UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DA SAÚDE - CCBS DEPARTAMENTO DE TERAPIA OCUPACIONAL - DTO A saúde mental das crianças na pandemia da Covid-19: uma perspectiva de professores de uma Unidade de Educação Infantil Orientanda: Catharina Carvalho Gini Orientadora: Amanda Dourado Souza Akahosi Fernandes 09/2022 RESUMO Alguns grupos sociais têm sido mais impactados pela pandemia da Covid-19 como, por exemplo, as pessoas com deficiência, pessoas que vivenciam situações de maior vulnerabilidade social, indígenas, crianças e adolescentes. Estudos têm alertado para os prejuízos da Covid-19 na vida das crianças e adolescentes no âmbito do aprendizado, relações sociais, saúde mental e no desenvolvimento de modo geral. Assim, o objetivo do presente estudo foi compreender as implicações da pandemia da Covid-19 na saúde mental de crianças, a partir da perspectiva de professores de uma Unidade de Educação Infantil. Os objetivos específicos foram: identificar a percepção dos professores sobre o conceito de saúde mental infantil e quais são as estratégias adotadas pelos mesmos visando a saúde mental das crianças no contexto pandêmico. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo de abordagem qualitativa. Foram participantes professores de uma Unidade de Educação Infantil. A coleta de dados ocorreu de forma remota, sendo utilizado um formulário de caracterização do participante e uma entrevista semiestruturada. Para análise dos dados utilizou-se da análise temática. Os resultados apontaram uma compreensão ampliada de saúde mental na perspectiva dos professores, envolvendo aspectos para além do quadro clínico e sintomas. Além disso, identificou-se que a pandemia impactou o desenvolvimento e saúde mental das crianças de modo geral. A escola aparece como um importante fator protetivo e de promoção à saúde mental das crianças e apoio à família. Espera-se que este estudo possa contribuir não só para compreensão de uma realidade nova e emergente, que está sendo reinventada dia após dia, mas também, para novas reflexões e discussões acerca das estratégias de intervenção e políticas públicas voltadas à saúde mental de crianças. Palavras-chaves: Saúde Mental; Criança; Educação; Infecções por coronavírus ABSTRACT Some social groups have been impacted by the COVID-19 pandemic, such as people with disabilities, people who experience situations of greater social vulnerability, indigenous people, children and teenagers. Studies have shown the damage that Covid-19 caused in the lives of children and teenagers with learning, social relationships, mental health and their development in general. Therefore, the objective of this study is to understand the implications caused on mental health of children by the Covid-19 pandemic with the perspective of teachers of an Early Childhood Education Unit. The specific objectives were: to identify the teachers' perception of children’s mental health and what are the strategies adopted by them, keeping in mind the mental health of these children during the pandemic. This is an exploratory, descriptive study with a qualitative approach. Teachers from an Early Childhood Education Unit participated. Data collection took place remotely, using a participant charatization form and a semi-structured interview. For data analysis, thematic analysis was used. The results showed an expanded understanding of mental health from the teachers’ perspective, involving aspects beyond the clinical picture and symptoms. In addition, it was identified that the pandemic impacted the development and mental health of children in general. The school appears as an important protective factor and promotion of children’s mental health and family support. It is hoped that this study can contribute not only to the understanding of a new and emerging reality, which is being reinvented day after day, but also to new reflections and discussions about intervention strategies and public policies aimed at children’s mental health. Key-words: Mental health, Children, Education, Coronavirus Infections SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 4 2 . OBJETIVO 9 3. MÉTODO 9 3.1 Participantes 9 3.2 Local 10 3.3 Instrumentos de coleta de dados 10 3.4 Procedimentos 10 3.4.1 Aspectos Éticos 10 3.4.2 Identificação e localização dos participantes 11 3.4.3 Elaboração e validação dos instrumentos 11 3.4.4 Coleta de dados 11 3.4.5 Análise e tratamento de dados 12 4. RESULTADOS 12 4.1 Caracterização dos participantes 12 4.2 Temas que emergiram a partir da análise temática 13 4.2.1 A saúde mental sob a perspectiva da equipe escolar 14 4.2.2 Implicações da pandemia na saúde mental das crianças 17 4.2.3 A escola e a saúde mental infantil: possibilidades, desafios e o panorama atual da covid-19 19 5. DISCUSSÃO 23 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 25 REFERÊNCIAS 27 APÊNDICE 1 - ROTEIRO DE ENTREVISTA 31 1. INTRODUÇÃO 6 O ano de 2020 foi marcado pelo surgimento da Covid-19 no Brasil, uma doença infecciosa provocada pelo novo coronavírus, o qual foi reconhecido pela primeira vez na China, no final de 2019. Assim, diante da propagação do vírus, o mundo passou a adotar diferentes medidas para controle da situação. (OMS, 2020). Dentre estas, têm-se as medidas de segurança e proteção implantadas em diversos países como, por exemplo, a higienização recorrente das mãos, o distanciamento social e uso de máscaras. Além disso, as escolas, universidades e atividades coletivas foram suspensas, muitos começaram a trabalhar em home office e as atividades não essenciais tiveram que se adaptar à nova realidade. Observa-se que essas medidas foram tomadas de formas diferentes a depender do país, região que se encontram e governo local, considerando a gravidade do contexto. (OPAS, 2020). Nessa direção, aponta-se que a pandemia afetou significativamente o cotidiano e a vida das pessoas, de forma que alguns grupos sociais foram mais afetados pela pandemia, como é o caso das pessoas com deficiência, idosos, pessoas em cenários de maior vulnerabilidade social, indígenas, crianças e adolescentes. (PIRES, 2020; ORNELL et al., 2020). Especificamente sobre as crianças e adolescentes, entidades governamentais e não governamentais, assim como a literatura, alertam para os impactos da Covid- 19 na vida desses indivíduos, evidenciando prejuízos no âmbito do aprendizado, relações sociais, saúde mental e no desenvolvimento de modo geral. (BROOKS et al., 2020; FEGERT, 2020; FIOCRUZ, 2020a; FIOCRUZ, 2020b; UNICEF, 2020; JIAO et al, 2020). Com a suspensão abrupta das escolas e das atividades extracurriculares as