O problema da liberdade na Crítica da Razão Pura: a passagem da teoria para a prática
| dc.contributor.advisor1 | Santos, Paulo Roberto Licht dos | |
| dc.contributor.advisor1Lattes | http://lattes.cnpq.br/1681044854219924 | |
| dc.contributor.author | Dias, Rafael Tessare | |
| dc.contributor.authorlattes | http://lattes.cnpq.br/8668656444111068 | |
| dc.contributor.referee | Klein, Joel Thiago | |
| dc.contributor.referee | Louzado, Gerson Luiz | |
| dc.contributor.refereeLattes | http://lattes.cnpq.br/6509960442502778 | |
| dc.contributor.refereeLattes | http://lattes.cnpq.br/4934233771935547 | |
| dc.date.accessioned | 2026-01-14T18:26:28Z | |
| dc.date.issued | 2025-12-12 | |
| dc.description.abstract | In the Critique of Practical Reason, Kant states that the concept of freedom, insofar as its reality is demonstrated by an apodictic law of practical reason, constitutes the cornerstone of the entire edifice of a system of pure reason, and even of speculative reason itself. This might seem to suggest that only the second Critique grants centrality to the concept of freedom. However, it must be noted that freedom is already central in the Critique of Pure Reason. According to several of Kant’s own indications, the problem of freedom not only inaugurates critical philosophy as an antinomic problem but also possesses decisive doctrinal significance, for the resolution of this problem concerns the very possibility of a critical understanding of morality. Nevertheless, the concept of freedom in the first Critique presents a substantial difficulty: what Kant affirms about freedom in the Canon of Pure Reason appears to contradict the position expressed in the Transcendental Dialectic. This issue unfolds into two main difficulties. First, (i) the Dialectic maintains that transcendental freedom is an essential part of practical freedom, whereas the Canon asserts that transcendental freedom is irrelevant to “the practical”; and second, (ii) the Canon seems to ignore the results of the Dialectic by suggesting that practical freedom can be known and proven by experience, which seems to reduce it to natural causality. The present work seeks to investigate these difficulties and aims to reconcile the two sections by taking as its guiding thread the practical interest of reason, which directs the treatment of freedom both in the third antinomic conflict and in the Canon. In this way, the study intends to demonstrate, on the one hand, that Kant (i) does not abandon transcendental freedom in the Canon, but merely sets aside the question of its reality as irrelevant to “the practical”; and, on the other hand, (ii) that practical freedom can indeed be known and demonstrated, provided that we take the concept of “experience” in a broad sense. The result of this analysis shows that the concept of practical freedom developed in the first Critique – understood as a theory of the arbitrium sensitivum liberum – cannot be interpreted in the terms of the Critique of Practical Reason. Consequently, the notion of duty employed therein must not be understood in a strictly moral sense, but rather as the capacity to act according to laws in general – whether pragmatic or moral. This result, however, does not undermine the significance of freedom in the Critique of Pure Reason; on the contrary, it reinforces it. Throughout the course of the investigation, it becomes evident that there is a strong practical interest of reason, one that mobilizes virtually the entire critical apparatus toward the establishment of a legitimate practical use for reason itself – an orientation that even justifies the theoretical efforts undertaken in the Transcendental Dialectic. | eng |
| dc.description.resumo | Kant afirma, na Crítica da Razão Prática, que o conceito de liberdade, na medida em que sua realidade é provada por uma lei apodíctica da razão prática, constitui a pedra angular de todo o edifício de um sistema da razão pura e, mesmo, da razão especulativa. Isso parece indicar que apenas a segunda Crítica conferiria centralidade ao conceito de liberdade. Contudo, é preciso notar que a liberdade é central já na Crítica da Razão Pura. Conforme algumas indicações do próprio Kant, a questão da liberdade não só constitui o início da filosofia crítica como problema antinômico, mas também possui alcance doutrinal decisivo, pois a resolução desse problema diz respeito à própria possibilidade de compreensão crítica da moralidade. Apesar desse alcance, o conceito de liberdade na primeira Crítica apresenta uma dificuldade substancial: o que Kant afirma sobre a liberdade no Cânone da Razão Pura parece contradizer a posição expressa na Dialética Transcendental. Esse problema se desdobra em duas dificuldades principais. Primeiramente, (i) a Dialética sustenta que a liberdade transcendental é parte essencial da liberdade prática, enquanto o Cânone afirma que a liberdade transcendental é irrelevante para “o prático”; em segundo lugar, (ii) o Cânone parece ignorar os resultados da Dialética ao sugerir que a liberdade prática pode ser conhecida e provada pela experiência, o que parece reduzi-la à causalidade natural. O presente trabalho propõe investigar essas dificuldades e busca compatibilizar as duas seções tomando como fio condutor o interesse prático da razão, que orienta o tratamento da liberdade tanto no terceiro conflito antinômico quanto no Cânone. Deste modo, pretende-se demonstrar, por um lado, que Kant (i) não abandona a liberdade transcendental no Cânone, mas apenas deixa de lado a questão de sua realidade como algo irrelevante para “o prático”; e, por outro, (ii) que a liberdade prática pode, sim, ser conhecida e provada, desde que tomemos o conceito de “experiência” em sentido amplo. O resultado dessa análise mostra que o conceito de liberdade prática desenvolvido na primeira Crítica – entendido como uma teoria do arbitrium sensitivum liberum – não pode ser interpretado nos termos da Crítica da Razão Prática. Consequentemente, a noção de dever nela empregada tampouco deve ser compreendida em sentido estritamente moral, mas antes como a capacidade de agir segundo leis em geral – sejam elas pragmáticas ou morais. Esse resultado, no entanto, não descredibiliza a importância da liberdade na Crítica da Razão Pura, mas antes a reforça, uma vez que, no curso de sua investigação, é possível observar que há um forte interesse prático da razão, que mobiliza praticamente todo o aparato crítico rumo ao estabelecimento de um uso prático legítimo para a razão – o que justifica, até mesmo, os esforços teóricos empreendidos na Dialética Transcendental. | por |
| dc.description.sponsorship | Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) | |
| dc.description.sponsorshipId | 2023/14302-0 | |
| dc.identifier.citation | DIAS, Rafael Tessare. O problema da liberdade na Crítica da Razão Pura: a passagem da teoria para a prática. 2025. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/23416. | por |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/20.500.14289/23416 | |
| dc.language.iso | por | |
| dc.publisher | Universidade Federal de São Carlos | |
| dc.publisher.address | Campus São Carlos | |
| dc.publisher.initials | UFSCar | |
| dc.publisher.program | Programa de Pós-Graduação em Filosofia - PPGFil | |
| dc.rights | Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil | en |
| dc.rights.uri | http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/ | |
| dc.subject | Crítica da Razão Pura | por |
| dc.subject | Liberdade | por |
| dc.subject | Antinomia | por |
| dc.subject | Cânone | por |
| dc.subject | Critique of Pure Reason | eng |
| dc.subject | Freedom | eng |
| dc.subject | Antinomy | eng |
| dc.subject | Canon | eng |
| dc.subject.cnpq | CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA::HISTORIA DA FILOSOFIA | |
| dc.subject.ods | 4. Educação de Qualidade | |
| dc.title | O problema da liberdade na Crítica da Razão Pura: a passagem da teoria para a prática | por |
| dc.title.alternative | The problem of freedom in the Critique of Pure Reason: the passage from theory to practice | eng |
| dc.type | Dissertação |
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