Mercantilização do autismo e precarização do trabalho: relatos de terapeutas em uma mídia social digital
| dc.contributor.advisor1 | Fernandes, Amanda Dourado Souza Akahosi | |
| dc.contributor.advisor1Lattes | lattes.cnpq.br/7901666626822625 | |
| dc.contributor.advisor1orcid | https://orcid.org/0000-0001-8006-8117 | |
| dc.contributor.author | Sanches, Sabrina Angélica Silvestrini | |
| dc.contributor.authorlattes | http://lattes.cnpq.br/5379148858490894 | |
| dc.contributor.authororcid | https://orcid.org/0009-0002-3847-9013 | |
| dc.contributor.referee | Cid, Maria Fernanda Barboza | |
| dc.contributor.referee | Souza, Marina Batista Chaves Azevedo de | |
| dc.contributor.refereeLattes | http://lattes.cnpq.br/8595043315867424 | |
| dc.contributor.refereeLattes | http://lattes.cnpq.br/9996143368990581 | |
| dc.contributor.refereeorcid | https://orcid.org/0000-0002-0199-0670 | |
| dc.contributor.refereeorcid | https://orcid.org/0000-0003-0704-0534 | |
| dc.date.accessioned | 2025-12-12T12:38:42Z | |
| dc.date.issued | 2025-12-01 | |
| dc.description.abstract | The historical transformations of capitalism, culminating in the neoliberal model, extend beyond the economic sphere and involve structural changes that directly shape work organization, management practices, and the commodification of several areas of health care. In the field of autism, this process has fostered the emergence of a lucrative market of products, services, and treatments, frequently subordinating care to logics of efficiency, control, and profit maximization. Such dynamics affect not only therapeutic approaches but also the ways in which work processes are structured, teams are managed, and care is organized in everyday practice. Within this context, the precarization of work expresses the effects of neoliberal rationality, which redefines values, practices, and expectations, reverberating simultaneously across the objective, subjective, and ethical dimensions of therapeutic work. Examining this scenario makes it possible to understand how these dynamics permeate daily labor, revealing both the materiality of precarization and its symbolic, affective, and ethical impacts on workers. By exposing contemporary forms of labor exploitation and their subjective effects, this study contributes to the debate on precarization in the health sector, drawing on critical perspectives on neoliberal rationality, commodification, and labor. It also aligns with analyses that interrogate the advancement of the commodification of health and the configuration of the Autism Industrial Complex, understood as processes that reconfigure services, practices, and labor relations.This study aimed to understand and analyze the work processes and conditions in clinics specialized in the care of autistic children, drawing on critical frameworks on healthcare commodification and the Autism Industrial Complex. Designed as an exploratory, documentary study with a quali-quantitative approach, the corpus consisted of 540 anonymous reports posted by therapists on Instagram between March and October 2024. Data analysis was conducted through thematic content analysis. From this process emerged Category A and its five subcategories, which address the technical and productive organization of work processes and constitute the core structure of precarization identified in the narratives. This analytic focus aligns with the study’s objective of examining how work organization, routines, demands, and operational structures directly impact both care and therapists’ work experiences. The subcategories discussed include: A1 – Neglect of basic working conditions and work overload; A2 – Inadequate infrastructure; A3 – Administrative disorganization and lack of technical support; A4 – Contractual exploitation and violation of labor rights; and A5 – Remuneration. The results revealed a concerning panorama of precarized labor relations, marked by physical overload, inadequate infrastructure, informal and unstable contractual arrangements, and fragile administrative processes. These findings demonstrate that the expansion of the commodification of care, coupled with contemporary management models guided by neoliberal efficiency, has deteriorated the working conditions of therapists who provide care to autistic children. Precarization manifests in both objective dimensions—such as workload, pay, and infrastructure—and subjective, ethical, and affective dimensions that shape daily care practices, often eroding therapeutic relationships and rendering workers’ suffering invisible. At the same time, forms of resistance emerge, reclaiming the ethical–political meaning of work, the value of collective action, and the importance of spaces for dialogue as means of confronting and elaborating suffering. This study contributes to debates on the effects of health commodification in the field of autism by highlighting psychosocial impacts on professionals and problematizing the modes of care production under neoliberal capitalism. It underscores the urgency of rethinking public policies and care models that prioritize service quality, workforce valorization, and the centrality of care as an ethical, collective, and human practice. | eng |