crianças tiveram seu cotidiano interrompido, sendo que muitas delas passaram a apresentar mudanças no comportamento, questões emocionais como ansiedade, preocupação, irritação, entre outros. (POLANCZYK, 2020; SHING et al., 2020). Além disso, os autores apontam que o distanciamento social de seus familiares, amigos, professores e a limitação do ir e vir, somadas ao medo de ser infectado ou de ter alguém da sua família infectado, também tem impactado na saúde mental das mesmas. (POLANCZYK, 2020; SHING et al., 2020). A partir de uma busca na literatura foram encontrados estudos que objetivaram compreender a saúde mental de crianças e adolescentes na pandemia da Covid19. (JIAO et al, 2020; WANG et al, 2020; XINYAN XIE, 2020; POLANCZYK, 2020). De 7 modo geral, os estudos centralizam-se em países europeus e asiáticos e abordam a questão a partir da perspectiva dos pais. Além disso, é possível identificar que no Brasil há uma escassez de estudos que visem compreender a saúde mental da criança durante o período pandêmico e o papel das instituições escolares nesse cenário. Grande parte dos estudos encontrados são na realidade produções e orientações de organizações/instituições que se debruçaram a identificar como as crianças têm vivenciado a pandemia, na perspectiva do cotidiano e orientações às famílias. (FIOCRUZ, 2020a; UNICEF, 2020; FOLINO et al., 2020; FORE, 2020). No estudo realizado por Wen Yan Jiao (2020), na Província de Shaanxi, foi aplicado um questionário junto a 320 pais de crianças e adolescentes entre 3 e 18 anos de idade, visando identificar os impactos da pandemia na vida das crianças e adolescentes. Os resultados identificaram a presença de irritabilidade, medo de adoecimento dos familiares, problemas de sono, dependência em excesso dos pais, desatenção, preocupação e pesadelos. Outro estudo também conduzido por meio de formulário online respondido por 2330 estudantes chineses, da segunda a sexta séries de escolas primárias, identificou forte prevalência de sintomas depressivos e ansiosos nas crianlças. (XINYAN XIE, 2020). Quanto ao cenário nacional tem-se a pesquisa de Dutra (2020) realizada com cinco crianças de 8 a 10 anos de idade residentes na região metropolitana de Belo Horizonte, com o objetivo de compreender os sentimentos das mesmas em relação a quarentena. Os resultados identificaram que as crianças tinham consciência do que seria o coronavírus, de forma que relatavam sentir falta das aulas, socialização entre os pares, brincar com seus colegas e realizar atividades físicas. Folino et al (2020) realizaram uma pesquisa no Rio de Janeiro com 20 crianças, de diferentes gêneros e classes sociais, a qual buscou por meio de entrevistas semiestruturadas, aplicadas de forma remota, entender a percepção de crianças sobre a pandemia do COVID-19. Os autores identificaram que o sentimento mais forte apresentado pelas crianças em relação a esse tema é o medo e a preocupação, além da saudade do contato físico e do afeto dos colegas e familiares. Mesmo diante das adaptações ocorridas durante a pandemia, a literatura também têm evidenciado que a escola continuou sendo um contexto importante para desenvolvimento da criança e adolescente e para a saúde mental das mesmas, ainda que de forma remota. (BROOKS et al., 2020; CIFUENTES-FAURA, 2020). Porém, quando se trata da educação, cabe mencionar os obstáculos presentes para a 8 promoção da educação no Brasil durante a pandemia, como a dificuldade no acesso à tecnologia para ter aulas à distância, falta de computadores, celulares e internet. (ARAÚJO, 2020; DIAS; PINTO, 2020). Posto isso e, apesar das dificuldades apresentadas, autores afirmam que é preciso continuar estimulando a solidariedade, a resiliência e as relações sociais entre educadores e alunos no contexto atual, uma vez que contribui para a diminuição do impacto emocional negativo da pandemia nos estudantes (DIAS; PINTO, 2020), fortalecendo a manutenção do vínculo e as redes de cuidado e atenção. (FIOCRUZ, 2020b). Dessa forma, compreende-se que os professores exercem um papel importante, sendo ele não apenas de educar, mas também de manter contato com os pais e ajudar no monitoramento da saúde dessas crianças, oferecendo auxílio e apoio emocional se necessário. Concomitantemente com o apoio emocional e diretamente relacionado a ele, considera-se fundamental que a escola e professores enfatizem a promoção à saúde, por meio de orientações sobre hábitos de higiene, prática de exercícios físicos, alimentação adequada e hábitos de sono no momento atual. (CIFUENTES-FAURA, 2020). De acordo com Casemiro et al (2014), a escola é o local de encontro entre saúde e educação, fornecendo o desenvolvimento das atividades de educação e promoção da saúde. Este diálogo e parceria, entre saúde e escola, parece ser fundamental quando se trata de ações de promoção da saúde na infância e adolescência, etapas tão singulares do desenvolvimento humano. Além disso, identifica-se que o contexto escolar tem sido compreendido como locus importante para reconhecimento das dificuldades das crianças e adolescentes, que muitas vezes podem permanecer invisíveis em outros contextos. (DIAS; PINTO, 2020; TAÑO; MATSUKURA, 2020). Nessa direção, ressalta-se a necessidade de mais investimentos e estudos, principalmente no contexto brasileiro, que continuem a investigar a realidade vivida por essas crianças durante a pandemia da Covid-19 sob diferentes perspectivas, de forma a colaborar para uma maior compreensão dos desafios advindos de uma das maiores crises sanitárias mundiais. Sendo assim, investir em estudos que dimensionem os impactos da pandemia na saúde mental infantil pode favorecer não só a compreensão de uma realidade nova e emergente, que está sendo reinventada 9 dia após dia, mas também contribuir para novas reflexões e discussões acerca das estratégias de intervenção e políticas públicas voltadas a esse segmento. 2 . OBJETIVO Compreender as implicações da pandemia da Covid-19 na saúde mental de crianças, a partir da perspectiva de professores de uma Unidade de Educação Infantil. Objetivos específicos: a) Identificar a percepção dos professores sobre o conceito de saúde mental infantil; b) Identificar quais são as estratégias adotadas pelos professores visando a saúde mental das crianças no contexto pandêmico. 3. MÉTODO Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e de abordagem qualitativa. Considera-se que estudos dessa natureza possibilitam uma maior compreensão da realidade investigada e do problema de pesquisa. (LEOPARDI, 2001). Segundo Gil (2002), a pesquisa exploratória tem como objetivo principal a proximidade com o tema em questão por meio do aperfeiçoamento de ideias tornando- o mais esclarecedor. Já a descritiva tem como objetivo apresentar as características de uma população, um fenômeno ou experiência para o estudo realizado. 