euglossini) e o status de Exaerete lepeletieri (Oliveira & Nemésio, 2003) / Otávio Lino e Silva. -- São Carlos : UFSCar, 2009. 57 f. Dissertação (Mestrado) -- Universidade Federal de São Carlos, 2009. 1. Genética de populações. 2. Genética. 3. Abelha. 4. Parasitismo. 5. Evolução. I. Título. CDD: 575.15 (20a) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GENÉTICA E EVOLUÇÃO Análises tilogeográticas de Exaerete smaragdina (Guérin-Méneville, 1845) (Hymenoptera, Apidae, Euglossini) e sua hospedeira Eu/aema nigrita (Lepeletier, 1841) (Hymenoptera, Apidae, Euglossini) e o status de Exaerete /epe/etieri (Oliveira & Nemésio, 2003) Dissertação de Mestrado de Otávio Uno e Silva Banca Examinadora Prat. Dr. Reinaldo Alves de Brito Prat. Dr. Marco Antonio Dei Lama Prof. Dr. Fernando Amaral da Silveira "Um homem precisa viajar por sua conta (...) Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu (...)" Amyr Klink Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses. Sócrates Dedico este trabalho aos meus pais, Nilson e Lúcia, e aos meus irmãos, Gabriel e Gustavo. A eles, pelo amor e pela paciência. Agradecimentos Eis a parte mais importante deste trabalho. Sem estas pessoas, individualmente ou no conjunto, muito ou pouco, de perto ou não, certamente nada do que virá nas próximas páginas estaria hoje concretizado e verbalizado. De tão importante, decidi que não caberia a mim escolher as palavras que as agradeceria. Passei a responsabilidade a um garoto e uma raposa, de um livro que leio desde criança. Aos meus pais Nilson e Lúcia e aos meus irmãos Gabriel e Gustavo. Vocês serão sempre como a flor. “Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas." Ao meu orientador Marco Antônio Del Lama. "Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante.". E tenho certeza que ele me diria: “Nunca estamos contentes onde estamos." (talvez na segunda pessoa do singular!). Mas acredito que concluiríamos juntos: “O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa atitude com relação a elas”. A todos os meus professores. “Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores?” À minha namorada, amiga e companheira, Loany. "Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla." Aos meus amigos e companheiros de laboratório e do departamento de Genética: Camila, Carol Mino, Cintia, Iderval, Isabel, Juliana, Juliano, Kátia, Keize, Luana, Mariana, Naná, Regina, Rogério, Samanta, Thais, Thais Collet. “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Aos meus amigos de longa data: João, Fabinho e Xandão. Aos meus amigos distantes (geograficamente): Aninha, Diego e Gisele. E aos grandes amigos da Biologia: Pedro, Marcelo, Cammy, Marina, Lia, Giovana, Val, Naná, Raquel, Julia, Helena, André, Andressa, Lorão, Grá e todos aqueles que compartilharam destes últimos tantos anos. A alguns eu diria: “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas!”. A outros: "Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar.". E a todos: “Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo.”. Tenho vocês! Ao programa de Pós-Graduação em Genética e Evolução e à Capes (pela bolsa concedida). "Não exijas de ninguém senão aquilo que realmente pode dar." Frases de “O Pequeno Príncipe” de A. de Saint Exupéry Resumo A tribo Euglossini possui cerca de 200 espécies de abelhas descritas, distribuídas em cinco gêneros considerados monofiléticos. Os gêneros Exaerete e Aglae apresentam comportamento cleptoparasita, atacando outras espécies de Euglossini. Para a espécie Exaerete smaragdina, os únicos relatos na literatura referem-se ao parasitismo de Eulaema nigrita. Porém, há indícios de que esta não seja sua única hospedeira. Desta forma, a filogeografia destas duas espécies foi comparada, com o intuito de analisar se há concordância entre as suas histórias evolutivas, pois, quanto maior a obrigatoriedade da relação parasita- hospedeiro, mais congruente espera-se que sejam suas filogeografias. Para Ex. smaragdina, foram observadas populações estruturadas geograficamente e os testes de neutralidade não foram significantes. Para El. nigrita, não foi observada estruturação populacional, havendo uma baixa variabilidade genética e a maioria das populações compartilhando um mesmo haplótipo. Estes dados, associados a testes de neutralidade estatisticamente significantes, indicam que as populações desta espécie sofreram uma expansão populacional recente. A comparação dos padrões filogeográficos indica ainda que El. nigrita não deva ser a única hospedeira de Ex. smaragdina. Também foi analisado o status de espécie da Exaerete lepeletieri, considerada recentemente uma sinonímia de Ex. frontalis. Os resultados indicam que Ex. lepeletieri apresenta monofilia para o loco 16S, enquanto dois clados foram observados para o loco Citocromo B (CytB). Lista de Tabelas Tabela 1: Localidades amostradas no presente estudo, seguidas da sigla do estado e da região geográfica, quando referentes ao Brasil, ou pelo nome do país quando não. As amostras de outros países, com exceção de Villavencio (CO), foram extraídas do trabalho de Dick et al. (2004). O código refere-se à abreviatura utilizada no mapa (Figura 6), onde as localidades estão designadas segundo sua latitude e longitude. Para cada localidade está representado o número de indivíduos analisados para cada loco e espécie. Pág. 16 Tabela 2 – Primers utilizados para amplificação por PCR dos locos analisados neste trabalho e seus respectivos autores. Pág. 18 Tabela 3: Composição nucleotídica dos locos 16s, Citocromo B e COI para Exaerete smaragdina. Pág. 23 Tabela 4 – Índices de diversidade gênica (variância) para os locos analisados em Exaerete smaragdina. Pág. 23 Tabela 5 – Valores obtidos para os testes de neutralidade de Tajima (D) e Fu (Fs) e os respectivos valores de P (entre parênteses) para os três locos analisados de Exaerete smaragdina. Pág. 24 Tabela 6 – Valores obtidos para a AMOVA a partir dos locos concatenados 16S e CytB para Exaerete smaragdina. Pág. 30 Tabela 7: Composição nucleotídica dos locos Citocromo B e COI para Eulaema nigrita. Pág. 30 Tabela 8: Índices de diversidade gênica (variância) para os locos analisados em Exaerete smaragdina. Pág. 31 Tabela 9 - Valores obtidos para os testes de neutralidade de Tajima (D) e Fu (Fs) e seus respectivos valores de P para os dois locos analisados de Eulaema nigrita. Pág. 31 Tabela 10 – Valores obtidos para a AMOVA a partir dos locos concatenados COI e CytB de Eulaema nigrita. Pág. 35 Tabela 11 - Diversidade genética (desvio padrão, 5.000 reamostragens) observada para as 3 espécies para 364pb do gene mitocondrial Citocromo B. Pág. 38 Tabela 12 - Diversidade nucleotídica e número médio de substituições (desvio padrão, 5.000 reamostragens) observada para as três espécies para 463pb do gene mitocondrial 16S. Pág. 38 Tabela 13 – Diagonal inferior: Diversidade genética (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 364pb do gene mitocondrial Citocromo B. Diagonal superior: Fst par-a-par (Desvio padrão, 5.000 re- amostragens) observada entre as 3 espécies para 364pb do gene mitocondrial Citocromo B. Pág. 39 Tabela 14 – Diagonal inferior: Diversidade genética (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 463pb do loco mitocondrial 16S. Diagonal superior: Fst par-a-par (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 463pb do gene mitocondrial Citocromo B. Pág. 39 Lista de Figuras Figura 1: Machos dos cinco gêneros de Euglossini. (a) Euglossa mixta. (b) Euglossa sp. com a probóscide extendida. (c) Eufriesea pulchra. (d) Eulaema meriana. (e) Exaerete frontalis. (f) Aglae caerulea. Fotos de E. Ross. Extraído de Cameron (2004). Pág. 2 Figura 2. Relações filogenéticas do grupo de abelhas corbiculadas, estabelecidas a partir dos genes citocromo B, 16S, 28S e opsina, usando grupos externos. O asterisco ao lado do nome da tribo indica que, para aquela filogenia, esta tribo não demonstrou ser monofilética. Extraído de Cameron & Mardulyn (2001). Pág. 4 Figura 3. Relações filogenéticas entre os gêneros da tribo Euglossini. (a) Primeira e (b) Segunda filogenias propostas por Kimsey (1982, 1987) com base em caracteres morfológicos; (c) filogenia de Michener, também baseada em caracteres morfológicos; (d) filogenia de Engel (1999) com base na morfologia e dados de fósseis; (e) filogenia molecular baseada nas sequências de quatro genes reportadas por Michel-Salzat et al. (2004) e em dados morfológicos de Oliveira (2000). Pág. 5 Figura 4. Relações filogenéticas das espécies de Exaerete. Retirada de Anjos-Silva et al. (2007). Pontos pretos indicam mudanças únicas e não ambíguas; pontos brancos indicam reversões e convergências. Pág. 8 Figura 5. Células de Eulaema nigrita sendo aprovisionadas (a, b) e parasitada (c) por Exaerete smaragdina. A seta (d) indica a marca deixada pelo orifício aberto para a oviposição por Exaerete smaragdina. Extraído de Garófalo & Rozen (2001). Pág. 10 Figura 6: Mapa com as localidades amostradas neste trabalho. Os códigos referem-se ao nome de cada localidade, referidas na Tabela 1. Pág. 17 Figura 7: Análise da reconstrução filogenética para a espécie Exaerete smaragdina. Acima: à esquerda, loco 16S, e à direita CytB. Ao lado loco COI. Análises feitas a partir do método de Neighbour-Joining, com 