Leitores orgulhosos, leitores envergonhados: as emoções em discursos sobre a leitura

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Universidade Federal de São Carlos

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Em consonância com as pesquisas realizadas e orientadas pela Profª. Drª. Luzmara Curcino, junto ao Laboratório de Estudos da Leitura (LIRE/CNPq - UFSCar), dedicadas à análise de discursos sobre essa prática, esse conjunto de dados deriva de nossa atuação como bolsistas técnicos TT1 (FAPESP 2022/05271-1), junto ao projeto "Leitores orgulhosos, leitores envergonhados: as emoções em discursos sobre a leitura" (FAPESP 2020/03615-0). Como bolsistas técnicos, participamos do levantamento coletivo de dados e da sua classificação em 5 categorias de enunciados, de acordo com o tipo de emoção neles materializada: 1) leitor orgulhoso de si, 2) leitor com orgulho alheio, 3) leitor vergonhoso de si, 4) leitor com vergonha alheia e 5) leitor cuja vergonha revelada indicia antes o orgulho de sua condição leitora. A partir do corpus já coletado junto a textos dos jornais 'Folha de S. Paulo' e 'O Estado de S. Paulo', de 2010 a 2022, foram coletados, ao todo, 406 textos, nos quais identificamos algum indício das emoções do orgulho ou da vergonha relacionadas à condição leitora. Deste total, 293 textos foram localizados na Folha, e 113 no Estado de São Paulo. Em alguns desses textos, coletamos mais de um enunciado. Do Estadão, entre 2010 a 2022, dos 113 textos coletamos 244 enunciados que integram o corpus, distribuídos nas 5 categorias já mencionadas. Da Folha, no período de 2015 a 2022, dos 293 textos, foram coletados 1.024 enunciados, também distribuídos quantitativamente nos 5 grupos, com trechos específicos e destacados onde há manifestação das emoções de orgulho ou de vergonha sobre as condições leitoras e que servem como objetos de análise. A fim de depreender maiores aprofundamentos dos dados do corpus, têm-se que, no Estadão, entre 2010 a 2022, 151 são os enunciados coletados em que há expressões que manifestam a condição de “leitores orgulhosos de si” (GRUPO 1), 32 são os de “leitores com orgulho do hábito leitor alheio”, (GRUPO 2) 2 são os de manifestação de vergonha de si (GRUPO 3), 31 de manifestação de vergonha alheia (GRUPO 4) e 28 de afirmação de uma vergonha que implicitamente se afirma o orgulho do leitor de si próprio (GRUPO 5); são esses casos de frases que expressam a insatisfação do sujeito por não ler lido tantos livros quanto queria ou de ser tão ávido leitor que sabe quais livros e jornais valem a pena ser lidos e quais não, de modo a afirmar com orgulho a sua não-condição leitora de determinada literatura ou veículo de imprensa jornalística. Quanto à Folha de São Paulo, no período de 2015 a 2022 somaram 293 textos, que se distribuem em 477 enunciados que se enquadram com o grupo 1, 242 para o grupo 2, 13 para o grupo 3, 189 para o grupo 4 e 103 para o grupo 5. Nesta pesquisa objetivamos analisar enunciados sobre a leitura cuja especificidade se caracteriza pela evocação regular de certas emoções relacionadas a essa prática, em especial a 'vergonha' e o 'orgulho'. Em nossas análises buscamos depreender aspectos do funcionamento desses discursos sobre a leitura e das representações do sujeito leitor, descrevendo e interpretando processos, formas e fenômenos de sua constituição, de sua formulação e de sua circulação em nossa sociedade, de modo a melhor compreender o impacto e alcance dessas formas de enunciar sobre os modos como essa prática e essa posição-sujeito são concebidas, avaliadas e exercidas entre nós. Tendo como pressuposto essa atuação subjetivante dos discursos, analisaremos um amplo corpus de enunciados, obtido junto a acervos digitais, redes sociais, textos da mídia convencional e a respostas a questionário formulado para esse fim. Visamos, assim, contribuir com o avanço nos estudos sobre essa prática no Brasil, ao tratarmos desse aspecto dos discursos sobre a leitura ainda não explorado de maneira exclusiva e sistemática e de cuja reflexão se espera uma melhor compreensão do funcionamento imobilizante ou emancipatório sobre nossas práticas. Para isso, nos apoiamos teórica e metodologicamente em princípios e noções da Análise de discurso, sobretudo de base foucaultiana; em estudos da História cultural acerca da leitura, segundo Roger Chartier, articulada a concepções da Sociologia da distinção cultural bourdieusiana; e na recente abordagem das emoções estabelecida no âmbito da História cultural e da História das sensibilidades, tal como empreendida por Jean-Jacques Courtine, entre outros.

Citação

CURCINO, Luzmara; LEITE, Paul Fernand da Cunha. Leitores orgulhosos, leitores envergonhados: as emoções em discursos sobre a leitura. Repositório Institucional da UFSCar, 2024. Dataset. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/21146.

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