3.1 Participantes Foram participantes seis professores atuantes em uma Unidade de Educação Infantil. Como critérios de inclusão, foram selecionados professores que já atuavam na Unidade de Educação Infantil do presente estudo antes do início da pandemia, com mais de 2 anos de experiência nesse setor. 10 3.2 Local A pesquisa foi realizada em uma Unidade de Educação Infantil que atende crianças de 0 a 6 anos de idade. Aponta-se que a Unidade de Educação Infantil selecionada se localiza em um município de porte médio do interior do estado de São Paulo. A escolha por esta Unidade se deu pelo seu tempo de funcionamento (30 anos), sendo uma referência para o município. Além disso, a Unidade manteve o vínculo com os alunos e as famílias por meio de encontros e atividades remotas durante a pandemia. 3.3 Instrumentos de coleta de dados Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: um formulário de caracterização dos participantes e uma entrevista semiestruturada (APÊNDICE 1). As entrevistas semiestruturadas como aponta Duarte (2004) possibilitam mapear crenças e práticas de situações específicas, de forma a compreender com maior profundidade como cada sujeito significa aquela realidade e o que está por trás da formação desses grupos e situações. 3.4 Procedimentos Aqui estão incluídos todos os procedimentos feitos para a realização da pesquisa. 3.4.1 Aspectos Éticos O projeto de pesquisa foi desenvolvido de acordo com a Resolução no 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, aprovada sob parecer n° 4.936.280. Todos 11 os participantes que aceitaram participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), disponível de forma online. 3.4.2 Identificação e localização dos participantes Após a autorização do Comitê de Ética e da gestão da Unidade de Educação Infantil, a pesquisa foi apresentada de forma remota (vídeo-chamada, ligação) aos professores que se enquadram nos critérios de inclusão. Aqueles que aceitaram participar assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 3.4.3 Elaboração e validação dos instrumentos O instrumento de coleta de dados foi construído pelas pesquisadoras e posteriormente foi realizado a validação por meio de avaliação externa de juízes especialistas na área (MANZINI, 2003). Os juízes analisaram desde a estrutura até o conteúdo, pertinência e coesão. Segundo Manzini (2003), a construção de instrumentos de coleta de dados implica em alguns aspectos que tanto o pesquisador como o juiz devem considerar, como, por exemplo, a pertinência das questões em relação à problemática a ser investigada, a linguagem utilizada, o formato e a sequência das perguntas. Além da análise do instrumento por juízes especialistas da área foi realizado uma aplicação piloto antes de finalizar o instrumento. 3.4.4 Coleta de dados A coleta de dados foi realizada de forma online através da plataforma Google Meet, em dia e horário agendado previamente com os participantes. Assim, foi solicitado aos participantes a gravação da entrevista para a posterior transcrição da mesma. 12 3.4.5 Análise e tratamento de dados Como forma de análise e tratamento de dados foi utilizado a análise temática, uma das técnicas contidas na análise de conteúdo da Bardin (BARDIN, 2008). Para tanto, foi realizada a leitura exaustiva das entrevistas transcritas como forma de apreender seu conteúdo. Em seguida, foram identificados os temas que emergiram do processo sistemático de leitura. Após esta etapa, os temas identificados foram agregados e deram origem às categorias (BARDIN, 2008). 4. RESULTADOS Nessa seção serão apresentados os dados obtidos a partir da análise temática de Bardin (2008). Primeiramente encontram-se os dados referentes à caracterização dos participantes, em seguida os temas que emergiram durante a entrevista com as profissionais da Unidade de Educação Infantil. 4.1 Caracterização dos participantes Participaram seis profissionais de uma Unidade de Educação Infantil de um município de médio porte do interior do Estado de São Paulo. No primeiro quadro apresenta-se a caracterização desses profissionais, onde foi possível identificar a formação profissional, tempo de graduação, pós-graduação e trabalho na unidade atual. Como forma de resguardar a privacidade e identidade das profissionais foi utilizado a palavra “participante”, seguido de um número, para se referir a cada um deles. Quadro 1 - Caracterização das participantes Formação Tempo de graduação Pós-graduação Tempo de atuação na Unidade Turma ou cargo em que atua Participante 1 Pedagogia 36 anos Mestrado de 30 anos Trabalha em 13 formação de professores e especialização em educação infantil cargo de gestão Participante 2 Pedagogia 21 anos Mestrado e doutorado na área de processos de ensino e aprendizado e pós doutorado em linguística 8 anos Turma 2 e 4 Participante 3 Pedagogia 10 anos Mestrado em arte na educação escolar e Doutorado na importância da linguagem oral e escrita 3 anos Turma 2 e 3 Participante 4 Pedagogia 27 anos Mestrado em educação 4 anos Trabalha em cargo de gestão Participante 5 Pedagogia e Psicologia 32 anos Mestrado e Doutorado em educação 18 anos Turmas 1, 4 e 5 Participante 6 Pedagogia 19 anos Mestrado e Doutorado em educação com foco educação matemática na infância e Pós doutorado na linha de fusão para ciência 8 anos Turma 1 e 2 *As turmas são referentes às idades da criança Fonte: Elaborado pela autora. A partir do quadro acima observa-se que das seis participantes todas são pedagogas e, destas, duas também atuam na gestão. O tempo de graduação variou de 10 a 36 anos, todas possuem mestrado, quatro possuem doutorado e duas delas pós-doutorado. O tempo de atuação da Unidade de Educação Infantil variou de 3 a 30 anos. 4.2 Temas que emergiram a partir da análise temática Figura 1 - Temas que emergiram a partir de análise dos dados coletados 14 Fonte: Elaborado pela autora 4.2.1 A saúde mental sob a perspectiva da equipe escolar Nessa temática, apresenta-se a percepção dos participantes sobre o conceito de saúde mental e os aspectos que a permeiam; Os trechos abaixo ilustram a temática: (...) A nossa saúde ela é corpo, mente e para mim alma e espírito também…(...) ela está alinhada a questão emocional e psíquica, nessa área, ele não é algo que se dá no plano motor e é lógico que reflete no plano físico. Participante 1; Se relaciona (a saúde mental) com o bem estar