5000 réplicas. Pág. 27 Figura 8 – Análise filogenética de Neighbour-Joining (5000 réplicas) para os locos 16S, CytB e COI concatenados (1246pb) de Exaerete smaragdina. Pág. 28 Figura 9 – Análise de clados aninhados para o loco COI das amostras analisadas da espécie Exaerete smaragdina. Pág. 29 Figura 10: Análise da reconstrução filogenética para a espécie Eulaema nigrita. À esquerda, loco COI, e à direita CytB. Análises feitas a partir do método de Neighbour- Joining, com 5000 réplicas. Pág. 33 Figura 11 – Análise filogenética de Neighbour-Joining (5000 réplicas) para os locos CytB e COI concatenados (832pb) de Eulaema nigrita. Pág. 34 Figura 12 – Rede de haplótipos para o loco COI de Eulaema nigrita: (PAN: Panamá, GFRC: Guiana Francesa, RIF: Rifaina, SC: São Carlos, MAN: Manaus, VIC: Viçosa, GUAR: Guarapari, JPES: João Pessoa, UBAT: Ubatuba, CAC: Cáceres). Pág. 34 Figura 13 – Análise de clados aninhados para o loco CytB de Eulaema nigrita. (RIF: Rifaina, SC: São Carlos, MAN: Manaus, MARL: Marliéria, JPES: João Pessoa, GUAR: Guarapari, UBAT: Ubatuba, CAC: Cáceres, CGUI: Chapada dos Guimarães, CRIS: Cristalino, VIC: Viçosa). Pág. 35 Figura 14 – Reconstrução filogenética para o loco 16S para as espécies Ex. smaragdina, Ex. frontalis e para a possível espécie Ex. lepeletieri, pelo método de Neighbour-Joining (5000 réplicas). Pág. 41 Figura 15 – Reconstrução filogenética para o loco Citocromo B para as espécies Ex. smaragdina, Ex. frontalis e para a possível espécie Ex. lepeletieri, pelo método de Neighbour- Joining (5000 réplicas). Pág. 41 SUMÁRIO 1 Introdução 1 1.1 As abelhas Euglossíneas 1 1.2 Origem da tribo Euglossini 3 1.3 Relações filogenéticas dentro da tribo Euglossini 5 1.4 Caracterização do gênero Exaerete 6 1.5 Origem do cleptoparasitismo em Euglossini 8 2 Objetivos 13 3 Material e Métodos 15 3.1 Material 15 3.2 Extração de DNA e amplificação 15 3.3 Seqüenciamento do DNA mitocondrial 18 3.4 Análises populacionais 19 3.5 Análises filogeográficas 20 3.6 Análises filogenéticas de Ex. lepeletieri 21 4 Resultados e Discussão 22 4.1 Diversidade genética das populações de Exaerete smaragdina 22 4.2 Estrutura genética e filogeografia das populações de Exaerete smaragdina 24 4.3 Diversidade genética das populações de Eulaema nigrita 30 4.4 Estrutura genética e filogeografia das populações de Eulaema nigrita 32 4.5 Comparação entre os aspectos filogeográficos de Ex. smaragdina e sua hospedeira El. nigrita 36 4.6 Análise do status de espécie de Exaerete lepeletieri baseado em caracteres genéticos 38 5 Considerações finais e perspectivas 42 5.1 Estudos filogeográficos na América do Sul 42 5.2 Filogeografia comparada em sistemas parasita- hospedeiro 42 5.3 Determinação do status de espécie por marcadores moleculares 43 6 Referências bibliográficas 45 1 1. INTRODUÇÃO 1.1. As abelhas Euglossíneas A fauna brasileira apresenta, aproximadamente, 1600 espécies de abelhas pertencentes às famílias Colletidae, Halictidae, Andrenidae, Megachilidae e Apidae (Silveira et al. 2002). Dentre esta diversidade de abelhas, encontram-se as abelhas da tribo Euglossini, distribuídas do México ao centro da Argentina (Michener 2000) e que chegam a constituir até 25% da diversidade de abelhas em algumas matas (Roubik & Hanson 2004). Desde a compilação das 122 espécies de Euglossini descritas até 1967 (Moure 1967), cerca de 45 novas espécies foram catalogadas até 1986 (Kimsey & Dressler 1986). Em 2004, o número de espécies já atingia a marca de 187 (Roubik & Hanson 2004) e novas espécies continuam sendo identificadas (Oliveira 2006; Oliveira & Nemésio 2003; Anjos-Silva & Rebelo 2006; Nemésio 2009). As cerca de 200 espécies reconhecidas atualmente estão distribuídas em cinco gêneros: Euglossa (114 spp.), Eufriesea (62 spp.), Eulaema (18 spp.), Exaerete1, (7 spp.) e Aglae (1 sp.)(Figura 1) , sendo os dois últimos cleptoparasitas de outras espécies de Euglossini. A tribo Euglossini constitui parte do grupo de abelhas corbiculadas, um grupo monofilético dentro da família Apidae. O grupo das abelhas corbiculadas é constituído também por outras três tribos: Apini e Meliponini, altamente sociais, e a tribo Bombini, que apresenta espécies primitivamente eusociais. O nome deste grupo deve- se à presença das corbículas, estruturas presentes na tíbia posterior das fêmeas destas espécies e utilizadas para transporte do pólen nos vôos de forrageamento. 1 Pelo fato dos nomes terem as mesmas letras iniciais, as abreviações usadas para cada gênero serão Eg., Ef., El., Ex. e Ag. respectivamente. 2 Figura 1. Machos dos cinco gêneros de Euglossini. (a) Euglossa mixta. (b) Euglossa sp. com a probóscide extendida. (c) Eufriesea pulchra. (d) Eulaema meriana. (e) Exaerete frontalis. (f) Aglae caerulea. Fotos de E. Ross. Extraído de Cameron (2004). Os machos de Euglossini são, em alguns casos, os únicos polinizadores de algumas espécies de orquídeas. Eles são atraídos por fragrâncias produzidas nas flores destas espécies, coletando estas essências e armazenando-as em estruturas especiais localizadas no terceiro par de pernas. Somente no final da década de 60, os estudos sobre a biologia e taxonomia do grupo tiveram um grande avanço, graças aos estudos utilizando compostos químicos atrativos, sintetizados em laboratório. As fêmeas do grupo, no entanto, não são atraídas por estes compostos, o que faz com que a maioria dos trabalhos realizados baseiem-se na observação de machos. Atualmente, alguns trabalhos utilizando ninhos-armadilha (Garófalo et al. 1998; Garófalo & Rozen 2001; Cameron & Ramirez 2001) e 3 marcação-captura durante forrageamento (López-Uribe & Del Lama 2007; López-Uribe et al. 2008) têm contribuído com algum conhecimento sobre a biologia das fêmeas. Além das orquídeas, os euglossíneos utilizam-se de recursos de outros grupos vegetais como Lecythidaceae (Knudsen & Mori 1996), Euphorbiaceae (Armbruster et al. 1992) e Solanaceae (Soares et al. 1989), entre outras famílias de Angiospermas, o que faz com que estas abelhas sejam consideradas “espécies-chave” de muitos ecossistemas devido ao seu papel como polinizadores. 1.2. Origem da tribo Euglossini A relação entre Euglossini e as demais tribos de corbiculados ainda é incerta. A análise de caracteres morfológicos (Roig-Alsina & Michener 1993; Schultz et al. 1999) e a incorporação de informações relativas a espécimes fósseis (Engel 1999) têm posicionado Euglossini como tribo basal do restante do grupo. Por outro lado, o estudo de Lockhart & Cameron (2001), analisando caracteres morfológicos relevantes de abelhas de língua longa, mostrou um suporte semelhante ao descrito por Michener (1974), com Euglossini como grupo irmão de Bombini e Apini de Meliponini. Estes resultados diferem dos achados oriundos de estudos moleculares, que apontam Euglossini e Apini como um clado monofilético (Koulianos et al. 1999; Cameron 1993), uma indicação de que há incerteza no enraizamento da filogenia quando se considera apenas dados morfológicos. Resultados genéticos mais recentes (Cameron & Mardulyn 2001) mostram um forte suporte para o clado (Bombini + Meliponini), com incertezas a respeito da posição de Euglossini como grupo-irmão de Apini ou de (Bombini + Meliponini) (Figura 2). Dentre os corbiculados, a tribo Euglossini é a única que não apresenta comportamento eusocial e, por esta razão, 4 tem sido objeto de estudos sobre a origem da socialidade nas abelhas. A maioria dos euglossíneos é solitária, exceto por algumas espécies de Euglossa e Eulaema que apresentam comportamento de nidificação comunal (Dodson 1966; Zucchi et al. 1969; Garófalo 1985; Garófalo et al. 1998; Roberts & Dodson, 1967). Não se sabe ao certo se este comportamento de nidificação comunal em Euglossini é primitivo ou derivado, pois ainda há incertezas quanto à filogenia da tribo. 1.3. Relações filogenéticas dentro da tribo Euglossini Nos últimos 20 anos, cinco hipóteses de relações filogenéticas entre os gêneros foram propostas (Figura 3). Figura 2. Relações filogenéticas do grupo de abelhas corbiculadas, estabelecidas a partir dos genes Citocromo B, 16S, 28S e opsina, usando grupos externos. O asterisco ao lado do nome da tribo indica que, para aquela filogenia, esta tribo não demonstrou ser monofilética. Extraído de Cameron & Mardulyn (2001). 5 Destas, as quatro primeiras (a - d) são baseadas em um pequeno número de caracteres morfológicos (Kymsey 1982, 1987; Michener 1990; Engel 1999). A hipótese mais recente (e) é suportada por dados moleculares de quatro genes (Michel-Salzat et al. 2004), que demonstraram um resultado congruente ao relatado por Oliveira (2000), com base em um número consideravelmente maior de caracteres morfológicos do que os utilizados em estudos anteriores (Figura 3-e). Apesar da dificuldade em se estabelecer a história evolutiva da tribo, a natureza monofilética de cada gênero parece ser inquestionável (Michel-Salzat et al. 2004). Figura 3. Relações filogenéticas entre os gêneros da tribo Euglossini. (a) Primeira e (b) Segunda filogenias propostas por Kimsey (1982, 1987) com base em caracteres morfológicos; (c) filogenia de Michener, também baseada em caracteres morfológicos; (d) filogenia de Engel (1999) com base na morfologia e dados de fósseis; (e) filogenia molecular baseada nas sequências de quatro genes reportadas por Michel-Salzat et al. (2004) e em dados morfológicos de Oliveira (2000). 