Etnografia da luta infinita: assentamento e expulsão no Acampamento Capão das Antas (São Carlos, SP)

dc.contributor.advisor1Villela, Jorge Luiz Mattar
dc.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/8301325600502054
dc.contributor.authorSavarego, Júlia Aricó
dc.contributor.authorlatteshttps://lattes.cnpq.br/1852273495891237
dc.contributor.authororcidhttps://orcid.org/0000-0002-6524-4415
dc.date.accessioned2025-04-29T18:04:24Z
dc.date.issued2025-02-07
dc.description.abstractThis dissertation aims to ethnograph the resistance strategies of the residents of Acampamento Capão das Antas, a rural occupation fighting for Agrarian Reform located in the municipality of São Carlos, in the east-central region of the state of São Paulo, Brazil, in response to a currently suspended land repossession process. This process, which began in November 2011 and is now moving toward the establishment of a settlement, was legally grounded in environmental legislation. According to the group of residents with whom this work is conducted, the research concerns the creation of a documentary to write the history of the camp’s struggle. The methodological projections resulting in this text weave together an ethical-philosophical commitment, but also an aesthetic one, guiding the research’s execution. Thus, it makes sense to think of methodology necessarily as ethics expressed in the aesthetics of the text, which presents itself as a documentary—a ‘storytelling of the struggle.’ The documentary is simultaneously method, object, and research goal. I aspire for the text to be entangled as part of the struggle and to have its own political agency, given the understanding and commitment to the idea of writing as a world-creating practice. But, as the title of this dissertation announces, what does it mean to finish writing an endless struggle? In a context where exhaustion and depression were the most recurring themes, I raised the following problem: How can the certainty of the unattainable be precisely what keeps people fighting? The making of ‘Anthropology in and with the Endless Struggle’ initially led me to perceive a tension—and often contradictions—that, throughout the fieldwork begun in 2018, proved to be my own. From this realization, I wove oppositions into the ethnographic writing in an attempt to echo the movement of the struggle itself, such as the interdependent relationship between eviction and settlement in the current design of public policies aimed at land redistribution. This dissertation deals with the entanglements of hope and failure that mark what is a collective project: making home through land as a connector of temporalities, people, plants, and non-humans. I argue that the land struggle of the people of Acampamento Capão das Antas is not only about obtaining legal use but also about the constant work of forging bonds with the land, memory, and one another. And these bonds can only be sustained through care—for and with the land and the people, living and dead. It is because there are ‘affective bonds’ that people choose to stay or leave, and the affect involved is not just love and hope but also its relationship with pain and failure. This movement is echoed in this ethnography as a trigger for building comparative and imaginative bridges, enhancing life and projecting other possible futures.eng
dc.description.resumoEsta dissertação tem como objetivo etnografar as estratégias de resistência de moradoras/es do Acampamento Capão das Antas, ocupação rural de luta por Reforma Agrária localizada no município de São Carlos, centro-leste do estado de São Paulo, Brasil, frente a um hoje suspenso processo de reintegração de posse, para o qual legislações ambientais serviam de base jurídico-argumentativa, iniciado em novembro de 2011, e que se encaminha para a construção de um assentamento. Segundo o núcleo de moradoras/es com o qual esse trabalho é realizado, a pesquisa diz respeito à construção de um documentário para escrever a história da luta do acampamento. As projeções metodológicas que resultaram neste texto enredam um comprometimento ético-filosófico, mas também estético, que norteia a condução da pesquisa. Assim, faz sentido pensar em metodologia necessariamente como ética expressa na estética do texto que se apresenta como documentário, um ‘contar histórias de luta’. O documentário é simultaneamente método, objeto e objetivo de pesquisa. Ambiciono que o texto enrede como parte da luta e tenha sua agência política própria, haja vista o entendimento e comprometimento com a ideia da escrita enquanto criadora de mundos. Mas, como o título desta dissertação anuncia, o que significa terminar de escrever uma luta infinita? Em um contexto no qual a exaustão e a depressão eram os temas mais recorrentes, levantei o seguinte problema: como pode a certeza do inalcançável ser justamente o que mantém as pessoas lutando? A feitura da ‘Antropologia na e com a luta infinita’ me levou, inicialmente, a enxergar uma tensão e, muitas vezes, contradições, que, ao longo do trabalho de campo iniciado em 2018, se provaram minhas. A partir dessa constatação, fui tecendo oposições na escrita etnográfica buscando ressoar o movimento da própria luta, tais como a relação de interdependência entre expulsão e assentamento no desenho corrente de políticas públicas com fins de redistribuição de terras. Esta dissertação trata dos emaranhamentos da esperança e do fracasso que marcam o que é um projeto coletivo: fazer casa através da terra enquanto conector de temporalidades, gentes, plantas e não-humanos. Eu argumento que a luta pela terra das pessoas do Acampamento Capão das Antas não diz respeito somente à obtenção de uso legal, mas ao constante trabalho de fazer vínculos com a terra, a memória e umas com as outras. E estes vínculos só podem ser sustentados através do cuidado de e com a terra e as pessoas, vivas e mortas. É porque há ‘vínculos afetivos’ que as pessoas escolhem ficar ou ir embora, e o afeto envolvido não é apenas amor e esperança, mas também sua relação com a dor e o fracasso. Esse movimento é ressoado nesta etnografia como disparador para a construção de ponte comparativas e imaginativas, potencializadoras de vida e de projeção de outros futuros possíveis.
dc.description.sponsorshipFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
dc.description.sponsorshipCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
dc.description.sponsorshipIdProcesso nº 2022/04214-4. Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
dc.description.sponsorshipIdProcesso nº 2023/04869-3. Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
dc.identifier.citationSAVAREGO, Júlia Aricó. Etnografia da luta infinita: assentamento e expulsão no Acampamento Capão das Antas (São Carlos, SP). 2025. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/21980.por
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/20.500.14289/21980
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade Federal de São Carlos
dc.publisher.addressCampus São Carlos
dc.publisher.initialsUFSCar
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS
dc.relation.urihttps://doi.org/10.1086/735061
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subjectAntropologia na luta infinita
dc.subjectAcampamento
dc.subjectAssentamento
dc.subjectExpulsão
dc.subjectLegislação ambiental
dc.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA::ANTROPOLOGIA RURAL
dc.titleEtnografia da luta infinita: assentamento e expulsão no Acampamento Capão das Antas (São Carlos, SP)
dc.title.alternativeEthnography of an endless struggle: settlement and eviction in the Capão das Antas Camp (São Carlos, SP)eng
dc.typeDissertação

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