da criança, físico, mental, está relacionado ao bem estar, eu diria dessa forma. Participante 3; A criança pode brincar, ter rotina, ter tempo livre, ter carinho, atenção da família, acho que isso é muito importante inclusive: atenção, carinho e limite. Participante 4; Acredito que a saúde mental é um estado do bem estar psicológico, emocional, afetivo e o infantil é o da criança mesmo. Participante 5; A saúde mental eu penso que envolve as emoções, as relações psíquicas das crianças e acho que envolve o bem estar e envolve também o lado emocional. Participante 6. T em as A saúde mental sob a perspectiba da equipe escolar Implicações da pandemia na saúde mental das crianças O contexto escolar e a pandemia da Covid-19 15 A partir dos trechos extraídos é possível observar que a percepção dos educadores sobre a saúde mental envolve aspectos físicos , emocionais, bem estar mas, também, fatores espirituais, relações de afeto e lazer. Dito isso, os participantes trazem pontos que consideram prejudiciais para a saúde mental na infância, podendo ser observados nas seguintes falas: (...) Acho que até aspectos sobre rejeição, a criança não é vista pelos pais, às vezes é rejeitada mesmo. Participante 1; (...) fatores que vão influenciar para certas dificuldades é a criança não ter o apoio da família, do professor, uma criança que normalmente é rejeitada ou então sobre determinados preconceitos que não são trabalhados por ninguém (...) um ambiente por exemplo desorganizado, desestruturado e com muita briga. Participante 2; Eu penso que a falta de atenção das famílias, falta de carinho, sem rotina ou rotina não apropriada, de repente deixar a criança fazer o que quer a hora que quer, não ter o limite (...) acho também que violência em casa, discussões, briga, acho que isso interfere muito também. Participante 4; Crianças que vivem em cenas de violência, de abuso além de tudo a gente começou a receber crianças que tinham problemas comportamentais por conta desse ambiente em que elas vivem. (...) Eu acho que não se sentir acolhida, não ter um espaço delas, estavam na própria casa, com a família mas não parece que um espaço dela, a criança é uma pedra no sapato que infelizmente a gente tem que dar conta, então assim, eu acho que não se sentem acolhidas, não se sentem num espaço feito para elas, não tem uma rotina pensado, e sim uma a ser adaptada na rotina dos pais, sabe. Participante 5; (...) Se for uma instituição que só tem um lugar pra você jogar a criança, um depósito de criança, com alto volume, sem lugar pra brincar, desenvolver, comer, dormir, brincar na areia colorida e limpa, se não tem isso vai prejudicar a saúde mental dela. Participante 6. Observa-se que os participantes identificam alguns fatores de risco que podem prejudicar a saúde mental das crianças como, por exemplo, práticas parentais negativas (negligência, violência, falta de afeto, entre outras). Assim, apontam para as possíveis implicações do ambiente em que vive, seja da escola, família e das relações estabelecidas para a saúde mental das crianças. Em contraposição aos riscos presentes, os participantes também relatam sobre a importância dos fatores de proteção para a saúde mental das crianças: Uma criança que ela é muito amada, bem aceita pela família, que ela tem um ambiente familiar e um relacionamento com crianças de uma forma equilibrada. Participante 1; 16 Favorecem aquilo que eu te falei se você é amado, se você se sente seguro no seu lar, na sua escola, se você sente esse carinho, que você tenha ali um suporte emocional eu acho que é muito favorável. Participante 2; A saúde mental infantil, acho que não só a infantil, mas a infantil pra que ela tenha uma saúde mental boa ela tem que brincar, tem que se alimentar direito, fazer atividade física, ter rotina, tem que ter hora de comer, hora de tomar banho, hora de brincar, hora de ver tv e tem que ter limites também, acho que é um conjunto desses fatores que pode facilitar uma boa saúde mental. Participante 4; (...) A instituição de educação infantil pode refletir positivamente ou negativamente na saúde, o contexto preparado, acolher a criança de acordo com suas especificidades que ela merece, com profissionais para acolher, ela vai ter uma saúde mental boa. Participante 6. Conforme apresentado, os mesmos fatores que são considerados prejudiciais à saúde mental também podem ser considerados favoráveis a mesma, dependendo de como ocorrem. Outro aspecto identificado nesta temática se refere ao papel das interações sociais na saúde mental das crianças, compreendendo assim, o quanto a saúde mental é considerada uma construção não apenas individual mas também coletiva pelas educadoras: Acho que pode afetar o ritmo de vida (...) a rede de relacionamentos dessa criança, as crianças poderem se relacionar com outras crianças, principalmente crianças da mesma idade e de idades diferentes. Participante 1; A saúde mental da criança é resultado da interação da criança com outras pessoas (...) à medida que organizam a atividade da criança pequena esses aspectos podem favorecer ou dificultar, então isso depende muito das pessoas que convivem com a criança. Participante 3. Ainda que de modo geral a concepção de saúde mental pelos participantes parte de uma perspectiva mais ampliada, em alguns relatos fica explícito a dimensão individual, normativa, pautada na doença: Nós tivemos crianças lá as vezes que tem um problema como a síndrome de down… que estão dentro de uma normativa… autistas, tivemos asperger, e crianças, por exemplo, que às vezes é muito birrenta, briga muito (...) é um problema muito crônico e de agravo…. Participante 1; (...) a gente começou a receber crianças que tinham problemas comportamentais por conta desse ambiente que elas vivem, crianças autistas, com síndrome de down. Participante 5; 17 4.2.2 Implicações da pandemia na saúde mental das crianças Essa temática apresenta as diferentes e possíveis implicações que a pandemia teve sobre a vida das crianças, principalmente no âmbito da saúde mental. Alguns dos pontos apresentados incluem os reflexos do distanciamento social, o tempo de tela das crianças, importância da socialização, não só para a saúde mental como, também, para o desenvolvimento como um todo. Sobre os impactos do distanciamento social, os trechos abaixo ilustram: Então a pandemia eu acho que prejudicou bastante nesse sentido, nesse momento do distanciamento, porque a interação presencial é essencial pro desenvolvimento infantil. Participante 1. (...) ela pedia e chorava que queria ir pra escola encontrar as amigas, então eu vivenciei isso em casa. Aí a