6 Além disso, parece claro que o gênero Aglae é basal e que os gêneros Eufriesea e Eulaema formam um grupo-irmão. A maior controvérsia parece residir no possível clado irmão de (Eufriesea + Eulaema), ora considerando-se o grupo (Exaerete + Euglossa) constitutivo de um clado, ora considerando Exaerete ou Euglossa, sem monofilia entre estes dois gêneros (sendo estes dois últimos parafiléticos). 1.4. Caracterização do gênero Exaerete O gênero Exaerete é composto por abelhas que variam entre 18 e 28 mm, de cores verde, verde-azulado ou ainda púrpura metálicos. Este gênero, ao contrário de Aglae, monoespecífico e de distribuição restrita à Amazônia (mas recentemente encontrada no Pantanal – ver Anjos-Silva et al. 2006), é composto atualmente por sete espécies, ocorrendo desde o norte da Argentina até o México. No Brasil, as espécies de Exaerete distribuem-se por quase todas as regiões fitogeográficas, desde a floresta Amazônica (dos estados do Acre ao Maranhão) a regiões de clima semi-decíduo e de Floresta Atlântica (dos Estados de São Paulo até o Rio Grande do Norte) (Moure 1967; Kimsey 1979; Ramírez et al. 2002; Rebêlo & Garófalo 1997; Nemésio 2009). A primeira hipótese filogenética para o gênero foi feita por Engel (1999) para as cinco espécies conhecidas à época. Este estudo corroborou a hipótese de monofilia do gênero, assim como confirmou os dois grupos taxonômicos internos já conhecidos: frontalis (Ex. smaragdina + Ex. frontalis), com palpos labiais bi-segmentados e presença do nódulo hipoepimeral, e dentata (Ex. dentata + Ex. trochanterica + Ex. azteca), com palpos labiais tetra- segmentados e nódulo hipoepimeral ausente (Moure 1964; 1967). 7 Em 2003, uma nova espécie, Ex. lepeletieri, foi descrita (Oliveira & Nemésio 2003). De distribuição restrita à bacia amazônica brasileira, ela se assemelha muito às espécies Ex. frontalis e Ex. smaragdina, o que levou à proposição de que a nova espécie fosse apenas o híbrido entre as duas espécies (Anjos-Silva et al. 2007). Posteriormente, uma nova espécie foi descrita, Ex. guaykuru (Anjos-Silva & Rebelo 2006), aparentemente mais aparentada a Ex. trochanterica, encontrada em florestas úmidas do Planalto dos Guimarães, sul do Mato Grosso, Brasil. Após a descrição destas duas novas espécies, uma nova análise filogenética para o gênero foi conduzida. Anjos- Silva et al. (2007) identificaram três clados principais para o gênero (Figura 4). Além disso, os autores concluíram que Ex. lepeletieri era apenas uma variante regional de Ex. frontalis, sugerindo que estas eram espécies sinônimas. Recentemente, Nemésio (2009) reanalisando os caracteres morfológicos de Ex. lepeletieri, manteve o status de espécie anteriormente definido. No entanto, ainda não foi realizado estudo utilizando marcadores genéticos (genes mitocondriais, p.e.) para a confirmação do status de espécie de Ex. lepeletieri e Ex. guaykuru. O acesso à diversidade genética proporciona a capacidade de detecção de espécies crípticas, pois um estágio crítico para a especiação é o acúmulo de diferenças genéticas entre populações (Coyne 1992; Schluter 1996). Esta ferramenta molecular não implica na eliminação da taxonomia descritiva tradicional (Dunn 2003; Lipscomb et al. 2003; Seberg et al. 2003) que, graças a grandes avanços teóricos, aumentou sua capacidade de predição e determinação do status de espécie. Porém, análises filogenéticas aumentam essa capacidade de predição, pois os indivíduos de uma determinada espécie devem coalescer em um 8 ancestral comum formando sempre um clado monofilético (Baum & Shaw 1995). Na sistemática filogenética, marcadores de DNA mitocondrial têm se mostrado os marcadores mais apropriados para a caracterização de espécies. Sua taxa evolutiva chega a ser 10 vezes mais rápida do que a de genes nucleares (Vawter & Brown 1986), possui baixas taxas de recombinação (Avise 2004) e herança exclusivamente materna. Estas características resultam em uma maior resolução de padrões intra-específicos do que métodos não moleculares (Avise 2000). Figura 4. Relações filogenéticas das espécies de Exaerete. Retirada de Anjos-Silva et al. (2007). Pontos pretos indicam mudanças únicas e não ambíguas, pontos brancos indicam reversões e convergências. 1.5. Origem do cleptoparasitismo em Euglossini Se a reconstrução filogenética mais aceita para Euglossini for suficientemente robusta, dela resultará que nenhum dos dois gêneros cleptoparasitas evoluíram este comportamento diretamente sobre os gêneros hospedeiros atuais, por terem origem anterior aos seus hospedeiros. Esta seria uma contradição à regra de Emery (discutida em Wilson 1971) que prevê que cleptoparasitas evoluem de táxons intimamente relacionados que tornar-se-ão seus hospedeiros. 9 Nas espécies dos gêneros Aglae e Exaerete, as fêmeas perderam as estruturas carregadoras de pólem, exibem uma quantidade reduzida de pelos e uma fina cutícula, também encontrada em outras espécies de abelhas parasitas. Mesmo sendo o gênero Aglae o mais ancestral do grupo, o cenário mais provável é o de que este comportamento tenha surgido duas vezes dentro da tribo a partir de um ancestral já extinto não cleptoparasita. Deve-se lembrar que tal comportamento tem várias origens independentes dentro de grupo Apinae (Michener 2000). Além disso, os euglossíneos parasitados não aparentam ter evoluído algum comportamento efetivo de defesa para combater o parasitismo. É notável que ninhos de Eulaema cheguem a ter altas taxas de parasitismo por Exaerete, variando entre 70 a 100% (Garófalo & Rozen 2001; Zucchi et al. 1969). Pouco se sabe sobre a biologia e o comportamento parasítico das espécies do gênero Exaerete. No entanto, há relatos na literatura de ninhos de Eufriesea (surinamensis e auriceps) atacados por Ex. dentata (Benett 1972; Kimsey 1982), El. nigrita atacados por Ex. smaragdina (Garófalo & Rozen 2001) e El. meriana e El. flavenscens por Ex. frontalis (Kimsey 1979). O sucesso do parasitismo parece ser dependente de densidade. Desta forma, espera-se que os parasitas sejam raros ou ausentes em locais em que os hospedeiros não são residentes (Weislo 1987 in Nemésio & Silveira 2006). Em concordância com tal pressuposto, Nemésio & Silveira (2006) testaram a hipótese de associações parasíticas entre Ex. frontalis – El. meriana e Ex. smaragdina – El. nigrita, analisando inventários de coletas realizadas nas Américas do Sul e Central. Para tanto, apenas dados de freqüência e latitude foram utilizados. 10 Figura 5. Células de Eulaema nigrita sendo aprovisionadas (a, b) e parasitada (c) por Exaerete smaragdina. A seta (d) indica a marca deixada pelo orifício aberto para a oviposição por Exaerete smaragdina. Extraído de Garófalo & Rozen (2001). Os autores observaram que há uma fraca associação entre Ex. smaragdina e El. nigrita, tendo esta última espécie uma distribuição maior em direção ao sul. Além disso, estudos recentes indicam que El. nigrita evita o interior de florestas bem conservadas (Nemésio 2004), sendo muito freqüentes em ambiente perturbados, como os ambientes urbanos (López-Uribe et al. 2008). Estes dados parecem corroborar a hipótese de que quanto maior a latitude, mais difícil para Ex. smaragdina parasitar seu hospedeiro. Desta forma, possivelmente El. nigrita não seja o único hospedeiro de Ex. smaragdina. Porém, não há até a presente data relatos de ataques deste cleptoparasita a ninhos de outra espécie. Neste contexto, o estudo de filogeografia comparada de espécies filogeneticamente ou ecologicamente associadas pode prover uma ferramenta interessante para identificar e avaliar os efeitos de fatores ecológicos, históricos ou estocásticos nos padrões de distribuição biogeográficos, como é o caso da relação existente entre Ex. smaragdina e El. nigrita. O objetivo da filogeografia é caracterizar a distribuição filogeográfica de linhagens genealógicas 11 através da paisagem geográfica (Avise et al. 1987), detectando processos como subdivisão populacional, eventos de especiação ou adaptação ecológica e rotas de migração associadas com mudanças climáticas passadas (Avise 2000). A filogeografia comparada é definida como a comparação de padrões geográficos de subdivisão evolutiva entre espécies co-distribuídas ou complexos de espécies, compartilhando uma rede conceitual comum à biogeografia histórica (Zink 1996). A filogeografia comparada permite, portanto, a investigação de questões biogeográficas em escalas temporais e espaciais menores do que aquelas usualmente estudadas com outros métodos (Avise 2000) e freqüentemente revela eventos crípticos de vicariância nos biotas (Riddle et al. 2000). Padrões filogeográficos concordantes entre taxa distantes têm sido reportados (Sullivan et al. 2000; Hugall et al. 2002). Porém, há também relatos de que esta concordância não é regra geral e incongruências têm sido reportadas tanto em plantas quanto em animais (ver revisão em Arbogast & Kenagy 2001). Esta situação é particularmente evidente na Europa, o que sugere que cada táxon pode ter reagido independentemente aos eventos de glaciação do Quaternário (Hewitt 2000). Por outro lado, estudos de filogeografia comparada em espécies altamente associadas, como em casos de parasitismo, têm revelado que o grau de congruência filogenética aumenta com a obrigatoriedade da relação de dependência do parasita-hospedeiro. Conseqüentemente, em um nível intra-específico, pode-se assumir que os padrões filogeográficos observados entre espécies associadas ou uma relação parasítica são comumente congruentes no tempo e no espaço, desde que o parasita seja específico e obrigatório (Price 1980). A utilização de métodos de coalescência e máxima verossimilhança (Wakeley 2003; Beerli & Felsenstein 1999) 12 ou a análise de clados aninhados (Templeton 1998) permitem a interpretação de padrões filogeográficos dentro de um contexto de modelos evolutivos e biogeográficos. Como resultado, a filogeografia tem se constituído em método adequado para a investigação de questões atinentes à biogeografia, incluindo os efeitos relativos de forças como deriva genética, gargalos e expansões populacionais e eventos de vicariância na modelagem de padrões geográficos da variação genética. Desta forma, a utilização da filogeografia comparada parece ser o meio adequado para investigar a possível associação entre a história evolutiva de Ex. smaragdina e El. nigrita. 