Ocupar-se nas ruínas: uma etnografia em um centro de atenção psicossocial álcool e drogas na zona oeste do Rio de Janeiro

dc.contributor.advisor1Marcolino, Taís Quevedo
dc.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/7197838515800679
dc.contributor.advisor1orcidhttps://orcid.org/0000-0002-9694-5118
dc.contributor.authorSouza, Naila Pereira
dc.contributor.authorlatteshttp://lattes.cnpq.br/5075502527707503
dc.contributor.authororcidhttps://orcid.org/0000-0001-6307-5235
dc.contributor.refereeFerigato, Sabrina Helena
dc.contributor.refereeFolha, Otavio Augusto de Araujo Costa
dc.contributor.refereeDantas, João Gabriel Trajano
dc.contributor.refereeCorreia, Ricardo Lopes
dc.contributor.refereeLatteshttp://lattes.cnpq.br/3248396158325409
dc.contributor.refereeLatteshttp://lattes.cnpq.br/2475837812932328
dc.contributor.refereeLatteshttp://lattes.cnpq.br/1057076984543951
dc.contributor.refereeLatteshttp://lattes.cnpq.br/4167655666171513
dc.date.accessioned2026-08-24T18:55:10Z
dc.date.issued2026-06-22
dc.description.abstractAt the Psychosocial Care Centers (CAPS)—strategic components of the Psychosocial Care Network (RAPS) in Brazil—the provision of mental health care does not occur in isolation but is deeply embedded in the local community. This local context is not merely the setting for the social determinants of health, but a living field of interactions where daily care and engagement emerge from the dynamic, situated encounter between the force of structural inequalities and the survival strategies of individuals within their real-life contexts. This study sought to understand the occupational experiences of people who receive care at a CAPS AD and live in contexts of extreme vulnerability in the West Zone of Rio de Janeiro. Theoretically, it integrates the transactional perspective on occupation based on John Dewey’s pragmatism with Anna Tsing’s ecological anthropology, exploring precariousness as an inherent dimension of human existence and as a condition of late capitalism that forces people to “live among the ruins,” thereby stimulating the emergence of ecologies and vital arrangements where there are no promises of a guaranteed future. It is characterized as qualitative research with an ethnographic approach, with fieldwork conducted between March and August 2024. The empirical data were collected through field notes, semi-structured interviews, and focus group discussions. The analysis involved organizing, coding, and categorizing the data, relating the observed scenes to the socio-spatial context and the study’s analytical framework. The empirical findings reveal the complexity of care and the occupational experiences woven into a territory marked by socio environmental degradation, a lack of urban infrastructure, and violence. The ethnography shows that health care provision at the service is guided by the ethics of harm reduction, shifting the focus from substance use to meeting fundamental human needs, which are expressed through occupational experiences. In the face of the destabilization of daily life, CAPS AD functions as an anchor and vital source of support, where users engage with their own existence by accessing meals, workshops, and other activities that expand opportunities for social participation. The study reveals that occupational experiences emerge as practical arrangements for survival and the invention of daily life amid the city’s ruins. Actions viewed as ordinary or mundane—such as negotiating a night’s rest under a bank’s awning, improvising shelters from the rain, collecting recyclable materials, walking to the beach, wandering through the neighborhood, or hosting poetry readings in the square—constitute adaptive responses and vital arrangements in contexts of degradation. It follows that viewing these occupations as transactional and situated experiences implies recognizing that the subjects themselves are situated and bear the marks of inequality on their body-territories, yet they are not passively reduced to them. In devastated territories, occupations serve as mechanisms for shaping worlds and sustaining existence. This research contributes to Occupational Science, Occupational Therapy, and Public Health by demonstrating that, in the face of the barrenness of daily life, “keeping oneself occupied” goes beyond individual functional adaptation, revealing itself as an act of persistence and political resistance in creating the conditions to continue existing and to claim the fundamental right to live—and to live well.eng