gente acabou deixando ela ir pra escola porque a gente viu o quanto ela tava sofrendo, e eu vejo isso sempre que me reúno com as crianças, tem criança que começa a chorar. Participante 2; (...) esse contexto da pandemia mostra isso muito bem, o quanto a pandemia e não estar na escola e estar isolado no ambiente doméstico afetou a saúde mental das crianças. Olha, o que eu percebo das crianças é a falta de tempo das famílias para dar atenção mesmo pra criança né, porque na Unidade eles tinham alguém integralmente dando atenção pra eles o tempo todo, e no contexto doméstico as famílias estão em casa mas estão trabalhando e pra criança entender isso é muito difícil, porque a crianca ta em casas ela ta com a mãe o tempo todo, principalmente com a mãe né a maioria pelo menos, então o pai e a mãe estão em casa mas a atenção da mãe e do pai eles nao tem, e até se acostumar com isso, aliás não se acostuma, eles vão se adaptando ao que é posto pra eles mas é uma situação. Participante 3; Eu acho até que no início foi legal pra elas porque elas começaram a curtir ficar mais em casa, ter os pais em casa, que é uma coisa que muitos nao tem né (...) mas depois eu penso que vai cansando pra todo mundo inclusive pra eles, (...) porque, ficaram em, casa sem poder sair, sem poder brincar na rua, nos lugares que elas estavam acostumadas e passaram a ficar em casa brincando com os familiares ou com poucas pessoas. Participante 4; Eu acho que por elas ficarem muito tempo em casa e com os pais ocupados, as crianças deixaram de fazer coisas que poderiam fazer na educação infantil, (...) a questão da parte física sai prejudicada, (...) pois ela deixou de fazer as coisas, e na parte mental mesmo, de se sentir acolhida, amada, ouvida, enfim. Participante 5; Elas se sentem sozinhas, querem brincar, querem sair, ocupar espaços da cidade e não podem, se sentem presas, fica agitada. Participante 6. . 18 Sobre o uso de tela, esse foi um aspecto apontado pelos participantes, uma vez que os mesmos consideram que o uso aumentou drasticamente, causando preocupação, como podemos identificar nos trechos abaixo: (...) até mesmo pelo tempo de tela das crianças postas nos encontros e nas atividades, isso aí acho que acaba prejudicando um pouco. Participante 1; (...) porque isso é outra questão também que prejudica a saúde mental, o tempo de tela, não tem como ser encontros síncronos muito longos. Participante 3; Eu acredito que dificulta o desenvolvimento porque ela fica muito trancada, no celular e tv, dificulta a falta de diálogo direcionado, de um tempo especial para a criança (...) Participante 6. Com a pandemia não foi apenas a questão da socialização que ficou em segundo plano, mas outros aspectos do desenvolvimento conforme notados pelas educadoras: Alguns foram para escolas particulares então a gente vê que teve um desenvolvimento porque teve contato com outras crianças, mas aqueles que ficaram realmente isolados a gente percebe uma dificuldade maior, uma timidez maior (...) eu acho que eu já falei sobre isso, que sim eu achava que tinha trazido algumas consequências principalmente para falar. Participante 2; (...) mas pelo próprio convívio com as crianças e aquilo que as famílias nos trazem tem impacto no desenvolvimento da fala (...) a família relatou pra gente que estava com atraso no desenvolvimento da fala, a família levou na fono e constatou que realmente eles estavam com atraso na fala. Participante 3; Impactou principalmente na linguagem oral, tenho notado que as crianças estão com dificuldade na fala, repertório vocabular e sente falta de interação social (...) essa questão da linguagem ta prejudicada, até a coordenação motora fina e grossa, como faz poucas atividades, tem poucos estímulos. Participante 6. Observa-se que o contexto pandêmico e suas mudanças resultaram em medo e insegurança para as crianças, famílias, de forma que as questões de saúde mental se evidenciaram: (...) não só afetou as crianças, mas a própria família e eu mesma, me senti bastante ansiosa e tive que começar um tratamento com remédio esse ano por conta desse isolamento mesmo. Participante 2; A família não saia com a criança nem pra dar uma volta no quarteirão, então a criança já é agitada e super ansiosa, tem caso de crianças com pesadelos, 19 olha são muitas questões que revelaram isso pra gente (...) a psicóloga relatou que tem umas questões preocupantes então ela (a criança) tá com ansiedade em nível clínico que pode ter sido agravada pela chegada da irmãzinha tambem, entao ela ta com questão de ansiedade e depressão (...) ela está sempre desmotivada com as atividades, falta de apetite, várias coisas que ela foi relatando pra mim. Participante 3; (...) provavelmente criou uma ansiedade nos pais e eu acho que as crianças sentem muito o que as mães e pais passam, elas sentem muito pelo menos aqui em casa era assim também. Participante 4; A gente vê hoje em dia crianças muito estressadas, agora com a pandemia piorou e os pais se queixam de questões comportamentais, que faz birra, gagueja, ta mostrando que a saúde mental dessas crianças está sendo comprometida de alguma forma. Participante 5; 4.2.3 A escola e a saúde mental infantil: possibilidades, desafios e o panorama atual da covid-19 Nesse tema será abordado sobre as possibilidades, desafios e relações do contexto pandêmico e a escola. Sobre as estratégias de ensino adotadas e a saúde mental das crianças, os participantes apontam: No ambiente escolar a gente lê muito, a gente trabalha com oralidade na roda de conversa, até eles recontarem a historinha pra gente, você percebe que no começo eles tem dificuldade mas aí ele vê o amiguinho contando e vai ficando mais solto né. Tem criança que fica um tempão ali pintando e a mãe fala sabe, isso faz muito bem pra elas, umas gostam de pintar, outras são mais de movimento, a gente tem o projeto corpo e movimento que possibilita brincadeiras corporais sabe, pras crianças se expressarem, então assim eu acho que cada criança é única então a gente dá várias possibilidades aí pra trabalhar com as diferentes linguagens que elas têm de manifestar aquilo que elas sentem, aquilo que elas são. Participante 2; (...) faz a leitura, conversa sobre o livro e a parte que eles mais gostam que é a parte da musicalização e da dança. Participante 3; Eu sempre proponho integração com a natureza, água, areia, sol, às vezes criança trancada em apartamento tem muitas limitações. trabalho para que as crianças sofram menos no contexto da pandemia(...) vejo que um dos meios além da brincadeira, lidar com a natureza, andar no chão, na grama, ouvir os pássaros, uma coisa