13 2. OBJETIVOS A especiação pode envolver aspectos biológicos como divergências na escolha de habitats ou no comportamento sexual dos machos (Willians 1982), ou ainda seleção natural em resposta à competição parasita-hospedeiro. O número de espécies descritas de Euglossíneos tem aumentado a cada ano, inclusive para gêneros pouco diversos como Exaerete, que teve duas novas espécies descritas recentemente (Oliveira & Nemésio 2003; Anjos-Silva & Rebelo 2006), não existindo até o momento uma análise filogenética baseada em marcadores moleculares para este gênero. Ainda para este grupo, os dados da literatura indicam que suas populações são geralmente reduzidas, com um aumento na abundância destes cleptoparasitas em direção ao Equador. Não há informações na literatura a respeito dos padrões filogeográficos de suas espécies mais abundantes (Ex. smaragdina e Ex. frontalis), ainda que elas apresentem uma grande área de distribuição (desde a América Central até a região sudeste do Brasil). O fato de suas populações serem aparentemente de tamanho reduzido e estarem dispersas por vários domínios fitogeográficos contribuiria para a sua divergência genética. Além disso, pelo fato das espécies do gênero Exaerete parasitarem ninhos de outras espécies de Euglossini, como de Eulaema nigrita (Garófalo & Rozen 2001), Eulaema meriana (Nemésio & Silveira 2006) e Eufriesea surinamensis (Bennett 1972), um estudo de filogeografia comparada pode indicar padrões evolutivos similares, já que pode estar havendo coevolução entre parasita e hospedeiro. Desta forma, o estudo filogenético e filogeográfico de espécies-chave dentro do grupo Euglossini, como espécies cleptoparasitas e seus hospedeiros, poderá contribuir para esclarecer questões ecológicas e evolutivas desta tribo, identificando padrões históricos de colonização, identificar respostas evolutivas a mudanças de habitat e a 14 pressões de seleção como predação e avaliar os contextos geográficos e ecológicos de espécies dentro de comunidades mais complexas, determinando os padrões de riqueza de espécies (Ricklefs & Schluter 1993). Assim, este trabalho tem dois objetivos: 1 – Estabelecer e comparar os padrões filogeográficos de Ex. smaragdina e de sua espécie-hospedeira El. nigrita a partir de indivíduos coletados em diferentes domínios fitogeográficos (Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Floresta Amazônica), com vistas a traçar as possíveis rotas evolutivas biogeográficas de cada espécie e compará-las, a fim de testar se os padrões são ou não concordantes; 2 – Confirmar o status de espécie de Ex. lepeletieri e sua relação com o grupo frontalis mediante análises da taxonomia molecular. 15 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. Material O material analisado consistiu de 37 indivíduos de Exaerete smaragdina e 34 indivíduos de Eulaema nigrita de diversas localidades do Brasil, conforme descrito na Tabela 1 e Figura 6. Para a confirmação do status de espécie de Exaerete lepeletieri foram analisados seis exemplares descritos como sendo desta espécie, outros seis de Exaerete frontalis, além dos espécimes de Ex. smaragdina já referidos na Tabela 1. Os espécimes analisados eram todos machos coletados em iscas-odor e enviados ao nosso laboratório em álcool ou secos. Apenas os exemplares de São Carlos e Rifaina foram coletados em ninhos de El. nigrita e mantidos a -20ºC até o momento da extração. 3.2. Extração de DNA e amplificação Foi extraído o DNA total de uma perna de cada indivíduo. O método utilizado foi o de fenol/clorofórmio proposto por Sheppard & McPheron (1991), com a adição de um passo adicional de incubação do macerado por uma hora a 65ºC na presença de 10µL de proteinase K (10mg/ml). Foram amplificados via reação em cadeia da polimerase (PCR) os locos 16S, Citocromo B (CytB) e Citocromo Oxidase I (COI), utilizando-se os oligonucleotídeos iniciadores descritos na Tabela 2. 16 Tabela 1. Localidades amostradas no presente estudo, seguidas da sigla do estado e da região geográfica, quando referentes ao Brasil, ou pelo nome do país quando não. As amostras de outros países, com exceção de Villavencio (CO), foram extraídas do trabalho de Dick et al. (2004). O código refere-se à abreviatura utilizada no mapa (Figura 6), onde as localidades estão designadas segundo sua latitude e longitude. Para cada localidade está representado o número de indivíduos analisados para cada loco e espécie. Ex. smaragdina El. nigrita Localidade Região Código Latitude Longitude 16S CytB COI CytB COI Ubatuba - SP SE UB 23°31'47"S 45°04'42"O 3 2 1 3 2 São Carlos - SP SE SC 21°59'04"S 47°52'43"O 5 4 2 3 3 Rifaina - SP SE RF 20°04'55"S 7°25'27"O 5 4 3 2 2 Guarapari - ES SE GR 20°39'03"S 40°30'24"O 4 2 Viçosa - MG SE VC 20°45'16"S 2°52'57"O 3 2 Marliéria - MG SE MR 9°42'47"S 42°43'57"O 3 3 Cáceres - MT CO CC 16°04'28"S 7°39'35"O 2 2 3 1 C. Guimarães - MS CO CG 15°27'10"S 55°44'21"O 2 Pontes e Lacerda - MT CO PL 15°14'31"S 59°18'56"O 3 3 1 Cristalino - MT CO CR 9°52'09"S 56°05'37"O 2 2 1 2 João Pessoa - PB NE JP 7°08'39"S 34°51'34"O 5 5 3 3 2 Barreirinha - MA N BR 4°14'03"S 44°14'00"O 1 1 Candido Mendes - MA N CM 1°51'37"S 45°46'10"O 1 1 Campina - AM N CP 8°39'36"S 64°21'57"O 1 Borba - AM N BB 5°15'09"S 58°41'52"O 2 1 Manaus - AM N MN 3°06'01"S 59°58'36"O 5 5 3 3 2 Caju - AM N CJ 0°48'10"S 62°29'07"O 1 1 Serrinha - AM N SR 0°25'09"N 63°23'00"O 1 1 Villavencio Colômbia VV 4°09'26"N 73°38'14"O 3 2 TOTAL 37 32 14 34 21 Ixiamas Bolívia IX 13°45'26"S 68°08'40"O 1 1 Buena Vista Bolívia BV 11°32'41"S 68°27'50"O 1 Yasuní Equador YS 0°09'34"S 78°28'54"O 1 Kourou G. Franc. KR 5°09'55"N 52°38'39"O 2 Montagne Tortue G. Franc. MT 5°10'60"N 52°58'00"O 2 Las Perlas Panamá LP 8°56'49"N 79°33'38"O 3 Barro Colorado Panamá BC 9°09'17"N 79°50'53"O 2 Chetumal México CH 18°30'13"N 88°18'19"O 1 TOTAL 9 5 17 Figura 6. Mapa com as localidades amostradas neste trabalho. Os códigos referem-se ao nome de cada localidade, referidas na Tabela 1. As reações de amplificação foram preparadas em volume final de 25µL contendo 250µM de cada dNTP, 5mM de MgCl2 para os locos 16S e COI e 2,5mM para o loco CytB, 1µM de cada primer (F e R), tampão 1x, 1U de Taq DNA polimerase (Platinum – Invitrogen) e 1µL de solução de DNA (40-70 ng). As condições de PCR utilizadas foram: ∗ 16S: 1 ciclo de 94oC por 3 min, seguido de 35 ciclos de 94oC por 20s, 52oC por 20s e 72oC por 1 min. ∗ CytB: 35 ciclos de 94 oC por 30s, 56 oC por 20s e 72 oC por 1 min. ∗ COI: 4 ciclos de 94o por 30s, 48o por 30s e 72o por 1min, seguido de 35 ciclos de 94o por 30s,52o por 30s e 72o por 45s. 18 Para a verificação do resultado da amplificação, os fragmentos foram visualizados em géis de agarose a 1%. Tabela 2. Primers utilizados para amplificação por PCR dos locos analisados neste trabalho e seus respectivos autores. Loco Foward Autor Reverse Autor 16S 874-16S Cameron et al. 1992 16SWb Dowton & Austin 1994 CytB CR091A Crozier et al. 1991 CR091B Crozier et al. 1991 COI COI-F Dick et al. 2004 COI-R Dick et al. 2004 3.3. Seqüênciamento do DNA mitocondrial. Os produtos de amplificação foram purificados utilizando 1U de SAP (Shrimp Alkaline Phosphatase, GE) e 10U de ExoI (Exonuclease I, GE) para cada 8µL de produto de PCR. A mistura foi incubada a 37oC por 1 hora a 80oC por 15 minutos. A reação de seqüenciamento foi feita com 2µL de Dyenamic ET Dye premix (GE Healthcare), 10pmoles de cada primer, aproximadamente 50ng de DNA e água para completar 10µL de volume final. As seqüências forward e reverse foram obtidas em seqüenciador automático MegaBace 750-GE e os eletroferogramas analisados no programa CodonCode Aligner versão 1.6.3 (CodonCode, Dedham, Massachusetts, United States). Após correção, as seqüências foram alinhadas pelo programa Clustal X (Thomson et al. 1997), disponível no software BioEdit versão 7.0.5 (Hall 1999). 