dc.description.resumoNos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), dispositivos estratégicos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Brasil, a produção do cuidado em saúde mental não ocorre de forma isolada, mas imersa no território. Território que não se apresenta apenas como cenário das determinações sociais da saúde, mas como campo vivo de transações onde o cuidar e o ocupar se cotidianamente emergem do encontro dinâmico e situado entre a força das desigualdades estruturais e as táticas de existência dos sujeitos em seus contextos reais. Este estudo buscou compreender as experiências ocupacionais de pessoas que se cuidam num CAPS AD e vivem em contextos de extrema vulnerabilização na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Teoricamente, articula a perspectiva transacional da ocupação baseada no pragmatismo de John Dewey à antropologia ecológica de Anna Tsing, dialogando sobre a precariedade como dimensão inerente à existência humana, e como condição do capitalismo tardio que força o "viver nas ruínas", estimulando a emergência de ecologias e arranjos vitais onde não há promessas de futuro garantido. Caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de abordagem etnográfica, cuja imersão em campo ocorreu entre março e agosto de 2024. A produção do material empírico incluiu diário de campo, entrevistas semiestruturadas e roda de conversa. A análise seguiu a ordenação, codificação e categorização do material, relacionando as cenas observadas ao contexto socioespacial e ao arcabouço analítico do estudo. Os achados empíricos desvelam a complexidade do cuidado e as experiências ocupacionais tecidas num território atravessado pela degradação socioambiental, escassez de infraestrutura urbana e pela violência. A etnografia evidencia que a produção de saúde no serviço orienta-se pela ética da Redução de Danos, deslocando o foco do consumo de substâncias para o atendimento das necessidades humanas fundamentais, que se expressam nas experiências ocupacionais. Diante da desestabilização da vida, o CAPS AD funciona como ponto de ancoragem e suporte vital, onde os usuários se ocupam da própria existência ao acessarem refeições, oficinas e outros fazeres que ampliam espaços de participação social. O estudo revela que as experiências ocupacionais emergem como arranjos práticos de sobrevivência e invenção do cotidiano nas ruínas da cidade. Ações vistas como ordinárias ou banais — tais como negociar o descanso noturno sob a marquise de um banco, improvisar coberturas contra a chuva, recolher materiais recicláveis, caminhar até a praia, circular pelo bairro ou promover saraus poéticos na praça — configuram-se como respostas adaptativas e montagens vitais em cenários de degradação. Conclui-se que tomar as ocupações como experiências transacionais e situadas implica reconhecer que os próprios sujeitos se encontram situados e carregam em seus corpos-territórios as marcas da desigualdade, mas não se reduzem a elas passivamente. Em territórios arruinados, as ocupações funcionam como mecanismos de composição de mundos e sustentação da existência. A pesquisa contribui para a Ciência Ocupacional, a Terapia Ocupacional e a Saúde Coletiva ao demonstrar que, diante da aridez do cotidiano, o "ocupar-se" ultrapassa a adequação funcional individual, revelando-se como ato de insistência e resistência política na fabricação de condições para continuar existindo e para reivindicar o direito fundamental de viver, e viver bem.por
dc.description.sponsorshipNão recebi financiamento
dc.identifier.citationSOUZA, Naila Pereira. Ocupar-se nas ruínas: uma etnografia em um centro de atenção psicossocial álcool e drogas na zona oeste do Rio de Janeiro. 2026. Tese (Doutorado em Terapia Ocupacional) – Universidade Federal de São Carlos, Campus São Carlos, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/24579.*
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/20.500.14289/24579
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade Federal de São Carlos
dc.publisher.addressCampus São Carlos
dc.publisher.centerCentro de Ciências Biológicas e da Saúde - CCBS
dc.publisher.initialsUFSCar
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional - PPGTO
dc.rights.urihttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/
dc.subjectAtividades cotidianaspor
dc.subjectFilosofiapor
dc.subjectTerapia ocupacionalpor
dc.subjectDeterminação social da saúdepor
dc.subjectServiços de saúde mentalpor
dc.subjectUso de substânciaspor
dc.subject.cnpqCIENCIAS DA SAUDE::FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL
dc.subject.ods3. Saúde e Bem-Estar
dc.titleOcupar-se nas ruínas: uma etnografia em um centro de atenção psicossocial álcool e drogas na zona oeste do Rio de Janeiropor
dc.title.alternativeOccupying oneself amidst the ruins: an ethnography at an alcohol and drug psychosocial care center in Rio de Janeiro’s west zoneeng
dc.typeTese

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