eu peço muito que é pra se expressar com os desenhos, os pais falam que as crianças gostam de pintar com tinta e canetinha e sempre falo pra elas fazerem um desenho em um lugar grande, papelão, o que tiver em casa e as crianças usam todos os espaços para se expressar, então penso que ajuda pra acalmar, estabilizar a saúde mental da criança. Participante 6; 20 A partir dos pontos apresentados a relação entre: educação, educadores, escola e saúde mental se torna mais clara, mostrando que é importante nutrir e cuidar dessa relação visando a promoção à saúde mental na infância. Identifica-se que as estratégias adotadas no contexto escolar incentivam a livre expressão e a criatividade, valorizando a saúde mental. Além disso, os participantes apontam sobre seu papel na saúde mental das crianças: Nós como pedagogos ou o pessoal que já tem uma certa experiência n a educação infantil acho que a gente pode ajudar sim, o que a gente pode ajudar é aprofundar o olhar que nós temos nas próprias crianças, no desenvolvimento, naquilo que a criança pode mostrar e no que a gente pode potencializar nela, sempre um olhar a mais é interessante. Participante 1; (...) se a gente for considerar que a educação infantil é um dos aspectos que pode favorecer a saúde mental, eu posso dizer que tenho um envolvimento com isso. Participante 3; (...) E também com os meus filhos né, que eu tenho dois já adultos, e acho que nada melhor que os próprios filhos pra gente aprender a lidar com isso e tentar proporcionar uma boa saúde mental para eles e pra gente também. Participante 4; Já vi um professor que faz uma pressão tão grande na criança que ela chega até a comer lápis, a figura do professor na educação infantil é muito importante, até na questão da saúde mental da criança. Participante 5; Porém muitas vezes os educadores apresentam dificuldade em lidar com todas as demandas espontâneas da criança ou da família, buscando o auxílio de profissionais da saúde para encontrar as melhores resoluções possíveis: (...) inclusive a gente até pediu apoio pro pessoal do ambulatório, pra poder os psicólogos ajudarem os pais, as famílias, quanto nós também (...) o pessoal nos socorre bastante. Eu acho que em uma equipe multidisciplinar talvez sim (pensar em estratégias de cuidado na pandemia), acho que sozinha não é minha especialidade, mas acho que com um grupo com psicólogo, terapeuta, enfermagem, com uma equipe multidisciplinar acho que consigo. Participante 1; Acho que teria que ter uma equipe multidisciplinar para abordar isso com a família (o acolhimento), como por exemplo rodas de conversa. (...) eu não sou uma psicóloga, eu não sou uma terapeuta, por isso que eu busquei então a professora A. (terapeuta ocupacional) e a professora M. de psicologia que trabalha na questão de emoções pra dar esse respaldo sobre o ponto de vista da saúde. Participante 2; Caso de crianças são muitos, mas que revelam pra gente essa questão da saúde mental, até uma criança que a A. (terapeuta ocupacional) acompanha e nos ajudou (...) tinha uma família com diagnóstico de autismo, então ela foi 21 auxiliando nesse acompanhamento da família. (...) penso que é uma questão fundamental. Participante 3; (...) também tem a enfermeira nossa que faz com eles o yoga mesmo na pandemia, só que a distância (...) sempre é boa em conjunto com outras pessoas e outras formações. Participante 4; Sim, eu tenho orgulho de trabalhar na Unidade porque lá é um contexto privilegiado que a gente tem, por muito tempo a gente discutiu o que é saúde, discutimos qual o papel da enfermeira na educação infantil, lá a gente tem uma equipe de enfermagem e nutrição que fica lá 24 horas. Participante 5; (...) Quem dera se tivéssemos psicólogos e terapeutas ocupacionais na Unidade que pudessem agregar nessa equipe, eu como pedagoga posso ajudar mas tenho limitações profissionais, então poderia quem sabe um todo como instituição, o diálogo é a melhor forma na pandemia. Participante 6; A partir dos discursos identifica-se que o auxílio de profissionais da saúde se mostra muito presente na Unidade, porém isso não é uma realidade em todas as escolas. Por vezes, com o aparecimento de diferentes demandas os profissionais podem ter uma sensação de inaptidão e impotência e necessidade de investimento em sua formação, conforme presente nas falas: Olha, acho que a maior dificuldade mesmo é não poder fazer as coisas, não ter o que fazer, a gente se sente limitada por não poder de fato se guiar. Participante 3; (...) Talvez eu tivesse falado com a mãe e eu pudesse ter ajudado mais, você faz o que a lei diz mesmo sem saber o que é melhor. Participante 5; (...) eu aprendo com elas mas eu sinto que poderia ter aprendido mais coisas, proposta de formação continuada envolvendo esse tema, trazer ideias, referências pra gente elaborar uma proposta mais completa, a gente sabe que é direito da criança mas a gente não domina tudo, vamos trabalhando um pouco, mas a gente poderia trabalhar bem mais. Participante 6. Durante a pandemia a Unidade desenvolveu diferentes projetos para trabalhar o desenvolvimento das crianças. Conforme apresenta-se nos trechos a seguir, muitos projetos estão relacionados à saúde mental: Então eu to trabalhando a muito tempo a questão das emoções e dos sentimentos, e essa importância de nós nomeamos esses sentimentos e emoções para que eles possam se desenvolver nessa fala e esse conceito e deixar por exemplo de bater, de chorar, de fazer birra, então eu procuro dialogar bastante com elas pensando nessa saúde mental mesmo. Participante 2; (...) nosso trabalho em relação não so a contação de história, mas também assim esse trabalho que a gente faz pensando em pegar os sentimentos específicos daquela história, por exemplo a pequena sereia, o mágico de oz, o coração, cérebro, a coragem né, então a gente pega esses sentimentos e 22 ta mostrando pras crianças que elas podem sentir todas essas emoções, podem nomear essas emoções, podem falar sobre elas. Tem uma mãe que falou que foi muito legal porque a filha dela começou a falar sobre as emoções dela, foi muito legal, falaram que o projeto ajudou bastante a criança a se colocar mesmo, de tentar entender tudo que ela estava sentindo. As artes plásticas eu acho que também é fantástico porque elas conseguem extrapolar aquilo que tá na alma pro papel. Participante 2; (...) desenvolvemos projetos para as crianças, temos yoga, meditação, enfatizamos a questão das artes, o que a arte possibilita à criança dizer sobre o mundo interno, o que pensa, que tipo de elaboração ta fazendo das vivências que tem, é uma forma que a gente entende de