3.4. Análises populacionais Seqüências com, pelo menos, um sítio polimórfico foram consideradas um haplótipo diferente. Foram estimados os seguintes parâmetros genéticos: composição nucleotídica, 19 diversidade nucleotídica (Nei 1987), diversidade haplotípica (Nei 1987) e número médio de variações, implementados no programa Arlequin 3.0 (Excoffier et al., 2005). Com o mesmo software, foram efetuados também os testes de neutralidade D de Tajima (Tajima 1989) e Fs de Fu (Fu 1996) para as duas espécies e para os locos analisados. Estes testes examinam se há desvios significantes do equilíbrio genético para o DNA mitocondrial, os quais podem indicar eventos populacionais em situações onde não ocorrem vantagens seletivas entre os haplótipos, ou seleção positiva e purificadora (Simonsen et al. 1995) quando há diferenças adaptativas entre os alelos. Para efeitos como expansão populacional, tem sido sugerido o uso de testes como o teste D de Tajima e o teste Fs de Fu, por serem mais sensíveis a este tipo de evento (Fu 1997). O teste de Tajima compara o número de sítios segregantes com a diversidade nucleotídica, enquanto o teste de Fu leva em conta a polaridade das mutações (isto é, qual o possível haplótipo ancestral e o seu derivado), e estima θ baseado no número de mutações únicas derivadas (singletons). Análises de estruturação e subdivisão das populações foram estimadas por Fst par-a-par entre as populações (Cockerham & Weir 1993) e de variância molecular (AMOVA) (Excoffier et al. 1992) entre as 4 regiões amostradas (Sudeste, Nordeste, Amazônia e Pantanal). A AMOVA estima a partição da variância em diferentes níveis de estruturação populacional, por meio de estatística phi (Φ): ΦCT sendo uma medida de diferenciação entre as regiões, ΦSC de sub- estruturação dentro das regiões e ΦST uma medida de diferenciação entre as populações depois de verificada a diferenciação entre as regiões. A significância dos componentes de variância foi medida empiricamente 20 (Excoffier et al. 1992), conforme implementado no programa Arlequin 3.0 (Excoffier et al. 2005). 3.5. Análises filogeográficas Para as análises filogeográficas do loco COI, as seqüências descritas por Dick et al. (2004) para as espécies Ex. smaragdina (Nos de acesso: AY506470-78) e El. nigrita (Nos de acesso: AY506452-56) foram utilizadas. Para cada loco seqüenciado foi realizada uma análise filogenética pelo método de Neighbour-Joining, segundo o modelo de máxima verossimilhança composta, com 5.000 re- amostragens. Dada a baixa variabilidade encontrada entre os indivíduos, os locos foram concatenados (16S, CytB e COI para Ex. smaragdina e CytB e COI para El. nigrita), e uma nova análise filogenética foi realizada. A utilização de seqüências concatenadas é sugerida, entre outros, por Gadagkar et al. (2005). Segundos estes autores, a união de seqüências de um segundo gene aumenta substancialmente a acurácia de inferências filogenéticas, mesmo quando não é feita uma aproximação dos padrões de substituição gene-específica na inferência. A utilização de genes mitocondriais apresenta ainda a vantagem de não ocorrer recombinação gênica, diferentemente dos genes nucleares. Foram feitas redes de haplótipos baseadas no método de parcimônia estatística (Templeton 1995; 2002) através do software TCS (versão 1.13 – Clemente et al. 2000). Este método provê uma estimativa do número máximo de diferenças entre haplótipos como resultado de substituições simples com uma confiabilidade estatística de 95% (Posada & Crandall 2001). As redes foram, então, aninhadas manualmente seguindo as regras propostas por Templeton & Sing (1993). 21 3.6. Análises filogenéticas de Ex. lepeletieri Para a confirmação do status de espécie de Exaerete lepeletieri foram analisados os locos 16S e CytB. Foram realizadas análises de diversidade nucleotídica (Nei 1987) entre os indivíduos da mesma espécie e entre as espécies. Além disso, foi feita a análise de Fst par-a-par (Cockerham & Weir 1993) entre as espécies. A análise filogenética foi feita pelo método de Neighbour-Joining, seguindo o modelo de máxima verossimilhança composta, com 5.000 re-amostragens. 22 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Devido ao longo tempo de estocagem de algumas das amostras, a qualidade do DNA extraído e das reações de amplificação não foi homogênea. Alguns dos exemplares não apresentaram bom rendimento nas reações de amplificação e, conseqüentemente, de seqüenciamento, seja para um loco em particular, seja para todos. Neste último caso, o espécime não foi sequer considerado na amostragem, de forma a evitar resultados espúrios que prejudicariam a consistência das conclusões finais do presente estudo. De forma a organizar a apresentação dos resultados, estes serão relatados na seguinte seqüência: estimativas de diversidade genética das populações de Ex. smaragdina, a filogeografia e a estruturação genética de suas populações. Após, seguem as mesmas análises para a espécie Eulaema nigrita e a comparação dos padrões observados entre as duas espécies. Por fim, é feita a análise filogenética para a confirmação do status de espécie de Exaerete lepeletieri. 4.1. Diversidade genética das populações de Exaerete smaragdina A composição nucleotídica dos locos de Ex. smaragdina mostrou-se similar à reportada para o DNA mitocondrial de outras espécies de abelhas corbiculadas, com uma elevada proporção de adenina-timina e baixo conteúdo de citosina- guanina (Tabela 3). A diversidade nucleotídica observada para Ex. smaragdina foi de 0,31% para o loco 16S e 0,48% para CytB, (Tabela 4). Estes valores são próximos aos verificados em outros estudos filogeográficos de insetos da América do Sul, variáveis entre 0,37% e 0,65% (Brito et al. 2002; Scarpassa et al. 2008, respectivamente). Estes valores aumentaram quando amostras de outros países da América do Sul e Central, analisadas por Dick et al. (2004), foram 23 adicionadas à análise. Para esta amostragem, foram observados 10 haplótipos e uma diversidade nucleotídica de 0,84%, maiores do que os observados para os outros dois locos analisados. Tabela 3. Composição nucleotídica dos locos 16s, Citocromo B e COI para Exaerete smaragdina. Loco A T C G 16S 39,52% 41,57% 11,99% 6,92% CytB 34,25% 46,47% 11,40% 7,88% COI 32,89% 42.72% 9.48% 14.91 Os testes de neutralidade D de Tajima (Tajima 1989) e Fs de Fu (Fu 1996) não tiveram suporte estatístico (p > 0,05), exceto para a estatística D para o loco 16S (Tabela 5). Segundo Simonsen et al. (1995), o teste D de Tajima tem bom poder de detectar eventos demográficos como estruturação populacional, enquanto o teste Fs de Fu demonstra ser mais sensível a eventos como expansão populacional recente. Estas considerações quanto à natureza de cada teste podem ser uma explicação para a significância do teste D (estruturação) e não significância do teste Fs (ausência de alelos raros – expansão recente) para o loco 16S. Tabela 4. Índices de diversidade gênica (variância) para os locos analisados em Exaerete smaragdina. Loco Nº de haplótipos Diversidade haplotípica Diversidade nucleotídica Nº médio de variações 16S 5 0.664 (0.046) 0.003 (0.002) 1.426 (0.891) Cyt.B 6 0.662 (0.053) 0.005 (0.003) 1.763 (1.051) COI 10 0.840 (0.056) 0.008 (0.005) 3.540 (1.863) Os testes de neutralidade para Exaerete smaragdina suportam, portanto, a hipótese de evolução neutra para as populações desta espécie, indicando não ter havido nenhum grande evento de expansão ou retração demográfica recente para a espécie. 24 Tabela 5. Valores obtidos para os testes de neutralidade de Tajima (D) e Fu (Fs) e os respectivos valores de P (entre parênteses) para os três locos analisados de Exaerete smaragdina. Loco D de Tajima Fs de Fu 16S -1.950 (0.01) 0.574 (0.65) Cyt.B 0.493 (0.72) 0.065 (0.55) COI -0.157 (0.51) -1.344 (0.28) 4.2. Estrutura genética e filogeografia das populações de Exaerete smaragdina A análise filogenética feita a partir dos locos individualmente demonstrou baixa resolução, devido ao baixo número de sítios polimórficos, conseqüência do curto tempo de divergência esperado dentro de uma espécie (Figura 7). No entanto, o loco 16S evidenciou a formação de dois grupos que podem estar fortemente associados à origem geográfica dos espécimes. O primeiro cluster reúne as amostras provenientes de João Pessoa (PB), aparentemente mais relacionadas às amostras do Norte e Centro-Oeste do Brasil. Estas últimas, no entanto, apresentam uma formação polifilética. O outro cluster reúne as amostras oriundas do Estado de São Paulo, com exceção de uma única amostra do Maranhão (Barreirinha). Por outro lado, o loco citocromo B não possui resolução suficiente para formação dos dois clados citados, mas sim para agrupar as amostras do Norte e Centro-Oeste, com exceção novamente da amostra de Barreirinhas e uma amostra de Manaus. Dentre os três locos, COI foi o mais informativo, dada a inclusão das seqüências de Dick et al. (2004). Um dado interessante a se destacar é a formação de um clado irmão às amostras de São Paulo e da Paraíba, formado pelas amostras do México e Panamá. Considerando a origem geográfica destas amostras, esperar-se-ia que elas estivessem mais intimamente relacionadas às amostras da Amazônia ou Equador. Infelizmente, não há dados na 25 literatura para amostras da América Central referentes aos locos 16S e CytB. Para as amostras aqui analisadas, a junção das três seqüências gênicas em uma única seqüência composta de 1246pb evidenciou uma maior estruturação populacional, com a formação de três