Pandemia, adolescência e políticas sociais: processos de vulneração da vida e precarização do trabalho

dc.contributor.advisor1Pessoa, Alex Sandro Gomes
dc.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/4333565964821090
dc.contributor.authorTavares, Sabrina Maria Souza
dc.contributor.authorlatteshttp://lattes.cnpq.br/3015746411965837
dc.date.accessioned2025-09-08T18:26:59Z
dc.date.issued2025-07-04
dc.description.abstractThe outbreak of the COVID-19 pandemic emerged within a context of structural crisis of capitalism in Brazil. Amid widespread dismantling of social policies and neglect regarding the containment and protection against the coronavirus, adolescents already living in conditions of vulnerability and rights violations became even more unprotected due to the implementation of social isolation measures, the closure of schools, and suspension of social support services. These measures intensified the risks of violence and negatively impacted their developmental processes. This dissertation derives from a nationwide, multicenter study that aimed to implement and evaluate a continuing education program for professionals in the fields of Social Assistance, Education, and Health who worked directly with socially vulnerable adolescents during and after the pandemic. The dissertation is structured in the format of two academic articles. The objective of Article 1 was to investigate, from the perspectives of professionals working in social policies, the impacts of the pandemic on the lives of vulnerable adolescents. Epistemologically grounded in Historical-Cultural Psychology, it is a mixed-methods study, with a cross-sectional and exploratory-descriptive design, derived from an intervention research project. However, only the qualitative data are presented, analyzed, and discussed in this dissertation. Data collection involved a Case Report activity and a socio-demographic and occupational characterization questionnaire. Thematic Analysis was employed for data analysis, supported by the Atlas.ti software. A total of 329 professionals from across the national territory participated in the study, the majority being women (88.4%), white (49.7%), from the Southeast region (43.5%), aged between 30 and 39 years (37%), married (39.2%), and with an individual income of one to three minimum wages (41.3%). Regarding professional characteristics, most participants worked in the field of Social Assistance (59.7%), followed by Health (23.3%) and Education (16.9%). Most had statutory employment ties (48.6%), held degrees in Social Work (38.3%), had completed a lato sensu postgraduate program (41.9%), had over ten years of professional experience (44.1%), and a 40-hour workweek (47.4%). In summary, Article 1 revealed that the pandemic worsened the living conditions of families and adolescents, with increased unemployment, food insecurity, school closures, and intensified intrafamilial violence, particularly sexual abuse, as well as child labor, psychoactive substance use, and psychological distress among adolescents. Furthermore, a decontextualized view among professionals was observed, often blaming adolescents and their families for the challenges and vulnerabilities they faced. Article 2, in turn, aimed to understand the challenges faced by professionals working in social policies in providing care and support to adolescents in situations of vulnerability during and after the pandemic. The findings indicated that professional-adolescent bonds were weakened or severed due to the closure of facilities and the replacement of in-person services with Digital Information and Communication Technologies (DICTs), leading to low adherence to proposed interventions and a fragmentation of intersectoral work. The professionals emphasized the lack of ongoing training and capacity-building to address the challenges brought on by the pandemic, highlighting the urgent need for educational initiatives that support intersectoral and transdisciplinary approaches. In this context, the pandemic represented a deepening of both the precarious living conditions of adolescents and the working conditions of professionals, who were made responsible for ensuring social protection while simultaneously experiencing losses of labor rights and the dismantling of social policies.eng