acessar, tem aula de música, teatro, dança. Participante 5. (...) mas aí começamos a ter um olhar mais pra saúde mental quando a Unidade focou no trabalho com yoga, conversar sobre o que sente, como lidar, então eu não tinha, então na pratica tem professores especialistas na área e sempre troco informações, no autocuidado, na massagem na hora do banho, da troca, esse cuidado contribui para a saúde mental, coisa que eu não tinha consciência antes. Nós fizemos desde o começo um projeto de acolhimento das famílias e das crianças, com diálogo, mensagem o whatsapp, ligações, chamadas de vídeos, de forma individualizada, temos grupos também, mas o atendimento individualizado ajudou a acolher as famílias nas suas necessidades, então foi nosso objetivo e para família, pensamos em sugestões semanas mas nunca obrigamos as famílias a realizarem, eram propostas, a gente queria que fosse algo leve, gostoso pra família e criança, que não sobrecarregasse, muitas mães sentiam sentimento de culpa e impotência, quando não davam conta de trabalhar fora, cuidar da casa, da criança , do marido, da mãe , dos animais de estimação, tudo que envolve a vida dela, então a gente acolheu. Participante 6. A diversidade de projetos realizados pelo Unidade mostra a importância da escola na vida da criança e as diferentes possibilidades de atuação no campo da educação para promoção de saúde e cuidado, para além das crianças, mas também para as famílias: (...) a gente começa do zero, a gente até entende que a educação infantil é complementar a família, então a gente tem uma escuta muito ativa com os pais. Participante 1; Então assim eu sempre fui dando o respaldo possível…gente montou um grupo também pros pais ali pra conversarem sabe, então a gente procurou dar esse suporte sempre falando por telefone, ou mensagem de voz e a gente ficava conversando bastante. Participante 2; (...) um segundo projeto que a gente fez são lives com as famílias nesse contexto da pandemia, então a gente enviou um formulário para as famílias com temas que as famílias gostariam que abordassem nessas lives, chama “Em casa com a Unidade”, e nesses temas teve por exemplo birra, teve sobre desenvolvimento, sobre música, teve sobre diferentes temas. Participante 3; (...) a gente que cuida das famílias nesse momento, também é importante porque como eu falei interfere no comportamento das crianças. Participante 4; 23 No contexto da pandemia ficamos nessa retaguarda, acompanhando o desenvolvimento, dando subsídios para as famílias enfrentarem aquilo que elas estavam vivenciando dentro das possibilidades. Participante 5; (...) nós fizemos desde o começo um projeto de acolhimento das famílias e das crianças, com diálogo, mensagem de whatsapp, ligações, chamadas de vídeo de forma individualizada, temos grupos também, mas o atendimento individualizado ajudou a acolher as famílias nas suas necessidades, então foi nosso objetivo para família. Participante 6. Apesar do distanciamento social, a escola ainda serviu como um pilar de acolhimento e escuta, onde as famílias podiam recorrer, mesmo que de forma remota. 5. DISCUSSÃO Compreende-se que apesar da saúde mental ser pauta de diferentes políticas públicas governamentais, normas ministeriais e publicações no campo, o seu conceito ainda carece de definição, ainda mais, quando se trata da saúde mental infantojuvenil. Além disso, identifica-se na literatura que muitas vezes as diferentes formas de interpretação e tradução para o cenário infantojuvenil acabam não respondendo a realidade dessa população como, também, não sendo um consenso entre os autores, de forma que algumas fragilidades se evidenciam. (ALMEIDA-FILHO et al., 1999; VECCHIA; MARTINS, 2009; LOURENÇO et al., 2020) Segundo Fernandes et al (2022), os estudos que têm se debruçado a investigar a concepção de saúde mental infantojuvenil, na perspectiva de profissionais da saúde, além de serem escassos, são recentes. Assim, as autoras propõem que: "A saúde mental infantojuvenil é dinâmica e resultado da relação complexa entre os recursos e habilidades pessoais, fatores contextuais e determinantes sociais, que, na dimensão do cotidiano, estão diretamente implicados nas possibilidades de participação, fruição, reconhecimento e enfrentamento de desafios. Dentre outras, envolve-se a possibilidade de experienciar prazer, frustração, afeto, motivação e proatividade implicados nas descobertas e aprendizados genuínos da infância e adolescência” (FERNANDES et al., 2022). Desta forma, em uma perspectiva ampliada, identifica-se que a definição proposta por Fernandes et al (2022), dialoga com os resultados do presente estudo, uma vez que de acordo com a compreensão dos participantes o conceito de saúde mental infantil se baseia não só em aspectos individuais, mas também, em suas vivências cotidianas, relações estabelecidas, contexto de vida, no qual ela precisa ter a oportunidade de participação, trocas afetiva para vivenciar e explorar o mundo a sua volta. Os participantes também abordam seus discursos os possíveis fatores de risco 24 e proteção atrelados à saúde mental das crianças e como a pandemia afetou essa população. Segundo Matsukura, Fernandes e Cid (2014) às características pessoais, físicas e mentais do indivíduo, assim como o ambiente e o contexto em que as crianças vivem podem impactar a saúde mental das mesmas de forma negativa ou positiva. Assim, alguns fatores presentes no ambiente têm sido considerados como os mais diretamente ligados à presença ou ausência de problemas relativos à saúde mental infantil, sendo denominados de fatores de risco e proteção. (ASSIS et al., 2009; MATSUKURA; FERNANDES; CID, 2012). A título de exemplo, Maia e Williams (2005) apontam que os principais fatores de risco para o desenvolvimento infantil incluem a violência (física ou psicológica), abuso e negligência. Outros fatores que têm influência negativa para a saúde mental infantil incluem o cuidador ausente, ambiente desorganizado, hábitos familiares incoerentes e fatores estressantes dentro do ambiente escolar, social e familiar. (MATSUKURA; FERNANDES; CID, 2012). Nessa direção, considera-se que os desastres de grande escala, como a atual pandemia da Covid-19, impactam significativamente a saúde mental da população, uma vez que diante do desconhecimento, propagação da doença, medidas de segurança e proteção adotadas, mudanças no cotidiano, número de mortes; o sofrimento psíquico se faz presente (ARAUJO, 2020; BROOKS et aL., 2021; CIFUENETES-FAURA, 2021; FIOCRUZ 2020b; FIOCRUZ, 2021; FORE, 2021; JIAO, 2021). Especificamente sobre a infância e adolescência no cenário