grupos bem definidos: São Paulo e Paraíba, mais próximos entre si, o que pode indicar uma possível rota evolutiva da espécie pela Mata Atlântica e um outro clado formado por Amazônia + Centro-Oeste, novamente duas regiões que podem compartilhar a mesma rota evolutiva (Figura 8). As redes de haplótipos para os locos 16S e CytB, dado o baixo número de sítios mutacionais que cada loco apresentou, não trouxe nenhuma informação além das observadas pelas reconstruções filogenéticas, ou seja, grupos regionais bem delimitados, mas incertezas na conectividade entre um grupo e outro (dados não apresentados). Para o loco COI, dado o maior número de amostras, foi possível observar a formação de seis grupos (1-1 a 1-6), inseridos em três grupos maiores (2-1 a 2-3) (Figura 9). Destes, o grupo 1-4 foi o único que uniu amostras de localidades separadas por grandes distâncias (Manaus, Bolívia, Guiana Francesa, Equador e Pantanal de Cáceres e Pontes e Lacerda). Os dados indicam que a região amazônica, em geral, apresenta uma homogeneidade muito grande, corroborando e ampliando o significado dos resultados de Dick et al. (2004). O grupo 2-1 foi caracterizado pelas amostras de localidades onde originalmente havia uma cobertura de Mata Atlântica (João Pessoa e localidades do estado de São Paulo), cada qual, no entanto, formando um subgrupo distinto, com polimorfismos particulares. Tal subdivisão pode ser um possível reflexo de isolamento por distância, ou ainda de um efeito de deriva dado o grande desmatamento 26 deste bioma. Uma amostragem em localidades intermediárias pode ajudar a aclarar os padrões observados. Esta disjunção filogenética entre a Mata Atlântica (Grupo 2-1) e os biomas Pantanal e Amazônia (Grupo 2-2) apresentam concordância com relatos da literatura para outros grupos de animais como insetos, pequenos mamíferos e morcegos (Costa 2002; Hoffmann & Baker 2003). O aninhamento dos haplótipos de COI demonstrou ainda que as amostras do Panamá e do México (grupo 2-3 – Figura 9) têm maior proximidade com as amostras da Mata Atlântica do que com a floresta amazônica, apesar da maior proximidade geográfica com este último grupo, corroborando a reconstrução filogenética. Sabe-se que algumas espécies colonizaram a América Central migrando ao redor da floresta amazônica, e não a atravessando. O caso mais bem estudado refere-se ao processo de africanização de Apis mellifera (Oliveira & Cunha 2005), porém, deve-se ponderar que esta é uma espécie exótica. Um estudo com mais amostras deve ser conduzido para uma verificação mais segura da rota de colonização de Ex. smaragdina em direção à América Central. 27 J PESSOA 7591 J PESSOA 7601 J PESSOA 7894 J PESSOA 7585 J PESSOA 7590 PON E LACERDA 9801 CAND MENDES 10489 CACERES 9791 MANAUS 9232 CACERES 9795 BORBA 10491 CAJU 10493 SERRINHA 10488 CRISTALINO 9793 MANAUS 9233 CRISTALINO 9792 MANAUS 9235 PON E LACERDA 9800 BORBA 10490 MANAUS 9229 MANAUS 9234 CAMPINA 10492 RIFAINA 7642 UBATUBA 10245 UBATUBA 10244 RIFAINA 7641 S CARLOS 8030 RIFAINA 7647 UBATUBA 10243 S CARLOS 8043 S CARLOS 8029 S CARLOS 8021 S CARLOS 7982 BARREIRINHA 10240 RIFAINA 7640 RIFAINA 7643 63 65 J PESSOA 7590 J PESSOA 7591 RIFAINA 7642 UBATUBA 10244 S CARLOS 8029 J PESSOA 7584 S CARLOS 8030 RIFAINA 7640 S CARLOS 8043 UBATUBA 10245 BARREIRINHAS 10240 S CARLOS 8021 RIFAINA 7647 J PESSOA 7585 J PESSOA 7601 RIFAINA 7641 MANAUS 9229 MANAUS 9235 CRISTALINO 9792 CAMPINA 10492 PON E LACERDA 9801 CRISTALINO 9793 CAJU 10493 MANAUS 9232 MANAUS 9233 BORBA 10490 PON E LACERDA 9800 CACERES 9791 CACERES 9795 CAND MENDES 10489 MANAUS 9234 65 65 65 MANAUS 9233 CRISTALINO 9792 MANAUS 9234 MANAUS 9235 BOLIVIA AY506470 ECUADOR AY506478 BOLIVIA AY506471 CAJU 10493 P E LACERDA 9800 GUIANA FR AY506472 GUIANA FR AY506473 BORBA 10491 BORBA 10490 PANAMA AY506477 PANAMA AY506475 PANAMA AY506474 MEXICO AY506476 J PESSOA 7591 J PESSOA 7590 J PESSOA 7584 UBATUBA 10244 RIFAINA 7642 SAO CARLOS 8021 RIFAINA 7643 SAO CARLOS 8030 84 60 78 73 71 55 Figura 7. Análise da reconstrução filogenética para a espécie Exaerete smaragdina. Acima: à esquerda, loco 16S, e à direita CytB. Ao lado loco COI. Análises feitas a partir do método de neighbour-joining, com 5000 réplicas. 28 S CARLOS 8021 RIFAINA 7647 S CARLOS 8030 RIFAINA 7642 UBATUBA 10244 J PESSOA 7584 J PESSOA 7590 J PESSOA 7591 BORBA 10490 MANAUS 9235 CAJU 10493 MANAUS 9233 PON E LACERDA 9800 MANAUS 9234 CRISTALINO 9792 65 94 75 86 95 65 Figura 8. Análise filogenética de Neighbour-Joining (5000 réplicas) para os locos 16S, CytB e COI concatenados (1246pb) de Exaerete smaragdina. Para a confirmação dos resultados filogeográficos obtidos foram feitas análises de estatística F (Fst e AMOVA) entre as populações de cada localidade. Para tais análises, os resultados do loco COI foram desconsiderados. Este loco apresentou algumas dificuldades de seqüenciamento, e apenas uma ou duas amostras de cada localidade puderam ser seqüenciadas. Como o intuito das análises seguintes era analisar a estruturação populacional, e não o processo evolutivo da espécie (como na análise filogenética), optou-se por considerar apenas os locos 16S e CytB concatenados. 29 Figura 9. Análise de clados aninhados para o loco COI de Exaerete smaragdina. A AMOVA, estruturada entre as quatro regiões geográficas amostradas (Sudeste, Nordeste, Pantanal e Amazônia), confirmou a estrutura hierárquica ao nível de região, que demonstrou ser responsável por 76.35% da variação (ΦCT= 0.76351, p<0,01). O restante da variação (23,65%) ficou dividida entre as populações dentro de regiões (9.74%, com ΦSC= 0.41197 e p não significativo) e entre as populações (13.91%, com ΦST= 0.86094 e p< 0,0001) (Tabela 6). A análise do Fst par-a-par não evidenciou nenhum novo resultado, apenas confirmando a homogeneidade dentro das regiões, com a Amazônia e o Pantanal não significativamente diferentes entre si, e a heterogeneidade entre as demais (dados não apresentados). 1-1 1-5 1-4 1-3 1-6 1-2 2-1 2-3 2-2 30 Tabela 6. Valores obtidos para a AMOVA a partir da concatenação dos locos 16S e CytB para Exaerete smaragdina. Tipo de variação Componentes da variação Porcentagem de variação Estatistica Phi P Entre grupos 1.2756 Va 76.35 ΦCT= 0.766 0.0059 Entre populações dentro de grupos 0.1628 Vb 9.74 ΦSC= 0.412 0.1007 Entre populações 0.2323 Vc 13.91 ΦST= 0.861 <0,0001 4.3. Diversidade genética das populações de Eulaema nigrita Por dificuldades técnicas ainda não identificadas, não foi possível obter seqüências confiáveis do loco 16S em El. nigrita, apesar do bom rendimento obtido nas reações de amplificação. A composição nucleotídica dos locos COI e CytB foram muito semelhantes às obtidas para Ex. smaragdina, como esperado, dada a proximidade filogenética entre as espécies (Tabela 7). Tabela 7. Composição nucleotídica dos locos Citocromo B e COI para Eulaema nigrita. Loco A T C G CytB 35.37% 47,07% 9,91% 7,66% COI 30,57% 44,94% 10,29% 14,20% Os índices de diversidade genética encontrados em Eulaema nigrita foram menores que os de Ex. smaragdina para ambos os locos (Tabela 8), mesmo com a adição de amostras de Viçosa, Marliéria, Guarapari e Villavencio, localidades não amostradas para Ex. smaragdina. 31 Tabela 8. Índices de diversidade gênica (variância) para os locos analisados em Exaerete smaragdina. Loco Nº de haplótipos Diversidade haplotípica Diversidade nucleotídica Nº médio de variações Cyt.B 5 0,377 (0,011) 0,002 (0,002) 0,920 (0,653) COI 7 0,597 (0,107) 0,003 (0,002) 1,033 (0,714) Quanto aos testes de neutralidade, tanto o teste de Tajima quanto o de Fu apresentaram valores negativos para o loco CytB, porém a significância destes testes ficou pouco acima do valor de corte de 5%. No entanto, para o loco COI, que apresenta uma taxa evolutiva maior do que CytB (Mueller 2006) e, portanto, mais informativo, apresentou valores negativos e significativos para ambos os testes (Tabela 9). Se a violação da neutralidade observada for devida a eventos populacionais, como um gargalo genético ou expansão recente, ela deve afetar igualmente substituições sinônimas (dS) e não sinônimas (dNS). Tal fato pode ser observado em nossas amostras, não havendo desvios significativos de dNS/dS (P = 0.065 para CytB, e P = 0,204 para COI, teste Z de seleção com Ho dNS=dS segundo o modelo de substituição de Nei-Gojobori). Tabela 9. Valores obtidos para os testes de neutralidade de Tajima (D) e Fu (Fs) e seus respectivos valores de p para os dois locos analisados de Eulaema nigrita . Loco D de Tajima Fs de Fu Cyt.B -1.347 (P = 0.081) -0.746 (P = 0.067) COI -1.873 (P = 0.019) -3.037 (p = 0.008) A pequena amostragem para cada localidade pode influenciar os resultados, dado que existe uma tendência de se observar mais polimorfismos neste tipo de amostragem do que em grandes amostragens de uma única ou poucas localidades (Rand et al. 1994). Isso pode reduzir a capacidade de identificar as forças evolutivas atuantes, 32 pois alguns haplótipos podem ser comuns em algumas localidades em razão do pequeno número de indivíduos amostrados e que, portanto, aparecem eles mesmos como singletons, ou seja, únicos exemplares de seu haplótipo (Schmid et al. 1999). No entanto, pudemos evidenciar que o mesmo haplótipo está presente em praticamente todas as localidades amostradas (Figuras 12 e 13), mesmo distantes mais de 2.000 km entre si. Estes dados, apoiados no resultado do teste de AMOVA, a serem apresentados, evidenciam que existe uma homogeneidade significante em nossa amostragem (maior parte da variação compartilhada entre as populações), diminuindo a possibilidade de resultados espúrios dos testes de neutralidade. 