| dc.description.resumo | As transformações históricas do capitalismo, culminando no modelo neoliberal, não se restringem ao campo econômico, mas envolvem mudanças estruturais que influenciam diretamente a organização do trabalho, os modos de gestão e a mercantilização de diversas áreas da saúde. Quando se trata do autismo, esse processo se manifesta na criação de um mercado que movimenta produtos, serviços e tratamentos, frequentemente subordinando o cuidado a lógicas de eficiência, controle e maximização do lucro. Esse cenário incide não apenas sobre as abordagens terapêuticas, mas também sobre a maneira como os processos produtivos do trabalho são estruturados, como as equipes são geridas e como o cuidado é organizado no cotidiano. Nessa conjuntura, a precarização do trabalho expressa os efeitos da racionalidade neoliberal, que redefine valores, práticas e expectativas, repercutindo simultaneamente nas dimensões objetivas, subjetivas e éticas do fazer terapêutico. Analisar esse contexto permite compreender como tais dinâmicas atravessam o cotidiano laboral, revelando tanto a materialidade da precarização quanto seus impactos simbólicos, afetivos e éticos sobre os trabalhadores. Ao explicitar formas contemporâneas de exploração e seus efeitos subjetivos, este estudo busca contribuir para o debate sobre a precarização no campo da saúde, tomando como eixo analítico os efeitos da racionalidade neoliberal, em diálogo com referenciais críticos sobre mercantilização e trabalho. O estudo também se situa no campo de análises que problematizam o avanço da mercantilização da saúde e a conformação do Complexo Industrial do Autismo, compreendidos como processos que reconfiguram serviços, práticas e relações de trabalho. Este estudo teve como objetivo compreender e analisar os processos e as condições de trabalho em clínicas especializadas no atendimento de crianças autistas à luz de referenciais críticos aos processos de mercantilização da saúde e do complexo industrial do autismo. Caracterizado como um estudo exploratório, documental e de abordagem qualiquantitativa, o corpus da pesquisa foi constituído por 540 relatos publicados por terapeutas no Instagram entre março e outubro de 2024. Para análise dos dados, adotou-se a análise de conteúdo com enfoque temático. Desta, emergiu a Categoria A e as cinco subcategorias que a compõe, as quais abordam a organização técnica e produtiva dos processos de trabalho, e constitui o núcleo estruturante da precarização identificada nos relatos, concentrando os elementos que permitem compreender como a lógica neoliberal reconfigura a materialidade do trabalho, suas condições objetivas e suas formas de gestão. A escolha desse recorte se alinha ao foco analítico do estudo, voltado a examinar de que modo a organização do trabalho, suas rotinas, demandas e estruturas operacionais impactam diretamente o cuidado e a experiência laboral dos terapeutas. Assim, são apresentadas as subcategorias A1- Negligência com condições básicas de trabalho e sobrecarga; A2- Infraestrutura inadequada; A3- Desorganização administrativa e ausência de suporte técnico; A4- Exploração contratual e violação de direitos trabalhistas; e A5- Remuneração. Os resultados revelaram um panorama preocupante de precarização das relações de trabalho, marcado por sobrecarga física, infraestrutura inadequada, informalidade contratual e processos administrativos frágeis, evidenciando que o avanço da mercantilização do cuidado, aliado às formas contemporâneas de gestão orientadas pela eficiência neoliberal, tem deteriorado as condições de trabalho dos terapeutas que atuam com crianças autistas. A precarização identificada abrange tanto dimensões objetivas, como jornada, salário e infraestrutura, quanto dimensões subjetivas, éticas e afetivas que atravessam o cotidiano do cuidado, frequentemente esvaziando vínculos e invisibilizando o sofrimento dos trabalhadores. Em contrapartida, emergem formas de resistência que resgatam sentidos ético-políticos do trabalho, o valor do coletivo e a importância dos espaços de fala como meios de enfrentamento e elaboração do sofrimento. O estudo contribui para o debate sobre os efeitos da mercantilização da saúde no campo do autismo, ao evidenciar os impactos psicossociais sobre os profissionais e tensionar os modos de produção do cuidado sob o capitalismo neoliberal. Reitera-se, assim, a urgência de repensar políticas públicas e modelos de atenção que priorizem a qualidade dos serviços, a valorização das equipes e a centralidade do cuidado como prática ética, coletiva e humana. | |
| dc.description.sponsorship | Não recebi financiamento | |
| dc.identifier.citation | SANCHES, Sabrina Angélica Silvestrini. Mercantilização do autismo e precarização do trabalho: relatos de terapeutas em uma mídia social digital. 2025. Dissertação (Mestrado em Terapia Ocupacional) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/23189. | por |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/20.500.14289/23189 | |
| dc.language.iso | por | |
| dc.publisher | Universidade Federal de São Carlos | |
| dc.publisher.address | Campus São Carlos | |
| dc.publisher.initials | UFSCar | |
| dc.publisher.program | Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional - PPGTO | |
| dc.rights | Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil | en |
| dc.rights.uri | http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/ | |
| dc.subject | Autismo | |
| dc.subject | Mercantilização da Saúde | |
| dc.subject | Precarização do Trabalho | |
| dc.subject | Terapia Ocupacional | |
| dc.subject | Autism | eng |
| dc.subject | Healthcare Commodification | eng |
| dc.subject | Labor Precarization | eng |
| dc.subject | Occupational Therapy | eng |
| dc.subject.cnpq | CIENCIAS DA SAUDE::FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL | |
| dc.subject.ods | 3. Saúde e Bem-Estar | |
| dc.title | Mercantilização do autismo e precarização do trabalho: relatos de terapeutas em uma mídia social digital | |
| dc.title.alternative | Commodification of autism and the precarization of work: narratives of therapists on a digital social media platform | eng |
| dc.type | Dissertação |
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