dc.description.resumoO advento da pandemia de COVID-19 emergiu em um contexto de crise estrutural do capitalismo no Brasil. Diante de múltiplos desmontes das políticas sociais e descasos em relação ao combate e proteção contra o coronavírus, os/as adolescentes que viviam em situação de vulneração e violação de direitos ficaram ainda mais desprotegidos com a adoção das medidas de isolamento social, fechamento das escolas e serviços de convivência, o que potencializou os riscos de violências e impactos nos processos de desenvolvimento. Esta dissertação é decorrente de um estudo multicêntrico, de abrangência nacional, que visou implementar e avaliar uma formação continuada voltada aos profissionais das políticas de Assistência Social, Educação e Saúde, que trabalharam diretamente com adolescentes em situação de vulnerabilidade social durante e após a pandemia. A presente Dissertação foi estruturada no formato de dois artigos. O objetivo do Artigo 1 foi investigar, a partir das perspectivas de profissionais atuantes em políticas sociais, os impactos da pandemia na vida de adolescentes vulnerados. Fundamentada epistemologicamente na Psicologia Histórico-Cultural (PHC), tratou-se de um estudo misto, cujo recorte foi de uma pesquisa-intervenção, com delineamento transversal e caráter exploratório-descritivo. No entanto, apenas os dados qualitativos serão apresentados, analisados e discutidos nesta dissertação. A coleta de dados se deu através de uma atividade de Relato de Caso e um questionário de caracterização sociodemográfica e laboral. Os dados foram analisados a partir da Análise Temática, com o auxílio do software Atlas ti. Participaram da pesquisa 329 profissionais de todo o território nacional, sendo a maioria mulheres (88,4%), brancas (49,7%) do Sudeste (43,5%), com idades entre 30 e 39 anos (37%), casadas (39,2%) e com renda individual de 1 a 3 salários-mínimos (41,3%). Com relação à caracterização laboral, a maioria atuava na política da Assistência Social (59,7%), seguido pela política de Saúde (23,3%) e Educação (16,9%), com vínculo estatutário (48,6%), eram formadas em Serviço Social (38,3%), com Pós-graduação lato sensu completa (41,9%), tempo de formação acima de 10 anos (44,1%) e que possuíam uma jornada de trabalho semanal de 40h (47,4%). Em síntese, o Artigo 1 revelou que a pandemia agravou as condições de vida das famílias e dos/as adolescentes, com aumento do desemprego, insegurança alimentar, fechamento das escolas e intensificação das situações de violência intrafamiliar, sobretudo abusos sexuais, além do trabalho infantil, uso de substâncias psicoativas e sofrimento psíquico dos/as adolescentes. Constatou-se, ainda, uma visão descontextualizada dos/as profissionais acerca das necessidades e vivências dos/as adolescentes e suas famílias, culpabilizando-os pelos desafios e vulnerações enfrentadas. O Artigo 2, por sua vez, objetivou compreender os desafios enfrentados pelos/as profissionais atuantes nas políticas sociais nos atendimentos e/ou acompanhamentos de adolescentes em situação de vulneração durante e após a pandemia. Os resultados apontaram que os vínculos entre os/as profissionais e adolescentes foram fragilizados e/ou rompidos em decorrência do fechamento dos equipamentos e substituição pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) para os atendimentos, levando à baixa adesão aos encaminhamentos propostos e fragmentação do trabalho em rede. Os/as trabalhadores/as alertaram sobre a falta de formação continuada/capacitação para lidar com os desafios advindos do contexto pandêmico, ressaltando a urgente necessidade de formações que os auxiliem a trabalhar de modo intersetorial e a partir de diretrizes transdisciplinares. Isto posto, a pandemia significou o recrudescimento da precarização das condições de vida dos/as adolescentes, bem como do trabalho dos/as profissionais atuantes nas políticas, que foram responsabilizados pela proteção social ao mesmo tempo em que sofriam perdas de direitos trabalhistas e desmontes das políticas sociais.
dc.description.sponsorshipCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
dc.description.sponsorshipIdNº do processo: 23038.008233/2021-61
dc.identifier.citationTAVARES, Sabrina Maria Souza. Pandemia, adolescência e políticas sociais: processos de vulneração da vida e precarização do trabalho. 2025. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/22713.*
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/20.500.14289/22713
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade Federal de São Carlos
dc.publisher.addressCâmpus São Carlos
dc.publisher.initialsUFSCar
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Psicologia - PPGPsi
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subjectPandemia
dc.subjectPsicologia histórico-cultural
dc.subjectVulneração
dc.subjectPolíticas sociais
dc.subjectAdolescenceeng
dc.subjectPandemiceng
dc.subjectCultural-historical psychologyeng
dc.subjectVulnerabilityeng
dc.subjectSocial policieseng
dc.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
dc.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA::PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
dc.titlePandemia, adolescência e políticas sociais: processos de vulneração da vida e precarização do trabalho
dc.title.alternativePandemic, adolescence and social policies: processes of vulnerability to life and precarious workeng
dc.typeDissertação

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