Resistência e alianças na extensão rural: etnobiografia de Miqueas Marques de Lima

dc.contributor.advisor1Villela, Jorge
dc.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/8301325600502054
dc.contributor.authorAlves, Gabriela
dc.contributor.authorlatteshttp://lattes.cnpq.br/3831195315433087
dc.contributor.refereePereira, Renan
dc.contributor.refereeAlves, Yara
dc.contributor.refereeLatteshttp://lattes.cnpq.br/8301325600502054
dc.contributor.refereeLatteshttp://lattes.cnpq.br/8301325600502054
dc.date.accessioned2025-12-19T17:19:41Z
dc.date.issued2025-08-20
dc.description.abstractFocusing on the life trajectory of Miqueas Marques de Lima - a young family farmer, as he prefers to be called - who currently inhabits, organizes, and politically represents the Sepé Tiaraju Settlement, located in the municipality of Serra Azul, in the interior of São Paulo State, this dissertation takes - as a point of departure - life in its formative process: that which often remains outside analytical frameworks. Rather than adopting a distanced view of the countryside as structure, I propose a sensitive approach to the rural as lived experience, biographical and shaped by marks that precede the conquest of land and shape the ways in which that conquest is understood and continually updated. By following Miqueas’s accounts from the time of encampment, I sought to listen not only to what he does today, but to what led him nowadays - the black tarpaulins, the displacements, the silences and gestures that, even before the plot of land, already outlined the contours of a struggling man. In a life context marked by technical and bureaucratic apparatuses, one must ask: what alliances, networks, and translations are required to make the countryside not merely a space of labor, but a territory of existence, dignity, and future? And further, how does the experience with rural extension become, for Miqueas, not a means of leaving his farmer condition, but rather a way of building his own permanence, deepening his voice, and constructing political representation? By thinking of rural extension as a means, I argue that technique emerges as a possibility for continuity - not in opposition to farmer knowledge, but as a space of composition, translation, and mediation. It is in this intersection of memory, territory, technique, and knowledge that Miqueas’s trajectory is inscribed, in which his process of becoming a technician does not sever his condition as a young farmer; instead, it intensifies his capacity to claim, represent, and sustain the ways of life he upholds - for himself and for his collective. His work thus becomes part of a broader movement of voice-deepening, a concept I develop to understand the ways in which he articulates knowledge, institutions, and partnerships in building a form of representation that produces not only visibility, but also agency over his territory and the worlds being forged within it. I argue that life in and of the countryside is inseparable from the ways in which the knowledge that sustains it is constructed - and it is in this collective and relational construction that this dissertation seeks to explore. As this concerns the writing of a life, I chose ethnobiography as an analytical and methodological key, and as an ethnographic exercise to understand how an individual trajectory is woven through collectivities, networks, institutions, and struggles. It is also a way of recognizing that the making of a person - a “character-person” (Gonçalves et al., 2012) - is a continuous process of composition with territory, with relationships, institutions, and alliances that make life possible. This choice is grounded in the conviction that telling Miqueas’s life is not merely to record his path, but to accompany how he narrates and inscribes it in the world, converting his biography into a terrain of struggle, of knowledge translation, and of claiming.eng
dc.description.resumoAo assumir como foco a trajetória de Miqueas Marques de Lima, jovem camponês, como ele prefere ser chamado, que hoje habita, organiza e representa politicamente o Assentamento Sepé Tiaraju, localizado no interior do Estado de São Paulo, no município de Serra Azul, esta dissertação toma como ponto de partida a vida em seu processo de constituição - aquilo que, muitas vezes, permanece fora das análises. Em lugar de um olhar distanciado sobre o campo como estrutura, propus uma aproximação sensível ao campo como experiência vivida, biográfica, atravessada por marcas que precedem a conquista da terra e que moldam o modo como essa conquista é compreendida e atualizada. Acompanhando os relatos de Miqueas desde o tempo do acampamento, procurei escutar não apenas o que ele faz hoje, mas o que o trouxe até aqui - as lonas pretas, os deslocamentos, os silêncios e os gestos que, antes mesmo do lote, já delineavam o contorno de um sujeito em luta. Em um contexto de vida marcada pela presença de aparatos técnicos-burocráticos, há de se pensar: que alianças, redes e traduções são necessárias para fazer do campo não apenas espaço de trabalho, mas território de existência, de dignidade e de futuro? E, ainda, como o trânsito pela extensão rural se torna, para Miqueas, uma estratégia não de saída da condição camponesa, mas de elaboração de sua própria permanência, de adensamento da voz e de construção de representação? Ao pensar a extensão rural como meio, argumentei que a técnica se apresenta como possibilidade de continuidade. Não como oposição ao saber camponês, mas como uma instância de composição, de tradução e de mediação. É nesse cruzamento entre memória, território, técnica e saber que se inscreve o percurso de Miqueas, cuja trajetória de tornar-se técnico não rompe com sua condição de jovem camponês, mas adensa sua capacidade de reivindicar, representar e sustentar os modos de vida que defende - para si e para seu coletivo. Sua atuação emerge, assim, como parte de um movimento mais amplo de adensamento da voz, conceito que elaborei para compreender as formas pelas quais ele articula saberes, instituições e parcerias na construção de uma representação que produz não apenas visibilidade, mas também agência sobre o seu território e os mundos que nele se fabricam. Argumentei que a vida do/no campo, nesse sentido, é inseparável das formas pelas quais se constrói o saber que a sustenta, e é nessa construção, coletiva e relacional, que esta dissertação se debruçou. Por se tratar da escrita de uma vida, optei pela etnobiografia como chave analítica, metodológica e como exercício etnográfico, de forma a compreender como uma trajetória individual se tece no interior de coletividades, redes, instituições e lutas. É, também, uma maneira de reconhecer que a produção da pessoa, de uma “personagem-pessoa” (Gonçalves et al., 2012), é um processo contínuo de composição com o território, com as relações, com as instituições e com as alianças que tornam a vida possível. Essa escolha se fundamenta na convicção de que contar a vida de Miqueas não é somente registrar sua trajetória, mas acompanhar como ele próprio a relata e a inscreve no mundo, convertendo sua biografia em território de luta, de tradução de saberes e de reivindicação.
dc.identifier.citationALVES, Gabriela. Resistência e alianças na extensão rural: etnobiografia de Miqueas Marques de Lima. 2025. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/23325.por
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/20.500.14289/23325
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade Federal de São Carlos
dc.publisher.addressCampus São Carlos
dc.publisher.initialsUFSCar
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subjectAssentamento
dc.subjectBiografia
dc.subjectExtensão rural
dc.subjectLuta
dc.subjectSettlementeng
dc.subjectSettlementeng
dc.subjectBiographyeng
dc.subjectRural extensioneng
dc.subjectStruggleeng
dc.subjectMemoryeng
dc.subjectRural extensioneng
dc.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA
dc.subject.ods2. Fome Zero e Agricultura Sustentável
dc.subject.ods4. Educação de Qualidade
dc.subject.ods10. Redução das Desigualdades
dc.subject.ods11. Cidades e Comunidades Sustentáveis
dc.subject.ods12. Consumo e Produção Responsáveis
dc.subject.ods1. Erradicação da Pobreza
dc.subject.ods16. Paz, Justiça e Instituições Eficazes
dc.subject.ods15. Vida Terrestre
dc.titleResistência e alianças na extensão rural: etnobiografia de Miqueas Marques de Lima
dc.title.alternativeResistance and alliances in rural extension: the ethnobiography of Miqueas Marques de Limaeng
dc.typeDissertação

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