4.4. Estrutura genética e filogeografia das populações de Eulaema nigrita A baixa variabilidade genética encontrada em El. nigrita refletiu na reconstrução filogenética da espécie. Assim sendo, para o loco CytB, 26 dos 34 indivíduos analisados, distribuídos por toda área de amostragem apresentaram exatamente a mesma seqüência, com um cenário semelhante observado para o loco COI. Nos dois locos analisados, os poucos ramos formados não foram capazes de agrupar os indivíduos segundo sua origem biogeográfica, com exceção de um clado monofilético para as amostras de Villavencio (CO) considerando o loco CytB (Figura 10). Mesmo com os dois locos concatenados, formando uma única seqüência de 832pb, e uma diversidade haplotípica igual a 0,725, não foi possível uma reconstrução filogenética estatisticamente bem suportada (Figura 11). 33 MARLIERIA 7499 VILLAVENCIO 6191 MARLIERIA 7500 VILLAVENCIO 6193 S CARLOS 6186 VICOSA 7503 6181 RIFAINA UBATUBA 10248 VICOSA 7505 S CARLOS 6187 CACERES 9798 BOLIVIA AY506455 6180 RIFAINA PANAMA AY506452 FRANCESA AY506453 MANAUS 7816 MANAUS 7818 GUARAPARI 10221 PANAMA AY506454 GUARAPARI 10223 J PESSOA 10226 UBATUBA 10246 J PESSOA 10228 G FRANC AY506456 64 65 J PESSOA 10228 CRISTALINO 9810 UBATUBA 10247 J PESSOA 10227 VICOSA 7503 CACERES 9797 GUARAPARI 10221 RIFAINA 7494 GUARAPARI 10224 GUARAPARI 10222 UBATUBA 10248 CACERES 9796 MANAUS 7816 MANAUS 7817 S CARLOS 6187 CHAP GUIMARAES 9812 S CARLOS 8031 MARLIERIA 7499 CACERES 9798 RIFAINA 6181 UBATUBA 10246 VICOSA 7504 J PESSOA 10226 GUARAPARI 10223 CRISTALINO 9794 MARLIERIA 7498 VILLAVENCIO 6193 VILLAVENCIO 6191 VILLAVENCIO 6192 96 63 66 Figura 10. Análise da reconstrução filogenética para a espécie Eulaema nigrita. À esquerda, loco COI, e à direita CytB. Análises feitas a partir do método de neighbour-joining, com 5000 réplicas. As redes de haplótipos também refletem a baixa estruturação encontrada, não havendo a formação de grupos que possam ser associados à origem geográfica das amostras. As únicas exceções são as amostras da Guiana Francesa para o loco COI (Figura 12) e de Villavencio (Colômbia) para o loco CytB (Figura 13), que apresentaram uma maior distância genética em relação ao haplótipo mais freqüente. A uniformidade dos haplótipos mitocondriais através de uma grande extensão geográfica, com as redes de haplótipos em formato de estrela, como observado, suporta a hipótese de uma expansão demográfica recente, ou uma curta história evolutiva para as populações, como relatado para outros organismos (Liu et al. 2005; Mirol et al. 2008; Zhao et al. 2008). 34 MANAUS 7816 J PESSOA 10226 VICOSA 7505 GUARAPARI 10221 RIFAINA 6181 VICOSA 7503 J PESSOA 10228 RIFAINA 6180 SAO CARLOS 6187 MANAUS 7818 S CARLOS 6186 UBATUBA 10246 CACERES 9798 GUARAPARI 10223 UBATUBA 10248 MARLIERIA 7499 MARLIERIA 7500 VILLAVENCIO 6191 VILLAVENCIO 619398 66 Figura 11. Análise filogenética de Neighbour-Joining (5000 réplicas) para os locos CytB e COI concatenados (832pb) de Eulaema nigrita. Figura 12. Análise de clados aninhados para o loco COI de Eulaema nigrita: (PAN: Panamá, G FRC: Guiana Francesa, RIF: Rifaina, SC: São Carlos, MAN: Manaus, VIC: Viçosa, GUAR: Guarapari, JPES: João Pessoa, UBAT: Ubatuba, CAC: Cáceres). 35 Figura 13. Análise de clados aninhados para os loco CytB de Eulaema nigrita. (RIF: Rifaina, SC: São Carlos, MAN: Manaus, MARL: Marliéria, JPES: João Pessoa, GUAR: Guarapari, UBAT: Ubatuba, CAC: Cáceres, CGUI: Chapada dos Guimarães, CRIS: Cristalino, VIC: Viçosa). Na análise de Fst, as populações (agrupadas da mesma forma que para Ex. smaragdina) não foram significativamente diferentes umas das outras (dados não apresentados), e a AMOVA evidenciou que a maior parte da variação é compartilhada entre as populações dentro dos grupos (72,28%, p < 0,0001) e entre todas as populações (30,25%, p = 0,025) (Tabela 10). Estes dois testes demonstraram, mais uma vez, não haver estruturação nas populações de El. nigrita analisadas. Tabela 10. Valores obtidos para a AMOVA a partir dos locos concatenados COI e CytB para Eulaema nigrita. Tipo de variação Componentes da variação Porcentagem de variação Estatistica Phi P Entre grupos -0.023 Va -2.53 ΦCT= -0.025 0.389 Entre populações dentro de grupos 0.664 Vb 72.28 ΦSC= 0.704 0.025 Entre populações 0.278 Vc 30.25 ΦST= 0.697 <0,0001 RIF., SC., MAN., MARL., JPES., GUAR., UBAT., CAC., CGUI., CRIS., VIC. 36 É sugerido na literatura que Eulaema nigrita seja uma espécie característica de ambientes abertos e/ou perturbados (Morato et al. 1992; Peruquetti et al. 1999), sendo considerada uma espécie generalista. A elevada presença de El. nigrita em pequenos fragmentos de mata (Tonhasca 2002) e em ambientes urbanos (López-Uribe et al. 2008) pode ser um indício de que houve uma grande expansão populacional desta espécie nos últimos 500 anos, quando o território brasileiro começou a ser devastado pelos colonizadores. Este processo certamente foi mais acentuado no último século, quando houve um grande aumento nas fronteiras agrícolas no Centro-Oeste, na expansão extrativista na Amazônia e o grande crescimento urbano na Mata Atlântica, que hoje conta com apenas 8% de sua cobertura original. 4.5. Comparação entre os aspectos filogeográficos de Ex. smaragdina e sua hospedeira El. nigrita. A ausência de estruturação genética em El. nigrita e a aparente expansão geográfica recente contrastam com as populações estruturadas e aparentemente mais antigas de Ex. smaragdina. Apesar de haver evidências esparsas de outras espécies sendo parasitadas por Ex. smaragdina, os dados nos levam a concluir que a associação entre El. nigrita e Ex. smaragdina é relativamente recente, e que, quer em passado remoto ou recente, outras espécies além de El. nigrita foram parasitadas, pois não se pode sustentar a hipótese de populações de Ex. smaragdina estarem presentes em uma localidade antes de sua hospedeira. Outra possibilidade seria considerar uma taxa evolutiva maior para a espécie parasita, como já foi evidenciado em outras relações de mesma natureza. Hafner et al. (1994), estudando a relação entre uma espécie de roedores e seus 37 ectoparasitas, encontraram uma taxa evolutiva três vezes maior para o loco COI na espécie parasita, tanto em mutações sinônimas quanto não sinônimas, quando comparada à de seu hospedeiro. Resultados correlatos também foram encontrados em Hymenoptera por Dowton & Autin (1995). Resultados inconsistentes em filogenias de sistemas parasita-hospedeiro podem ocorrer por diferentes mecanismos entre os quais a mudança de hospedeiro (Page 1994; Paterson & Gray 1997; Page & Charleston 1998). Baseado na premissa de que o sucesso do parasitismo é parcialmente dependente de densidade e que espécies parasitas sejam ausentes ou pouco freqüentes em locais onde os parasitas não estão presentes (Weislo 1987), Nemésio & Silveira (2006) concluíram que El. nigrita não deve ser a única espécie parasitada por Ex. smaragdina, sugerindo que El. meriana possa ser uma hospedeira alternativa onde as duas espécies ocorrem em simpatria. Esta parece ser a explicação mais plausível para os resultados observados, podendo ser El. nigrita uma nova hospedeira de Ex. smaragdina, ou ainda sua hospedeira original, mas não exclusiva. Uma análise com uma maior amostragem e com outras possíveis hospedeiras (como El. meriana) podem revelar padrões filogeográficos mais acurados e uma possível explicação histórica para as associações cleptoparasíticas desta espécie. 4.6. Análise do status de espécie de Exaerete lepeletieri baseado em caracteres genéticos Para acessar a diferenciação genética de Ex. lepeletieri em relação às duas espécies que lhe são mais próximas filogeneticamente foram seqüenciados os locos CytB e 16S. A diversidade nucleotídica em Ex. lepeletieri para o loco 16S foi semelhante à reportada para as populações de 38 Ex. smaragdina. Para o loco CytB, no entanto, Ex. lepeletieri apresentou um valor cerca de duas vezes maior de diversidade nucleotídica, com um número médio de variações nucleotídicas igualmente maior para este loco. Para Ex. frontalis não foram observados polimorfismos nos dois locos analisados (Tabelas 11 e 12). Os índices de diversidade genética entre as espécies demonstram que Ex. lepeletieri é mais próxima filogeneticamente de Ex. frontalis, enquanto as análises de Fst demontraram que as três espécies analisadas são diferentes entre si (valores significativos de P) (Tabelas 13 e 14). Tabela 11. Diversidade genética (desvio padrão, 5.000 reamostragens) observada para as 3 espécies para 364pb do gene mitocondrial Citocromo B. Espécie Diversidade nucleotídica Nº médio de variações Exaerete lepeletieri 0.011 (0,007) 3.800 (2.294) Exaerete frontalis Sem polimorfismo Sem polimorfismo Exaerete smaragdina 0.005 (0.003) 1.7634 (1.051) Tabela 12. Diversidade nucleotídica e número médio de substituições (desvio padrão, 5.000 reamostragens) observada para as três espécies para 463pb do gene