pandêmico, Santos et al. (2021) aponta que essa população tem apresentado sofrimento psíquico e quadros clínicos de depressão, ansiedade, medo extremo, apreensão, solidão, insônia, estresse, frustração, tristeza, melancolia e inquietude recorrentes. Ademais, os autores apontam que as modificações ocorridas no cotidiano das crianças e adolescentes como, a suspensão das atividades escolares, além de impactar o desenvolvimento de modo geral dificultou o reconhecimento do sofrimento existente e, consequentemente da necessidade de intervenção, pelo fato da escola ser um dos principais atores que contribuem para a identificação do sofrimento nessa faixa etária. Observa-se que assim como o estudo de Santos (2021), os resultados do presente estudo também evidenciaram que a saúde mental das crianças tem sido impactada, principalmente diante das medidas de isolamento adotadas, prejudicando as habilidades de interação e comunicação. Como podemos ver no decorrer dos 25 resultados há uma nítida preocupação da equipe escolar sobre o desenvolvimento das crianças na pandemia no que diz respeito aos aspectos socioemocionais, atraso no desenvolvimento da linguagem verbal e diminuição da aquisição de habilidades receptivas e expressivas. A literatura tem sinalizado sobre os atrasos no desenvolvimento das crianças durante a pandemia (ANDRADE; LIMA; MEDEIROS; SASSI, 2020; ROCHA, 2021). Rocha (2021), por meio de uma revisão de literatura sobre o impacto da pandemia no desenvolvimento infantil, identificaram que “(...) embora o fechamento de escolas, o distanciamento social e o uso generalizado de máscaras possam impactar negativamente o desenvolvimento da linguagem, seu efeito específico ainda não foi amplamente investigado. Além disso, segundo os autores, as crianças nascidas durante o período pandêmico mostrou evidências preliminares de desempenho verbal reduzido comparadas com crianças nascidas no período pré-pandêmico” Diante desse cenário, identifica-se que a Unidade de Educação Infantil buscou realizar diferentes estratégias e projetos que contribuíssem não só para o desenvolvimento das crianças durante a pandemia, como também, como forma de apoio e suporte às famílias. Assim, os participantes do estudo relatam que a Unidade ganhou outra centralidade na vida das famílias e crianças, ainda que de forma remota, uma vez que foi necessário em muitas situações fazer o acolhimento das famílias e crianças, assim como o fortalecer os vínculos e desenvolver uma escuta qualificada, evidenciando o seu potencial no âmbito da promoção à saúde mental e prevenção do sofrimento. Em contrapartida, os participantes relatam que a insegurança relacionada à falta de formação e informação para lidar com as demandas de saúde mental se tornaram um fator limitante para a introdução de novos projetos, de forma que parte das estratégias realizadas se tornaram possíveis devido ao trabalho articulado a outros equipamentos da rede de cuidados, como os equipamentos e profissionais da saúde. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo do presente estudo foi compreender as implicações da pandemia da Covid-19 na saúde mental de crianças, a partir da perspectiva de professores de uma Unidade de Educação Infantil. 26 Os resultados apontaram que o desenvolvimento das crianças, assim como, a saúde mental das mesmas foram impactados nesse cenário, sendo necessário que a escola adotasse estratégias para além das pedagogicas, visando a promoção da saúde das crianças e apoio aos familiares. Como limite do estudo, aponta-se que, ainda que seja uma Unidade de Educação Infantil pública, pelo fato de estar dentro da Universidade, há recursos e qualificação profissional que não correspondem à realidade da maior parte do cenário brasileiro. Portanto é fundamental outros estudos que possam compreender essa temática a partir de diferentes realidades e contextos de inserção, considerando as implicações presentes diante de uma das maiores crises sanitárias mundiais. 27 REFERÊNCIAS ALCÂNTARA, Vírnia Ponte; VIEIRA, Camilla Araújo Lopes; ALVES, Samara Vasconcelos. Perspectivas acerca do conceito de saúde mental: análise das produções científicas brasileiras. Ciência & Saúde Coletiva, [S.L.], v. 27, n. 1, p. 351-361, jan. 2022. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232022271.22562019. ALMEIDA FILHO, Naomar de; COELHO, Maria Thereza Ávila; PERES, Maria Fernanda Tourinho. O conceito de saúde mental. Revista Usp, [S.L.], n. 43, p. 100-126, 30 nov. 1999. Universidade de Sao Paulo, Agencia USP de Gestao da Informacao Academica (AGUIA). http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i43p100-125. ANDRADE, Claudia Regina Furquim de; LIMA, Maíra Santilli de; MEDEIROS, Gisele Chagas de; SASSI, Fernanda Chiarion. 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Você acredita que existem fatores que favorecem ou dificultam a saúde mental de crianças? Se sim, quais? 4. Você tem experiência com saúde mental de crianças? Fale sobre isso 5. Considerando que sua atuação profissional é no contexto de educação infantil, você considera que há uma relação entre o contexto escolar e a saúde mental das crianças? Qual a sua percepção sobre essa questão? ⮚ A SAÚDE MENTAL DAS CRIANÇAS DA UNIDADE NA PANDEMIA DA COVID-19 1. Na sua percepção, você acredita que a pandemia da COVID-19 e as medidas de distanciamento social impactou o desenvolvimento das crianças? Se sim, de que maneira?” 2. Sobre saúde mental você considera que a pandemia afetou/impactou de alguma forma a saúde mental das crianças? Fale sobre isso 32 3. Durante a pandemia, os responsáveis pelas crianças procuraram você para falar sobre a saúde mental das crianças? Fale sobre isso 4. Com a pandemia e as medidas de distanciamento social quais foram as principais dificuldades/desafios vivenciados pelas crianças no âmbito da saúde mental? Fale sobre isso ⮚ ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO E CUIDADO A SAÚDE MENTAL INFANTIL 1. Na Unidade vocês desenvolveram ou desenvolvem projetos voltados à saúde mental das crianças na pandemia? Fale sobre isso 2. Qual o papel do contexto escolar no cuidado à saúde mental das crianças na pandemia? Fale sobre isso 3. Pensando na sua formação, você se sente preparada para abordar, pensar em estratégias de cuidado voltadas à saúde mental das crianças na pandemia? Fale sobre isso 4. Quais foram as principais dificuldades que você teve que lidar no que tange a saúde mental das crianças na pandemia? Fale sobre isso 5. Você acredita que o seu trabalho pode ajudar na saúde mental das crianças na pandemia? Se sim, quais as potências dele nesse sentido?