mitocondrial 16S. Espécie Diversidade nucleotídica Nº médio de variações Exaerete lepeletieri 0.003 (0.002) 1.238 (0.885) Exaerete frontalis Sem polimorfismo Sem polimorfismo Exaerete smaragdina 0.003 (0.002) 1.426 (0.891) Tabela 13. Diagonal inferior: Diversidade genética (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 364pb do gene 39 mitocondrial Citocromo B. Diagonal superior: Fst par-a-par (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 364pb do gene mitocondrial Citocromo B. Ex. lepeletieri Ex. frontalis Ex. smaragdina Ex. lepeletieri 0.916 (p<0,001) 0.929 (p<0,0001) Ex. frontalis 0.020 (0.010) 0.917 (p<0,0001) Ex. smaragdina 0.052 (0.037) 0.060 (0.050) Tabela 14. Diagonal inferior: Diversidade genética (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 463pb do loco mitocondrial 16S. Diagonal superior: Fst par-a-par (Desvio padrão, 5.000 re-amostragens) observada entre as 3 espécies para 463pb do gene mitocondrial Citocromo B. Ex. lepeletieri Ex. frontalis Ex. smaragdina Ex. lepeletieri 0.672 (p<0,001) 0.874 (p<0,0001) Ex. frontalis 0.020 (0.007) 0.931 (p<0,0001) Ex. smaragdina 0.030(0.009) 0.028 (0.009) Os valores encontrados para os índices de diversidade genética e no teste de Fst foram corroborados pela reconstrução filogenética. Para o loco 16S, as três espécies formaram clados monofiléticos com altos valores de suporte. Segundo este loco, o status de espécie de Ex. lepeletieri é incontestável (Figura 14). Os resultados observados para o loco CytB, por outro lado, não são tão conclusivos. Parece evidente a existência de um clado monofilético entre Ex. lepeletieri e Ex. frontalis, sendo estas duas espécies mais próximas entre si do que de Ex. smaragdina. O mesmo já havia sido observado para o loco 16S. No entanto, Ex. lepeletieri não formou um grupo monofilético, mas sim dois grupos, sendo um deles 40 grupo-irmão de Ex. frontalis e outro que seria grupo-irmão deste clado (Figura 15). A natureza parafilética de Ex. lepeletieri para CytB contrasta-se, portanto com a monofilia observada em 16S. A ausência de monofilia para Ex. lepeletieri pode ser efeito de uma separação ainda incompleta das linhagens de Ex. lepeletieri e Ex. frontalis para este loco. É interessante notar que os dois indivíduos de Ex. lepeletieri que ficaram de fora do grupo irmão de frontalis (10500 e 10501) apresentavam um tamanho corporal menor (cerca de 18mm) do que os demais (cerca de 28mm). Infelizmente, o número de amostras analisadas foi pequeno (para o loco CytB ainda não foi possível seqüenciar dois indivíduos). Cerca de 30 novos espécimes desta espécie já foram enviados ao nosso laboratório e serão seqüenciados em breve, inclusive para novos locos. Esperamos em breve resultados mais conclusivos. Por fim, uma das amostras identificadas como Ex. smaragdina, proveniente de Pontes e Lacerda (MT), fronteira entre os domínios de Pantanal e Amazônia, apresentou seqüências nucleotídicas semelhantes à encontrada em Ex. lepeletieri, tanto para o loco 16S quanto para CytB. Desta forma, sugerimos que os limites geográficos desta espécie sejam revistos, uma vez que os dados moleculares indicam que ela não se restringe somente à floresta amazônica. 41 16S LEPEL 10502 16S LEPEL 10500 16S LEPEL 10503 16S LEPEL 10501 PON E LACERDA 9799 16S LEPEL 10505 16S LEPEL 10504 16S FRONT 10499 16S FRONT 10495 16S FRONT 10496 16S FRONT 10497 16S FRONT 10494 MANAUS 9235 CRISTALINO 9792 PON E LACERDA 9800 J PESSOA 7894 RIFAINA 7640 SAO CARLOS 7982 16S APIS MELLIFERA 67 50 95 97 76 Figura 14. Reconstrução filogenética para o loco 16S para as espécies Ex. smaragdina, Ex. frontalis e para a possível espécie Ex. lepeletieri, pelo método de Neighbour-Joining (5000 réplicas). CYTB FRONT 10496 CYTB FRONT 10498 CYTB FRONT 10497 CYTB FRONT 10494 CYTB FRONT 10495 PON E LACERDA 9799 CYTB LEPEL 10502 CYTB LEPEL 10503 CYTB LEPEL 10501 CYTB LEPEL 10500 SAO CARLOS 8021 RIFAINA 7640 J PESSOA 7584 CRISTALINO 9792 MANAUS 9235 PON E LACERDA 9800 CYTB APIS MELLIFERA 87 71 99 87 65 69 88 Figura 15. Reconstrução filogenética para o loco Citocromo B para as espécies Ex. smaragdina, Ex. frontalis e para a possível espécie Ex. lepeletieri, pelo método de Neighbour-Joining (5000 réplicas). 42 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVAS 5.1. Estudos filogeográficos na América do Sul Há poucos dados na literatura sobre filogenética molecular e evolução intra-específica em Euglossini. Aspectos gerais sobre a evolução das espécies do grupo já foram relatados (Engel 1999; Cameron 2004) e apenas um trabalho sobre caracterização molecular intraespecífica, utilizando-se marcadores RFLP é encontrado na literatura (López-Uribe & Del Lama 2007). O único trabalho filogeográfico publicado até o momento (Dick et al. 2004) restringe-se à influência dos Andes na diversificação de Euglossini. As possíveis rotas evolutivas destes organismos no Brasil e na América do Sul são praticamente desconhecidas. Desta forma, o presente estudo fornece as primeiras informações sobre a filogeografia de Euglossini no Brasil. Dois padrões distintos de evolução foram observados. Para Exaerete smaragdina, populações estruturadas geograficamente e duas possíveis rotas evolutivas (Mata Atlântica e Amazônia + Pantanal). Para Eulaema nigrita, os dados apontam para uma rápida expansão populacional e populações não estruturadas, talvez um reflexo de sua alta incidência em ambientes perturbados. Contudo, deve-se salientar que o grupo de Euglossini apresenta uma grande diversidade, com muitas espécies distribuídas por um largo território. Estudos subseqüentes, baseado em um maior número de espécies e maiores amostragens certamente aumentarão nosso conhecimento sobre as rotas evolutivas desta tribo. 5.2. Filogeografia comparada em sistemas parasita- hospedeiro. A interação entre espécies é um mecanismo fundamental para os padrões macro-evolucionários de diversificação. Um dos exemplos mais relevantes de interação interespecífica é 43 o padrão co-evolutivo encontrado em sistemas parasita- hospedeiro (Page 2003). Os trabalhos mais relevantes nesta área são os trabalhos pioneireos de Roderick Page (Page 1990, 1991; Hafner & Page 1995; Johnson et al. 2003) e os trabalhos mais atuais de Nieberding (Nieberding et al. 2004, 2005, 2006, 2008; Nieberding & Olivieri 2007). No entanto, a maioria dos trabalhos refere-se a sistemas de endoparasitismo ou de ectoparasitismo nos quais o ciclo de vida do hospedeiro depende completamente da associação parasítica (reprodução, locomoção e alimentação). No caso de cleptoparasitismo (deposição de ovos no ninho da espécie parasitada), não há trabalhos relevantes sobre filogeografia comparada. O estudo filogeográfico mais relevante em Hymenoptera indica que há um aumento da diversidade genética nos genes mitocondriais em linhagem onde ocorreu a evolução do modo de vida parasítico (Dowton & Austin 1995). Os dados aqui apresentados são os primeiros resultados moleculares que apontam que El. nigrita não deve ser a única hospedeira de Ex. smaragdina. Novamente, uma maior amostragem pode trazer uma maior confiabilidade nos resultados. Além disso, a análise de outras espécies hospedeiras em potencial, como El. meriana, ou ainda de outras parasitas como Ex. frontalis e Aglae caerula podem ajudar a entender a evolução deste comportamento na tribo Euglossini. 5.3. Determinação do status de espécie por marcadores moleculares Genealogias feitas a partir do DNA mitocondrial geralmente têm resolução suficiente para mostrar as descontinuidades biológicas reconhecidas pelos taxonomistas como espécies (Hebert 2004). Com base neste fato, revisões taxonômicas ao nível de espécie têm incluído análises de 44 divergência do DNA mitocondrial. Por exemplo, algumas espécies de pássaros recentemente identificadas têm sido parcialmente definidas com base em divergências filogenéticas (Avise & Zink 1988; Murray et al. 1994; Banks et al. 2002, 2003, p. e.). Em um trabalho recente, Nemésio (2009) reavaliou morfologicamente a categoria de quatro espécies, além de identificar novas espécies de Euglossini, todas de ocorrência na Mata Atlântica. Além disso, discute a possibilidade de Exaerete frontalis não ser uma única espécie, mas sim duas, uma da Amazônia e outra da Mata Atlântica. Mesmo com toda discussão taxonômica em Euglossini, ainda não há nenhum estudo na literatura sobre a confirmação da monofilia das espécies deste grupo. Para Ex. lepeletieri, foi possível observar que ela realmente é uma nova espécie, e uma amostragem maior ainda poderá informar se, na verdade, ela não constitui duas novas espécies. Como esta metodologia será aplicada cada vez mais frequentemente em amostras deste grupo, as incongruências taxonômicas observadas em Euglossini deverão ser resolvidas. Desta forma, este trabalho contribui com as primeiras informações filogeográficas de Euglossini no território brasileiro, as possíveis influências dos domínios biogoegráficos nas rotas evolutivas e as relações entre parasita-hospedeiros encontradas dentro da tribo, e traz à tona a discussão sobre a confirmação do status das novas espécies recentemente descritas. 45 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANJOS-SILVA, E.J. dos; REBELO,J.J.M. 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